Pedro Magalhães

Margens de Erro

Começa bem

Posted March 22nd, 2009 at 9:05 am4 Comments

"As sondagens são uma coisa e o que o povo pensa é outra."

Elisa Ferreira, em entrevista ao Correio da Manhã.

by Pedro Magalhães

Menções de políticos na imprensa, 2

Posted March 20th, 2009 at 4:48 pm4 Comments

by Pedro Magalhães

Menções de políticos na imprensa

Posted March 20th, 2009 at 1:37 pm4 Comments

O Abrupto mostra um exercício interessante enviado por um leitor: uma pesquisa no DN pelas expressões "passos coelho" e "ferreira leite", revelando que, para a primeira, existem 2826 resultados, enquanto que, para a segunda, apenas 1308.

Fiquei a pensar por que razão nunca me teria lembrado disto, e comecei logo a congeminar um quadro comparativo para os vários jornais que permitissem essa pesquisa. Contudo, quando fui ao DN, aconteceu-me isto (pesquisas no motor de busca da página de abertura, expressões entre aspas, aspas essas que não sei se estão a funcionar, dado desaparecerem dos resultados da pesquisa):



Passos Coelho, 2826 resultados; Ferreira Leite, 9008. Ora bolas. Mas continua a ser interessante. Seria óptimo se houvesse maneira de obter estes dados de forma realmente fiável, em série temporal, e jornal a jornal. As empresas de recortes não terão isto? Os agregadores de notícias não permitirão este tipo de análise?

by Pedro Magalhães

Dia do Pai

Posted March 19th, 2009 at 3:25 pm4 Comments




by Pedro Magalhães

Greenberg, on solicitousness about public opinion.

Posted March 18th, 2009 at 12:44 pm4 Comments

"When you look at all of these leaders, you begin to realize, as you look across them, that they worked to be in tune with the public (...), they are reporting back on progress, they're engaged with people and trying to mobilize them at various times. They are trying to bring pressure on others, they're trying to educate people, they are trying to persuade, you know, and move people. And so, what is characteristic of these leaders, you know, was a solicitousness about public opinion, a sense of responsibility to educate and engage, which made them much more effective, in my sense made them more democratic leaders that produced an healthier society and healthier outcomes. (...) And that contrasts...what brought it home to me, more than anything, was George Bush and Vice-President Cheney. Cheney in particular. When asked by a reporter about, when we was in Iraq, noting that two-thirds of the American people thought the Iraq War was a mistake, and what he thought of that. And he paused, and his response was 'So?'. He said 'We don't drive our mission from focus groups and polls.' Maybe if they thought that part of their responsibility as leaders was to try to persuade, and engage, and educate, maybe they would have pursued different kinds of policies as they went forward."

by Pedro Magalhães

Greenberg, again.

Posted March 18th, 2009 at 11:20 am4 Comments

"Voters want their pound of flesh. You ran, you said you were going to do certain things... every one of these people [Blair, Clinton, Barak, Losada, Mandela] had immense difficulties doing what they said they were going to do. Either because they overpromised, because the economy turned out to be much tougher, the budgets had to be more austere, there were other power centers that came into play, they were not as strong as they thought they were, they were not as united as they thought they were ... all of them had trouble succeeding. So all of them faced a kind of renegotiation with the voter. And voters are willing to listen, if there's reality."

Podcast de conferência na Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce (RSA) , 3 de Março de 2009, a propósito de Dispatches from the War Room.

by Pedro Magalhães

Stanley Greenberg

Posted March 17th, 2009 at 3:18 pm4 Comments

"I begin with a respect for voters, and viewed my work, from the beginning, first as an academic and then as a political pollster in campaigns, as trying to figure out how to get leaders to respect people, how to make leaders more responsive, how to make them, ultimately, more accountable. The problem is that I'm now a pollster, a close cousin to spin-doctor, which has the profession, in American terms, of making shit shine. Of making things the opposite of what they are, manipulating, making reality...making reality seem the opposite of what it is. And so, the danger - and which I take as real, I didn't write this book as a defense of my profession or what I do - my starting point is that I'm not sure that the tools that I developed to make leaders more accountable to voters aren't in fact making leaders less accountable. I was particularly focused, as I wrote this book, on the United States, where there is building, building evidence of leaders holding on to power despite being out of touch with voters on an extraordinary range of issues. Leaders growing more arrogant, seeming they can avoid accountability. And my techniques are not a small part of the process of avoiding accountability. So my starting point is, am I in fact making the problem worse than I set out to solve?"

Podcast de conferência na Royal Society for the encouragement of Arts, Manufactures and Commerce (RSA) , 3 de Março de 2009, a propósito de Dispatches from the War Room.

by Pedro Magalhães

Contem-me como foi.

Posted March 16th, 2009 at 5:30 pm4 Comments

Colaboro com o Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Católica desde 1999. A partir do momento em que fiquei responsável pelas sondagens políticas, comecei a arquivar os resultados. O que mostro de seguida são as estimativas de resultados eleitorais desde essa altura, nas sondagens do CESOP/Católica, para o PS e o PSD, até à mais recente sondagem (Dezembro de 2008). São 29 sondagens, em regra trimestrais, mas cuja regularidade foi por vezes perturbada por razões de calendário eleitoral (das legislativas - maior regularidade - e de outras eleições - impondo maior espaçamento) e outros condicionalismos. As linhas de referência verticais são as eleições, com os respectivos resultados.

Se coloco aqui isto é porque me suscita uma questão muito simples. Para alguns, a resposta vai ser fácil: as sondagens não prestam, ou têm dificuldade em captar determinado tipo de eleitores em períodos longe das eleições, etc e tal. Tudo bem. Sinceramente, não excluo, mas gostava de perceber que argumentos existem. Mas para outros, a questão permanece: como foi que uma coisa destas aconteceu ao PSD?

P.S.- Por aqui a discussão vai boa.

by Pedro Magalhães

Mais gráficos

Posted March 13th, 2009 at 11:25 am4 Comments

Há dias, numa apresentação que fiz no Museu Biblioteca República e Resistência, num ciclo organizado pelo ICSTE, mostrei uns gráficos. Há dois que gostava de mostrar aqui.


O primeiro mostra a soma das percentagens de votos válidos obtidos pelo PS e pelo PSD em cada eleição. Em 1979 e 1980, a votação do PSD é estimada como uma proporção do voto na AD, calculada na base da média dos resultados PSD, CDS e PPM nas eleições imediatamente anteriores e posteriores. E para 2009, os 67% são a estimativa das sondagens para Março de 2009, controlados "house effects". O que o gráfico diz é simples: se as eleições fossem hoje (eu sei, eu sei), PS e PSD teriam, no seu conjunto, o pior resultado desde as eleições de 1985.

O segundo gráfico repete esta informação mais adiciona uma série, a da soma dos votos válidos nos candidatos presidenciais apoiados pelo PS e pelo PSD (1º volta, quando houve duas). Exclui, no entanto, todas as eleições presidenciais onde o Presidente se apresentou a reeleição, por terem características muito diferentes.

Há uma "teoria" sobre a bipartidarização em Portugal que a vê como efeito das presidenciais, ou seja, como efeito da constituição de dois "blocos" em torno de dois principais candidatos, que ajudaria a cristalizar os votos em torno dos dois principais partidos. A "teoria" inversa - bipartidarização concentra votos nos candidatos dos dois principais partidos - é igualmente plausível e, confesso, nem sei bem por onde começaria para testar uma ou outra como deve ser. Mas a observação das duas séries é, digamos, sugestiva. Até para pensarmos em como as presidenciais de 2006 podem ter ajudado a "soltar" eleitores do PS...

by Pedro Magalhães

A popularidade de Sócrates

Posted March 12th, 2009 at 11:38 am4 Comments

Eduardo Pitta comenta a peça do Público sobre a evolução da popularidade do PM, questionando-se sobre a fonte que os leva a dizer que Sócrates está em terreno negativo desde Maio de 2007.

Mesmo não tendo responsabilidades na peça, vamos ver se posso ajudar:

1. Os dados são da Marktest. Isso é mencionado no jornal. O gráfico do Público há-de ser muito parecido, por exemplo, com este que aqui publiquei, no que a Sócrates diz respeito, a não ser que me parece que o Público se limita a calcular o saldo "opiniões positivas" - "opiniões negativas", e eu corrijo esse saldo pelas não respostas.

2. É também verdade aquilo que Eduardo Pitta afirma: nos estudos da Eurosondagem divulgados no Expresso, na RR e na SIC, Sócrates está em terreno positivo.

3. De notar, contudo, que a comparação entre os resultados de um e outro instituto é complicada pelo facto de a Eurosondagem ter uma opção adicional de resposta: "nem boa nem má". Mas como venho mostrando aqui há muito tempo, isso não explica tudo. Os resultados da Eurosondagem para o PR exibem tendências muito semelhantes às da Marktest, mas não tanto no caso do PM. isto não é um juízo sobre quem "tem razão". Não faço ideia. É uma constatação de facto.

4. Eduardo Pitta já não tem razão quando diz que "a afirmação dos jornalistas contradiz todas — repito: todas — as sondagens encomendadas e divulgadas até hoje pelo próprio Público, pelo DN, pelo Correio da Manhã, pelo JN, pelo Expresso, pela RTP, pela SIC, pela TVI, pela Rádio Renascença, pela TSF, pela Visão, pela Sábado, etc."

4.1 Nas sondagens do CESOP/Católica, onde os líderes políticos são avaliados de outra forma - numa escala de 0 a 20 - Sócrates está, há algum tempo, em terreno negativo no que respeita à avaliação média dos eleitores (abaixo de 10 pontos). Em Janeiro de 2007, essa avaliação média era de 10,2 pontos. Em Maio de 2007, ainda 10,1. Mas em Outubro de 2007 já estava em 8,9, em Fevereiro de 2008 era de 9,3, em Julho de 2008 era 8,5, em Outubro de 2008 era 8,4, e em Dezembro passado 8,8. Logo, apesar dos indicadores serem diferentes, os resultados do CESOP (JN, RTP e Antena 1) são congruentes com os da Marktest, quer no momento da queda (após Maio de 2007) quer na ideia de uma recuperação ligeira após Outubro de 2008.

4.2 Os resultados do CESOP/Católica têm exibido bastantes semelhanças com os da Aximage, que usa o mesmo método: nota média de 0 a 20.Não tenho recolhido a série completa, mas para infirmar aquilo que Eduardo Pitta diz sobre as "outras sondagens" basta dizer que, em Dezembro passado, por exemplo, a média das avaliações de Sócrates na sondagem Aximage era 8,8 (tal como na sondagem da Católica).

5. Nada disto impede que a maioria dos eleitores tenha mais confiança em Sócrates como PM do que qualquer outro líder partidário, um dado que Eduardo Pitta também menciona e que é muito importante. Mas isso é outra questão.

by Pedro Magalhães