Pedro Magalhães

Margens de Erro

Europeias. Marktest, 27-30 Maio, N=807, Tel.

Posted June 4th, 2009 at 12:24 am4 Comments

PSD: 32,5%
PS: 29,4%
BE: 8,9%
CDU: 8,9%
CDS-PP: 3,3%

É o que sei para já, na base desta notícia. Excitante, não? Claro que voltamos ao "empate técnico", ideia que, volto a dizer, é preciso confirmar quando soubermos a dimensão real da sub-amostra na base da qual estas percentagens são estimadas (ainda não sei qual é, mas não é 807, certamente). Mas é a primeira sondagem que coloca o PSD à frente, e isso pode não ser irrelevante, porque pode sugerir uma tendência. Mas com mais dados poderemos olhar melhor para isso. Agora ainda é cedo.

Sei que sou fastidioso, mas recordo, a propósito de uma notícia no Público: se de facto o PSD subiu nos últimos dias, isto não "confirma uma tendência" prévia (indetectável na base dos dados anteriores). E a habitual frase "Se as eleições europeias fossem hoje o [partido x] venceria o escrutínio" está mesmo a pedir inclusão no capítulo no Livro de Estilo do Público intitulado "Frases que constituem justa causa para despedimento".

A soma dá 83%, pelo que presumo que haja 17% de votos noutros partidos, brancos e nulos. Mas rectificarei caso se verifique não ser assim. Obrigado ao leitor que me avisou em comentário no post abaixo.

by Pedro Magalhães

Meios de campanha

Posted June 3rd, 2009 at 12:42 pm4 Comments

E já agora, repost de outro tweet da manhã:

"Para mim, que estou muito longe destas realidades, esta peça do Público sobre os meios de campanha é impressionante: http://tcp3.com/j1kz"

by Pedro Magalhães

Previsão modelo Hix/Marsh para Portugal

Posted June 3rd, 2009 at 12:06 pm4 Comments

Passo para post uma informação que mandei num tweet hoje de manhã e que me reapareceu num comentário abaixo:

Previsões actualizadas modelo Hix/Marsh para Portugal:

PS: 35% (9);
PSD: 30% (7);
BE: 11% (2);
CDU: 10% (2);
CDS-PP: 8.5% (2)

by Pedro Magalhães

Impressões de campanha, 2

Posted June 3rd, 2009 at 10:13 am4 Comments

Já expliquei que não percebo nada de campanhas políticas, mas, inconsciente, insisto. Num post anterior, expressei uma certa estranheza pelo facto da campanha do PS ser tão despersonalizada, tão insistente no tema "Europa" em desfavor da luta política doméstica e por um Vital Moreira tão diferente, na sua apresentação pública, daquilo que se lhe conhece. Logo me explicaram que a coisa tinha toda a lógica e que o PS só tinha a ganhar em diferenciar-se desta forma.


Bem, o curioso é que a campanha do PS, nos tempos mais recentes, consistiu em ataques a Manuela Ferreira Leite, associações do PSD à "roubalheira do BPN" e ataques à "direita conservadora" e à "esquerda radical". Talvez o PS tenha percebido

by Pedro Magalhães

Voto obrigatório

Posted June 1st, 2009 at 1:02 pm4 Comments

O facto de se erigir a liberdade individual como único e exclusivo princípio em torno do qual se deve organizar a delegação de poder dos cidadãos em representantes numa democracia (ignorando os restantes princípios básicos, a saber, igualdade política e capacidade de controlo dos representantes) e querer sempre terminar por aí qualquer discussão é bastante revelador da cultura política de um certo tipo de liberalismo.

P.S. - Caro João. Quem apanhe esta discussão a meio fica a pensar que eu defendi o voto obrigatório no artigo do Público. Não defendi, pelo contrário, como certamente reparou. Mas escrevi um parágrafo no texto sobre a discussão do tema num plano meramente normativo, simplesmente para dizer que a discussão é muito difícil de resolver nesse plano, e que de todo se pode resolver numa penada, como esta sua penada que critiquei neste post. Só para dar um exemplo, consentir que apenas algumas pessoas votem (e outras não) pode ser visto como algo que colide com a igualdade política, se acreditarmos que há obstáculos económicos e sociais ao voto que um regime democrático deve tomar em conta e resolver (ver aqui, aqui ou aqui). E note que eu nem sequer disse que concordo com esta segunda visão. O que procurei fazer foi dizer que, num plano meramente normativo, a questão é muito mais difícil do que é sugerido pelo seu post inicial, e que podemos tomar um atalho: questionar, do ponto de vista empírico, as pressuposições sobre os efeitos do voto obrigatório daqueles que o defendem no plano dos princípios.

by Pedro Magalhães

Tendências?

Posted May 31st, 2009 at 12:34 pm4 Comments

Políticos e comentadores têm falado de "tendências" nas sondagens para as europeias. Como procurá-las? Uma maneira possível é tirar partido do facto de quatro dos cinco institutos de sondagens já terem realizado mais do que uma sondagem em momentos diferentes no tempo. O quadro seguinte mostra a diferença, para cada partido e cada instituto, entre a sondagem mais recente e a sondagem anterior, na base do quadro mostrado no post anterior:



Nem me arrisco a fazer qualquer tipo de afirmação sobre isto, a não ser para vos dar um elemento adicional. Há um teste estatístico sobre a diferença de proporções entre duas amostras independentes (ver aqui, por exemplo). Se o fizermos, para as duas sondagens de cada instituto e para cada partido, e tomando em conta as dimensões das sub-amostras, só quatro dessas diferenças emergem como estatisticamente significativas a 95%:

- 3 na Intercampus: BE (-), CDS-PP (-) e OBN (+);
- 1 na Aximage: OBN (+).

by Pedro Magalhães

Europeias, Ponto de Situação

Posted May 31st, 2009 at 8:46 am4 Comments

Sondagens divulgadas até ao momento:



Média ponderada das sondagens realizadas até ao momento e teste de significância das diferenças entre partidos:

by Pedro Magalhães

Taxas de resposta

Posted May 31st, 2009 at 7:48 am4 Comments

Seguindo um link colocado num comentário a uma mensagem abaixo, cheguei a este interessante post. Uma das questões levantadas tem a ver com as taxas de resposta anormalmente altas que são reportadas nas fichas técnicas de algumas sondagens.

Note-se que a taxa de resposta em entrevistas telefónicas corresponde à proporção de entrevistas completas sobre a soma das seguintes parcelas:

1. Entrevistas completas
2. Entrevistas iniciadas mas não completadas;
3. Recusas;
4. Casos em que não se estabeleceu contacto com a pessoa que deveria responder;
5. Outros casos em que a pessoa que deveria ter sido inquirida não o pôde ser (falecido, incapaz de responder por razões físicas ou psíquicas, problemas linguísticos, etc.);
6. Casos em que não se conseguiu apurar se o nº de telefone seleccionado corresponde a um domicílio;
7. Casos em que o nº de telefone esteve ocupado nas várias tentativas.
8. Casos em que não se conseguiu determinar se no domicílio existe um membro do universo.

É evidente, para quem saiba um mínimo sobre como este tipo de sondagens correm realmente, que a divisão do valor 1 sobre a soma dos valores 1 a 8 nunca dá 0,85, ou seja, não há taxas de resposta de 85% em inquéritos deste género. Logo, uma das coisas com que a ERC se deveria preocupar, a meu ver, seria garantir que todos os institutos usam, nas suas fichas técnicas, a mesma definição do que é uma taxa de resposta, porque pelos vistos não o estão a fazer. Estarão, provavelmente, a relatar uma taxa de cooperação, que é simplesmente o rácio do valor em 1 sobre a soma dos valores 1 a 3 (na sua versão mais "benévola"). O que significa também que, enquanto não houver convergência de critérios, ninguém vai dar a taxa de resposta (ninguém está disposto a fornecer valores reais de 10-30% para que eles sejam - ilegitimamente - comparados com valores de 85%).

Isto é especialmente importante para as sondagens que usam amostragem aleatória porque, como se diz no post que mencionei inicialmente, é assim que se mostra em que medida a amostra obtida se desvia da presunção de que todos os seus elementos resultaram de uma selecção dos membros do universo com igual probabilidade.

by Pedro Magalhães

Coisas que me chegam pelo Google Alerts

Posted May 30th, 2009 at 7:12 am4 Comments

Desopilar, 2

Posted May 30th, 2009 at 6:43 am4 Comments

"Não houve uma única eleição em que eu tivesse participado em que as sondagens não tivessem apresentado para o CDS piores resultados do que os votos em urna."

Somos então obrigados a chegar à conclusão que o deputado Nuno Melo não participou nas eleições legislativas de 2005, onde teria alegadamente sido eleito pelo círculo de Braga.

by Pedro Magalhães