Pedro Magalhães

Margens de Erro

Os efeitos das sondagens

Posted September 24th, 2009 at 2:55 pm4 Comments

Ainda antes de conhecermos os resultados de hoje (que se reportam a sondagens feitas nos últimos dias), vale a pena pensar nas consequências que as próprias sondagens sobre intenção de voto poderão ter no comportamento dos eleitores no dia 27.

Há um paper muito interessante de 2001, de Sybille Hardmeier, da Universidade de Zurique - "Towards a Systematic Assessment of the Impact of Polls on Voters" - que aborda os resultados de 34 estudos diferentes em diferentes países sobre o assunto. Vamos então lá saber, de uma vez por todas, quem é beneficiado e prejudicado com os resultados das sondagens? Vamos a isso? Bora lá:



Ora bolas.

by Pedro Magalhães

"Desta vez não haverá empate técnico"

Posted September 24th, 2009 at 2:53 pm4 Comments

Diz António Salvador, da Intercampus, sobre a sondagem que será divulgada pela TVI às 20.00h.

by Pedro Magalhães

Trocas 1.1.2

Posted September 24th, 2009 at 9:42 am4 Comments

A justo pedido de muitas famílias, as FAQ do Trocas de Opinião foram ampliadas para explicar a formação dos preços e outros aspectos que estavam a suscitar dúvidas. Os rankings por contrato já têm ligação ao Twitter ou ao blogue daqueles que introduziram essa informação. Hoje haverá ainda uma novidade adicional. Keep it coming.

by Pedro Magalhães

Legislativas. Marktest, 18-21 Set., N=811, Tel.

Posted September 24th, 2009 at 12:37 am4 Comments

PS: 40%
PSD: 31,6%
BE: 9%
CDS-PP: 8,2%
CDU: 7,2%
OBN: 4%

Entre 811, terá havido 37% de "indecisos", o que na Marktest, julgo saber, são pessoas que não quiserem responder ou disseram não saber em quem votariam. Aqui (dado que fontes diferentes dão resultados ligeiramente diferente, é natural que haja ligeiras mudanças neste post amanhã).

by Pedro Magalhães

A very brief essay on the importance of smoothing bandwidth selection.

Posted September 23rd, 2009 at 2:54 pm4 Comments



by Pedro Magalhães

Posted September 23rd, 2009 at 2:54 pm4 Comments





by Pedro Magalhães

Consequências

Posted September 23rd, 2009 at 1:30 pm4 Comments

A amável ligação do João Miranda, do Blasfémias (o maior potentado da blogosfera), ao Trocas de Opinião, está a ter algumas consequências interessantes no mercado. Boas ou más, do ponto de vista das previsões? O tempo dirá.

by Pedro Magalhães

Alemanha

Posted September 22nd, 2009 at 1:52 pm4 Comments

Nas últimas sondagens, a vantagem da CDU/CSU sobre o SPD oscila entre 13,5 e 9 pontos percentuais. Verdes, FDP e Linke estão, na prática, empatados em intenções de voto se bem que, nas amostras, FDP apareça sempre com ligeira vantagem. Tudo aqui.

by Pedro Magalhães

Gemeo-IPAM, 3-6 Set, N=800, Tel.

Posted September 21st, 2009 at 4:13 pm4 Comments

É sobre o pior e o melhor PM que Portugal teve. Não tenho o texto das perguntas e a notícia online menciona apenas o pior (José Sócrates, para 27% dos inquiridos) e o melhor (Cavaco Silva, para 30%). Na Exame há-de vir o resto.

Há uns tempos, o CESOP-UCP colocou a mesma pergunta num barómetro. Foi em Fevereiro de 2008. Os resultados estão aqui, na página 5.

by Pedro Magalhães

Indecisos

Posted September 21st, 2009 at 9:30 am4 Comments

Numa entrevista ao Correio da Manhã, a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, faz as seguintes declarações:

"Se eu fosse directora de uma agência de sondagens nunca publicaria uma sondagem a oito dias de eleições dizendo que tinha 30 por cento de indecisos. Diria que não tinha reunido as condições para a publicar. Porque evidentemente uma sondagem com 30 por cento de indecisos significa que qualquer partido, mesmo aquele que na sondagem aparece de todos os outros, pode ganhar as eleições. Não tem nenhum significado uma sondagem dessas. Independentemente disso, na mesma posição relativa que estamos hoje e nas eleições europeias os resultados dariam exactamente o contrário. Eu espero que aconteça o mesmo nas legislativas."

Curiosamente, estas declarações ecoam um artigo de opinião escrito há dias por António Ribeiro Ferreira, precisamente um dos entrevistadores de MFL:

"E lembrar também que há quem não tenha qualquer pejo em publicar sondagens com uma margem de indecisos de 30 %."

A primeira curiosidade que isto me despertou foi a de saber qual a sondagem que tinha sido publicada recentemente e em cuja amostra 30% dos inquiridos tinham declarado não saber em quem iriam votar. Não é esta (15%), nem esta (8,9%), nem esta (4,3%), nem esta (17%). Será então porventura esta, onde cerca de 32% dos inquiridos respondeu "não sabe" ou recusou responder à pergunta sobre em que partido tenciona votar nas próximas eleições. A sondagem foi realizada a 20 dias das eleições, não a oito. E os 32% representam aqueles que se declararam indecisos e aqueles que recusaram responder à pergunta.

Mas deixemos de lado a questão de saber se recusar responder à pergunta deve ser lido como representando "indecisão" (muito duvidoso). Vamos supor que, de facto, perto de uma eleição, há 30% do eleitorado que diz estar indeciso numa sondagem. Significa isto que não estão reunidas as condições para a publicar?

Há três coisas que queria lembrar:

1. A percentagem de "indecisos" varia muito de sondagem para sondagem, e por boas razões. Ela depende muito do universo sobre o qual estamos fazer inferências e do próprio questionário. Por exemplo, se a minha amostra é composta apenas por pessoas que dizem à partida que irão votar (e, logo, o universo sobre o qual se está a fazer uma inferência não é o da totalidade dos eleitores mas apenas dos "votantes prováveis"), é muito natural que a percentagem de indecisos seja mais baixa. Aqui, trata-se apenas de indecisão em torno da opção de voto, não da opção de votar. Pelo contrário, quando a amostra é uma amostra do eleitorado em geral, a percentagem dos que que "não sabem" pode reunir facilmente o que não sabem se irão votar e os que não sabem em quem. O "não sabe", aqui, será sempre mais elevado.

2. Mesmo entre sondagens cujas amostras são extraídas para fazer inferências sobre a generalidade do eleitorado, o questionário fará, muito provavelmente, grande diferença a este nível. Se eu tiver uma "pergunta filtro" onde pergunto às pessoas se vão votar, e se só colocar a pergunta de intenção de voto a quem diz tencionar votar (ou pelo menos a quem não exclui imediatamente esse possibilidade), é muito provável que alguns daqueles que não sabem se irão votar sejam filtrados à partida por essa primeira pergunta. Em princípio, os "indecisos" hão-de ser menos. Pelo contrário, se fizer uma única pergunta sobre intenção de voto, essa pergunta junta nos "não sabe" quer aqueles que estão indecisos sobre a opção de voto quer aqueles que estão indecisos sobre se irão votar.

3. E dito isto, 30% de indecisos seria assim tão "anormal"? Num inquérito pós-eleitoral realizado após as eleições de 2005, coordenado por António Barreto no ICS, cerca de 34% daqueles que afirmaram ter votado nessas eleições disseram que tomaram a sua decisão no último mês antes da eleição. Nos Estados Unidos, a percentagem daqueles que afirmam ter decidido em quem votar na última semana oscilou, nas eleições presidenciais mais recentes, entre 11% (em 2004) e 30,7% (em 1996). Nas eleições americanas mais recentes, as de 2008, as sondagens à boca das urnas mostram que 25% dos votantes decidiram no último mês, e que 10% decidiram na última semana. Uma sondagem em Portugal que indicasse 30% de indecisos a 20 dias das eleições seria uma coisa assim tão exótica e ilegítima? Não creio.

Subjacente a tudo isto está, claro, uma concepção do que é uma "sondagem" que nada tem a ver com aquilo que uma sondagem realmente é, e que ignora que uma sondagem é uma medição, junto de uma amostra de uma população, de atitudes e intenções (e não uma previsão de um resultado eleitoral ou um oráculo que tem de dizer "quem vai ganhar"). E se gastei aqui algum tempo a escrever este post não foi, acreditem, para benefício de António Ribeiro Ferreira. Mas Manuela Ferreira Leite merece que isto lhe seja explicado. E tenho a certeza absoluta que, se isto lhe for explicado, compreenderá.

by Pedro Magalhães