Pedro Magalhães

Margens de Erro

Dois a mais

Posted May 2nd, 2009 at 9:44 pm4 Comments

Um senhor chamado António Carlos Monteiro, que parece que é deputado e já foi Presidente do Conselho de Administração da EMEL, "vereador a meio tempo na CML" e "docente na Universidade Moderna" (ena) esteve há momentos na RTP-N a dizer que, nas últimas regionais dos Açores, o CDS-PP teve o dobro dos votos que aquilo que uma sondagem da Católica previa. Para quem estiver a ver, queria só informar que não faço ideia do que está este senhor a falar. Por um lado, o CESOP/Católica não conduziu qualquer sondagem antes do dia das eleições nos Açores. Por outro lado, na sondagem à boca das urnas, o CESOP estimou que o CDS-PP teria um valor entre 7 e 9 por cento. Teve 8,7%. No Twitter, há outra pessoa - ou será a mesma - que acha que uma mentira repetida muitas vezes se torna verdade.

Ainda bem que eu sei que o CDS-PP não é só isto. Caso contrário, ficaria a pensar que 2% de votos eram dois a mais.

by Pedro Magalhães

Sondagens, esta e as outras

Posted May 2nd, 2009 at 2:18 pm4 Comments

No post abaixo, há perguntas e respostas. Quero apenas esclarecer dúvidas, mas é inevitável que, perante certos comentários, passe à defensiva (ou, como neste caso mais infeliz, mais à ofensiva). Mas não deixem que o facto de estar a explicar (e num certo sentido, claro, "defender") a sondagem faça com que percam a bola de vista. E a bola, para esta sondagem como para todas as outras, é esta:

1. Uma sondagem é só uma sondagem. Precisamos de mais para perceber se o que aqui aparece estará a captar algo real ou será fruto de erro aleatório ou outro problema qualquer. Os resultados do PS e do PSD parecem-me muito congruentes com o que ando a dizer sobre isto há algum tempo. Mas claro que estou surpreendido com os resultados da CDU e do CDS-PP. Surpreendido, mas não disposto a trocar estes resultados por "intuições" ou outras "crenças".

2. Esta sondagem, apesar de, do ponto de vista temporal, estar a uma distância curta das eleições, está, pelos vistos, para os eleitores, a uma distância mental imensa. Quando mais de 80% das pessoas recenseadas não sabem que são os cabeças de lista do PS ou do PSD, e quando mesmo entre os simpatizantes de cada partido, os valores são superiores a 70%, isto significa que há muito muito caminho para percorrer.

by Pedro Magalhães

Europeias. CESOP/Católica, 25-26 Abril, N=1244, Presencial.

Posted May 1st, 2009 at 8:57 pm4 Comments

PS: 39%
PSD: 36%
BE: 12%
CDU (PCP-PEV): 7%
CDS-PP: 2%
Outros: 2%
Branco/nulo: 2%

Mais detalhes aqui.

by Pedro Magalhães

Porto. Eurosondagem, 22-24 Abril, N=721, Tel.

Posted April 30th, 2009 at 9:11 am4 Comments

PSD/CDS-PP: 46,4%
PS: 34,8%
CDU: 7,6%
BE 7,4%
OBN: 3,8%

by Pedro Magalhães

Lisboa. Eurosondagem, 26-28 Abril, N=1025, Tel.

Posted April 30th, 2009 at 9:08 am4 Comments

PS: 38,3%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT: 31,1%
Cidadãos por Lisboa: 9,6%
CDU:8,0%
BE:6,1%
OBN:6,9%

by Pedro Magalhães

Legislativas. Marktest, 14-19 Abril, N=803, Tel.

Posted April 29th, 2009 at 1:52 pm4 Comments

PS: 36,2% (36,7%)
PSD: 26,4% (28,4%)
BE: 13,6% (12,6%)
CDU: 11,2% (8,9%)
CDS-PP: 8,3% (9,4%)
OBN: 4,3% (4,0%)

Aqui (via Eleições 2009).

by Pedro Magalhães

EU Profiler

Posted April 26th, 2009 at 8:22 am4 Comments

Aí está o EU Profiler. Há semelhanças com instrumentos anteriores, como o Political Compass, o Moral Politics ou o Political Matrix. Mas a diferença aqui, tal como no original KiesKompas ou no Smartvote, é que a aplicação está explicitamente concebida não para posicionar ideologicamente o inquirido em abstracto, mas sim para conciliar isso com o que se passa num contexto eleitoral concreto. Há partidos ou candidatos, esses partidos e candidatos têm posições, e o que a aplicação faz é comparar as posições dos inquiridos com as dos partidos. O sucesso disto na Holanda e na Bélgica tem sido brutal: mais de 10% dos eleitores reportam, em inquéritos pós-eleitorais, ter recorrido a uma voter advice application.

Normalmente, estas aplicações presumem a existência de duas dimensões: uma de "esquerda/direita" socioeconómica e outra de "conservador/progressista" no domínio dos valores sociais. O EU Profiler assume que estes temas escalam numa mesma dimensão e transformam a segunda numa dimensão pró-anti Europeia. Percebo a ideia, tendo em conta que as eleições são europeias e que é preciso dar peso a esse aspecto. Mas na verdade, a dimensão pró-anti Europeia tende a escalar com o conservadorismo-progressismo: "support for European integration tends to be high among parties that can be characterised as Green/Alternative/Libertarian (GAL) and low among parties that rather qualify as Traditional/Authoritarian/Nationalist (TAN)". Logo, pode haver aqui um problema.

Outra dificuldade é que, apesar do esforço louvável para tornar o inquérito mais próximo de cada contexto eleitoral e de permitir que sirva como "voting advice", a verdade é que todas as respostas continuam a ser medidas numa escala "abstracta" esquerda/direita ou pró/anti integração. Assim, eu percebo que se pergunte, por exemplo, pelo referendo europeu. Mas tenho dúvidas sobre como se codificam as respostas: ser-se pelo uso do referendo é ser-se pró ou anti-integração? Da mesma forma, questões sobre o TGV ou a regionalização ajudam a que nos aproximemos de conflitos políticos concretos, mas como se codificam as respostas numa escala esquerda/direita?

Numa ou noutra perguntas, a tradução poderia estar melhor (o que significa "tornar a imigração mais restritiva"?) mas enfim. Dito tudo isto, parece-me bom nesta aplicação, apesar de tudo, o esforço de contextualização, a preocupação com medir a saliência de cada tema para as pessoas, o esforço em documentar o posicionamento dos partidos com textos de programas, moções e declarações públicas, e a flexibilidade da ferramenta (permitindo comparações focalizadas). E uma declaração de interesses: estou neste momento a trabalhar com outras pessoas na possibilidade de adaptar esta aplicação para as eleições legislativas. Todos os comentários e opiniões que nos façam chegar sobre o EU Profiler são bem vindos.

by Pedro Magalhães

Autárquicas, Lisboa. Aximage, 21-23 Abril, N=600, Tel. (revisto)

Posted April 25th, 2009 at 7:04 pm4 Comments

PS:36,1%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT:29,6%
CDU:8,4%
Cidadãos por Lisboa: 7,1%
BE:3,8%

Aqui. A notícia não diz quantos dos restantes 15% são votos brancos, nulos, noutros partidos ou indecisos.

P.S.- Um amigo fez-me chegar os resultados completos. Aqui vão:

Com indecisos:
PS:36,1%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT:29,6%
CDU:8,4%
Cidadãos por Lisboa: 7,1%
BE:3,8%
OBN: 5,2%
Indecisos: 9,8%

Redistribuição proporcional:
PS:40%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT:32,8%
CDU:9,3%
Cidadãos por Lisboa: 7,9%
BE:4,2%
OBN: 5,8%

by Pedro Magalhães

Europeias. Intercampus, 17-22 Abril, N=1201, Tel.

Posted April 25th, 2009 at 12:07 am4 Comments

PS: 34%
PSD: 33,5%
BE: 18%
CDU: 7,9%
CDS-PP: 6,9%

Aqui. A soma disto é 100,3%, pelo que, pelos vistos, na redistribuição, se terá presumido que não há votos noutros partidos, nem em branco, nem nulos.

Uma sondagem é só uma sondagem, mas como esta é a única até agora, o melhor, por isso mesmo, é -la em perspectiva. Se os resultados acabassem por ser estes, estariam em linha com as previsões aqui para o PSD, mas mais longe para os outros partidos. E seriam muito maus para todos os partidos menos o BE. O PS só teve resultados piores em eleições europeias em 1987 e 1989. Um partido de governo só teve resultados piores que estes em 1989 e 2004. O PSD só teve resultados piores em 1989 e 2004. A CDU nunca teve menos de 9%. E o CDS-PP, sozinho, nunca teve menos de 8%.

5ª feira há mais.

by Pedro Magalhães

Uma teoria da dissonância cognitiva

Posted April 21st, 2009 at 2:20 pm4 Comments

Como não pude ver o Prós e Contras de ontem, fui tentar saber o que se passou aqui. Mas descubro que, afinal, a sucessão de comentários é uma bela homenagem a este livro.

by Pedro Magalhães