Pedro Magalhães

Margens de Erro

Delírio

Posted September 17th, 2009 at 3:52 pm4 Comments

Os boatos que circulam sobre resultados de sondagens, por vezes mesmo antes dessas sondagens terem sido completadas ou os seus dados analisados, são uma coisa absolutamente delirante. Um dia hei-de vos contar.

by Pedro Magalhães

Trocas de Opinião

Posted September 17th, 2009 at 12:01 pm4 Comments

Ora aí está, desde as 12.00h de hoje, o Trocas de Opinião, um mercado electrónico de previsões políticas e sociais com play money. Quem quiser uma introdução sobre como funcionam estas coisas e para que servem pode ir ver posts passados (um sobre as capacidades preditivas dos mercados em geral e no campo eleitoral em particular e outro sobre funcionamento genérico).

Mas melhor ainda é ir ler o que a equipa do Trocas preparou para ajudar os novos investidores: um Guia do Utilizador e um FAQ. A página inicial mostra algumas cotações que resultaram de negociações iniciais entre um conjunto muito pequeno de utilizadores beta. Logo, é muito provável que haja já à partida grandes negócios para fazer, porque as cotações estão muito longe de terem integrado informação suficiente. Mas para isso, e para ver a evolução de cotações de todos os contratos e suas fichas técnicas, é preciso registo. Para os mais sofisticados, há ainda a possibilidade de transaccionar contratos "a descoberto". O FAQ aborda a possibilidade e, lá dentro, na secção Artigos, há um texto que explica o que isto significa.

Quem se registe terá, do lado esquerdo, um menu que permite fazer tudo o que é necessário no mercado: consultar a carteira de títulos de que cada investidor dispõe; listar os contratos existentes no mercado (em resumo ou em detalhe); criar ordens de compra ou venda; ler um extracto com as transações feitas, custos e dinheiro em carteira; rever a história de ordens de compra ou venda (e o estado dessas ordens, se já concretizadas ou aguardando comprador ou vendedor); e consultar as cotações dos contratos. Há também um ranking dos investidores por contrato, ordenado por mais valias realizadas.

O mais importante de tudo é tomar em conta que isto não passa, para já, de uma experiência. E é uma experiência cujo sucesso depende de várias coisas. Em primeiro lugar, de o desenho do mercado e de os algoritmos por detrás das transacções estaram bem concebidos e sem falhas. Suponho que iremos todos descobrir isso ao longo do tempo. E em segundo lugar, esse sucesso depende de...ter sucesso. Um mercado de previsões só produz boas previsões se tiver liquidez e investidores em quantidade suficiente para integrar o máximo de informação. E se alguém quiser distorcer o mercado inflacionando ou deflacionando cotações, essas manipulações geram imediatamente possibilidades de mais valias, que se aproveitadas irão reequilibrar as cotações novamente. Mas isso exige também liquidez e investidores interessados no "lucro".

Mas é uma experiência que tinha de ser feita, e ainda bem que foi. E chegou-me aos ouvidos que não é a única que anda a ser preparada por aí. Se se concretizarem mais coisas, divulgarei aqui também.

by Pedro Magalhães

Determinação

Posted September 16th, 2009 at 3:16 pm4 Comments

O custo do voto, por assim dizer (actualizado)

Posted September 15th, 2009 at 4:16 pm4 Comments

O Jesus Sanz, um doutorando espanhol aqui no ICS, ficou muito impressionado com o facto dos gastos orçamentados pelos partidos para campanhas eleitorais ser informação pública e facilmente acessível. Segundo me diz, na sua nativa Espanha, não sucede o mesmo.

Vai daí, lembrou-se de calcular o rácio entre as despesas orçamentadas e os votos obtidos nas Europeias, i.e., o "custo" de cada voto para cada partido. Aqui vai, do voto que "ficou mais barato" para o mais caro:

POUS: 13 cêntimos.
PCTP/MRPP: 27 cêntimos.
PH: 29 cêntimos.
PPM: 1 euro e 16 cêntimos.
CDS-PP: 1 euro e 60 cêntimos.
PS: 1 euro e 61 cêntimos.
BE: 1 euro e 90 cêntimos.
PPD-PSD: 1 euro e 95 cêntimos.
CDU: 3 euros e 16 cêntimos.
MPT: 4 euros e 35 cêntimos.
MMS: 6 euros e 93 cêntimos.
MEP: 7 euros e 51 cêntimos.

O MPT orçamentou inicialmente 1.500.500 euros, o que daria, caso tivessem sido realmente gastos, uns espectaculares 64 euros e 8 cêntimos por votante, mas o orçamento rectificativo foi bem mais baixo. MMS e MEP ainda pagaram um almoço de mini-prato a cada um. Para partidos novos, o voto sai caro.

by Pedro Magalhães

Uma história da X Legislatura, actualizada

Posted September 15th, 2009 at 2:32 pm4 Comments


Zoom 1:


Zoom 2:


by Pedro Magalhães

"Indecisos"

Posted September 15th, 2009 at 11:45 am4 Comments

Na sondagem do CESOP-UCatólica da semana passada, 19% dos inquiridos (234, após ponderação pós-amostral) recusaram a ideia de se irem certamente abster mas disseram não saber em quem tencionam votar no dia 27. Algumas coisas sobre esses "indecisos":

Não sabe se vai votar: 24%
Em princípio vai votar: 30%
De certeza que vai votar: 46%

Homens: 36%
Mulheres: 64%

18-24 anos: 11%
25-34 anos: 24%
35-44 anos: 16%
45-54 anos: 17%
55-64 anos: 15%
65+ anos: 17%

Menos que secundário: 60%
Secundário completo: 26%
Superior: 13%

Não têm simpatia por qualquer partido: 45%
Simpatia pelo PS: 20%
Simpatia pelo PSD: 18%
Simpatia pelo BE: 6%
Simpatia pela CDU/PCP:3%
Simpatia pelo CDS-PP:3%
Ns/Nr: 6%

Sem posição no eixo esquerda-direita: 18%
Posição média no eixo esquerda-direita dos que têm posição: 4,9 numa escala de 0 (esquerda) a 10 (direita)

Avaliação média Louçã: 9,8
Avaliação média Jerónimo: 8,6
Avaliação média Sócrates: 7,7
Avaliação média MFL: 8,4
Avaliação média Portas: 7,8

Tirem as vossas conclusões.

by Pedro Magalhães

Porto. Marktest, 3-6 Setembro, N=399, Tel.

Posted September 15th, 2009 at 11:29 am4 Comments

PSD/CDS-PP (Rui Rio): 44,7%
PS (Elisa Ferreira): 31,1%
CDU (Rui Sá): 9,6%
BE (João Teixeira Lopes): 7,8%

Notícia aqui.

by Pedro Magalhães

Teaser 2

Posted September 15th, 2009 at 9:48 am4 Comments

Como funciona um mercado de previsões? Bem, é mais simples do que possa parecer.

Primeiro, para entrar, é preciso capital. Num mercado com dinheiro real, como o Intrade ou os Iowa Markets, abre-se uma conta e deposita-se dinheiro. Mas num mercado com dinheiro fictício, como o Inklingmarkets ou o Mercado de Previsões brasileiro, cada participante registado recebe à partida um montante virtual que depois será usado para investir.

Investir em quê, já agora? Num mercado de previsões, o que se compra ou vende são "contratos" cujo valor final está ligado à concretização de um determinado evento ou a um valor concreto. O primeiro é um contrato "tudo ou nada": o seu valor pode ser interpretado como exprimindo a probabilidade de um determinado evento ocorrer. Se o evento ocorrer, o investidor que tenha esse títulos em carteira obterá, no final, o valor 100 por cada título. Se o evento não ocorrer, receberá 0 (zero). O segundo contrato é um contrato "valor esperado": no final, cada título valerá exactamente aquilo que a realidade ditar como valor real. Exemplos? O contrato "O partido vencedor das próximas eleições legislativas terá apenas uma maioria relativa dos deputados" valerá 100 se o evento acontecer, zero se não ocorrer. O contrato "Percentagem de votos do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas" valerá exactamente a percentagem de votos no PS nas eleições de 27 de Setembro. Simples.

Como realizar mais valias num mercado de previsões? Cada contrato tem uma cotação. Imaginem que a cotação de "O partido vencedor das próximas eleições legislativas terá apenas uma maioria relativa dos deputados" é, num determinado momento, 10. Isso significa que, de acordo com as expectativas daqueles que jogaram até ao momento no mercado, expressas nos preços e quantidades de títulos comprados e vendidos, a probabilidade de o partido vencedor nas eleições de 27 de Setembro ter apenas uma maioria relativa é de 10%. Parece-me relativamente óbvio que este título está subavaliado pelo mercado. A probabilidade de uma maioria relativa (em vez de absoluta) é muito maior que 10%. O que devo fazer? Óbvio: Comprar. No dia 27, preparo-me, com alta probabilidade, para lucrar 90 unidades monetárias em cada título. Imaginem agora que, para o contrato "Percentagem de votos do Partido Socialista nas próximas eleições legislativas", a cotação é 50. Eu não sei bem o que vocês fariam, mas se fosse a vocês Vendia tudo o que tivesse disto em carteira antes que o valor baixe para algo mais realista. E se baixar até 20? Bem, comprem outra vez que é quase certo que vão fazer mais valias.

Logo, não é preciso esperar pelo resultado das eleições para ir realizando capital. Vendendo caro aquilo que comprei barato, vou lucrando. E se houver um contrato especialmente atraente no mercado ("Percentagem de votos da CDU nas próximas eleições legislativas" cotado a 2, por exemplo), reinvisto e sei que tenho alta probabilidade de lucrar. Acompanhando as cotações, comprando contratos cujo valor me pareça baixo (e tenha tendência a subir) e vendendo contratos cujo valor me pareça alto (e tenha tendência a descer), vou realizando ganhos e evitando perdas. Simples.

O resultado final disto é que cada contrato vai ter, ao longo do tempo, cotações que resultam do encontro entre os Vendedores e os Compradores. Quantidades e preços são oferecidos ou pedidos e com isso se fazem os preços de transacção. Essas cotações exprimem, a cada momento, a agregação das expectativas dos participantes no mercado. E cada contrato tem um ranking, onde se mostram os participantes que foram realizando melhores palpites sobre a valorização ou desvalorização dos contratos.

Saber mais? A Wikipedia tem uma entrada que me parece muito boa sobre o tema. Há blogues sobre o assunto: Midas Oracle, Oddhead, Usable Markets e muitos outros. Vários livros: de James Surowieki (The Wisdom of Crowds), Robert Hahn (Information Markets: A New Way of Making Decisions) e do ecléctico Cass Sunstein (Infotopia: How Many Minds Produce Knowledge). E uma revista: The Journal of Prediction Markets.

Mas em Portugal não há, pois não? Bem...

by Pedro Magalhães

Resultados e deputados.

Posted September 14th, 2009 at 4:31 pm4 Comments

Já falei aqui uma vez por outra da maneira como se pode passar de resultados de uma sondagem nacional para projecção de deputados de forma relativamente simples. Julgo ser esta a forma como, no Expresso e na SIC Notícias, se fez esse exercício. Mas convém notar uma coisa: nesse exercício, são atribuídos 5 deputados a Vila Real, 10 deputados a Coimbra,

by Pedro Magalhães

Eleições na Alemanha

Posted September 14th, 2009 at 11:09 am4 Comments

No dia 27 de Setembro haverá outras eleições legislativas: na Alemanha. Para acompanhar as sondagens de lá, nada melhor que esta página do Spiegel Online. Mas quem quiser os números em bruto, pode também ir aqui. As coisas estão com bom ar para uma coligação CDU-CSU/FDP.

by Pedro Magalhães