Pedro Magalhães

Margens de Erro

"Porque não telefonam para os telemóveis também?"

Posted February 6th, 2009 at 12:12 pm4 Comments

Pergunta-se num comentário. Aqui vai:

1. Custos de comunicação, tornando certo tipo de trabalhos economicamente inviáveis (tudo o que for sondagens para os media, por exemplo);
2. Perda da informação territorial que (por enquanto) ainda está associada aos números fixos. Há maneira de tentar resolver (obter a informação de residência na própria chamada) mas aí o ponto anterior ainda fica mais complicado.
3. Grande número de números válidos (com cartões SIM activados) mas sem utilização real (telefones desligados), provocando mensagens de voice mail, obrigando a novas tentativas durante o trabalho de campo que vão ser inevitavelmente fracassadas.
4. Falta de confiança nos dados sobre o universo. As estimativas dos domicílios cell-only em Portugal oscilam entre os 15% e os 48% (!!!).
5. A unidade de amostragem numa sondagem telefónica convencional é o domicílio, dentro do qual se selecciona aleatoriamente um indivíduo pertencente ao universo; a unidade de amostragem numa sondagem através de móvel é o indivíduo. Isto seria resolúvel se o ponto 4 não fosse o que é.

Acho que é isto. Não é por acaso que, até nos Estados Unidos, a utilização de telemóveis para sondagens políticas a sério só começou este ano e ainda a um nível algo experimental.

by Pedro Magalhães

Mesma sondagem, títulos diferentes.

Posted February 6th, 2009 at 10:14 am4 Comments

Eurosondagem, 28 Jan-3 Fev, N= 1025, Tel.

Posted February 5th, 2009 at 11:34 pm4 Comments

PS: 40,3%
PSD: 29,1%
BE: 10,1%
CDU: 8,8%
CDS-PP: 6,9%
OBN: 4,8%

Aqui (obrigado @rfam)

by Pedro Magalhães

Perspectiva

Posted February 5th, 2009 at 2:31 pm4 Comments

Só para pôr as coisas em perspectiva, os resultados de uma sondagem CESOP/Católica de Maio de 2007, comparados com a sondagem recente sobre o caso Freeport:

Com que interesse tem acompanhado ...?
Muito ou algum interesse:
- Caso Univ. Independente (2007): 44% (em relação ao total da amostra)
- Caso Freeport (2009): 49% (em relação ao total da amostra, e não apenas em relação aos que dizem ter ouvido falar do caso).

Acha que José Sócrates esclareceu completamente as dúvidas que surgiram ou que ficaram ainda coisas por esclarecer?
Ficaram coisas por esclarecer:
- Caso Univ. Independente (2007): 62%
- Caso Freeport (2009): 51%

No seguimento desta controvérsia, a sua opinião sobre José Sócrates...
Piorou:
- Caso Univ. Independente (2007): 19%
- Caso Freeport (2009): 26%

by Pedro Magalhães

Telefónicas

Posted February 5th, 2009 at 11:46 am4 Comments

Há dias, no Twitter, o Gabriel Silva perguntava:

GabrielfSilva @PCMagalhaes 1a questão técnica (q há mto desejava fazer): as sondagens por telefone é só para fixo? Se sim, tal não distorce 1 bocadinho?...

Começo por dizer que sei muito menos sobre isto do que devia. O grosso do trabalho da Católica são presenciais, e os inquéritos académicos com que lido no ICS (European Social Survey, European Values Study, estudos eleitorais de vários tipos, etc) também, pelo que nunca fiz investigação própria sobre a matéria. Mas há algumas coisas que se podem dizer.

A primeira é que, segundo o INE, em 2008, havia 30% de alojamentos privados que não tinham telefone fixo. Isto significa um primeiro desvio sério em relação à pressuposição de amostragem aleatória da população: a probabilidade dos residentes em domicílios sem telefone fixo de serem seleccionados para responder às sondagens telefónicas que são feitas em Portugal sobre intenções de voto ou estudos políticos vários não é igual à dos restantes. É zero. Zero.

Isto é um problema? À partida, a resposta tem de ser sempre "Sim". É por isso os inquéritos académicos que servem de "golden standard" para a indústria são todos presenciais: se as pessoas que não vivem em alojamentos com telefone fixo forem sistematicamente diferentes das outras, todas as inferências que se façam da amostra para a população em geral vão estar enviesadas.

Contudo, na prática, as coisas podem não ser tão graves como se possa pensar:

1. Pode haver matérias em que aquilo em que a população que vive em alojamentos sem fixo é diferente da população sem fixo não esteja correlacionado com as variáveis de interesse.
2. A utilização de amostragem por quotas ou ponderação pós-amostral, dando à amostra características conhecidas do universo, pode ajudar a corrigir esses enviesamentos.
3. As vantagens das sondagens telefónicas- nomeadamente, um controlo muito mais apertado sobre o trabalho de campo do que nas presenciais - podem compensar as desvantagens.
4. As características socio-demográficas da população sem telefone fixo podem ser suficientemente heterogéneas para neutralizarem os enviesamentos causados. Por exemplo, há boas razões para supor que a população sem fixo combina população idosa e rural com população mais jovem e urbana (mobile-only).

Tudo isto são questões para investigar, coisa que não fiz. Nos Estados Unidos, onde até há uns anos toda a gente tinha fixo, o grande espectro hoje é a população "mobile-only". E apesar de toneladas de papel de investigação sobre o assunto, que relata diferenças significativas entre as diferentes populações, a causa dessas diferenças permanece um mistério. Em Portugal, julgo saber que há estudos de mercado que tratam esta população, e era bom haver estudos sobre o assunto. Não conheço nenhum.

No fim de tudo, diria o seguinte:
1. Resistiria sempre muitíssimo à ideia de fazer um estudo académico sobre atitudes e comportamentos sociais pelo telefone em Portugal.
2. Sou menos resistente à ideia de fazer estudos sobre intenções de voto e atitudes políticas pelo telefone, por uma razão simples: não existem diferenças significativas entre a precisão das sondagens, confrontadas com resultados eleitorais, ditadas pelo modo de inquirição (mas isto é para um objectivo muito concreto, ou seja, descrever opiniões políticos ou intenções de voto. Para investigação séria e "pesada" sobre causas de comportamentos políticos, acho as telefónicas, genericamente, inapropriadas).
3. Se as perspectivas futuras fossem a de um desaparecimento do fixo e aumento da população "mobile-only", estaria disposto a rever a posição 2. Mas felizmente para nós, os pacotes de comunicações, que incluem internet, cabo e telefone, podem ajudar a contrariar esta tendência.
4. Independentemente disto, há um espectro mais grave: as pessoas cada vez menos querem responder a sondagens. Mas isso é uma verdade para as presenciais e para as telefónicas. Hoje, taxas de resposta de 30% em estudos presenciais académicos, com montanhas de dinheiro, 5 ou 6 revisitas ao mesmo domicílio, etc, são consideradas óptimas. O estudo da Católica sobre o Freeport demorava três minutos a responder e teve uma taxa de resposta de 52%. A metade que responde é igual à metade que recusou ou não estava acessível? Não é. O grande problema, para mim, é este. Parece que a resposta do futuro é o chamado "multi-mode" ou "mixed-mode", ou seja, adoptar para um mesmo inquérito vários métodos de inquirição (postal, presencial, internet, telefónica) adaptados a cada população. A ver.

by Pedro Magalhães

Bach tocado por Gould, Vampire Weekend, enfim, mantendo uma certa coerência musical.

Posted February 5th, 2009 at 10:45 am4 Comments

by Pedro Magalhães

Bach, Vampire Weekend, enfim, mantendo uma certa coerência musical.

Posted February 5th, 2009 at 10:41 am4 Comments

by Pedro Magalhães

Mobile-only

Posted February 4th, 2009 at 2:44 pm4 Comments

No Twitter,

by Pedro Magalhães

Margens com menos erro.

Posted February 4th, 2009 at 8:14 am4 Comments

Não sei se já repararam na coluna do lado direito. Daqui até às eleições, o Luís Aguiar-Conraria vai também andar por estes lados. A ideia, claro, é espremermos os dados das sondagens eleitorais até ao tutano. Nem vai ser preciso ler a assinatura dos posts: se for disparate, é meu; se for inteligente, o mais provável é que seja dele.

by Pedro Magalhães

Finalmente, um fã.

Posted February 4th, 2009 at 8:08 am4 Comments