Pedro Magalhães

Margens de Erro

Mapas

Posted November 6th, 2008 at 1:22 pm4 Comments

Num comentário, pedem-se mapas não por estados mas sim por condados. Aqui, não há nada que não se faça pelos clientes:


Mais (e ainda melhores) mapas aqui.

by Pedro Magalhães

Apanhado geral

Posted November 6th, 2008 at 12:12 pm4 Comments

1. As sondagens estiveram bem. Os agregadores de sondagens ainda melhor. As previsões com modelos quantitativos também. Nate Silver é o maior.

2. Isto não implica necessariamente que não tenha havido Bradley effect. Mas implica que, se houve, foi neutralizado por outros factores.

3. A boa prestação dos modelos quantitativos, que, em geral, previam este resultado há muitos meses, também não implica que a campanha tenha sido irrelevante. Mas implica que os fundamentals são o primeiro sítio para onde olhar e que as flutuações de curto-prazo nas sondagens devem ser descontadas.

4. Essa prestação também não implica necessariamente que a raça tenha sido irrelevante para o voto. Mas em conjunto com a prestação de Obama junto dos eleitores brancos (que não foi nada má, em comparação com Kerry, por exemplo), põe o fardo da prova do outro lado.

5. A participação eleitoral voltou a aumentar, pela terceira eleição consecutiva. Quando se lembrarem de dizer que os Estados Unidos são um país de elevada abstenção, mordam a língua: por estes dias, Portugal não é muito diferente.

6. A participação dos jovens aumentou, mas pouco. O que aumentou mais foi a participação de jovens que votou em Obama. Entre os que têm menos de 30 anos, 66% votou em Obama. Há pelos menos 30 anos que não se via nada assim. O legado para o futuro pode ser importante.

7. Obama dominou entre as minorias étnicas, entre os mais pobres, entre os menos instruídos, mas também entre os mais instruídos. E esteve a par de McCain entre os mais ricos. Isto mostra fissuras nas bases sociais de apoio tradicionais dos Republicanos. E apesar de quer McCain quer Obama terem conseguido mobilizar bem aqueles que se identificam com, respectivamente, os partidos Republicano e Democrata, há cada vez menos "Republicanos", e os "Republicanos" estiveram mais desmobilizados nesta eleição. Curto prazo, ou legado para o futuro? A ver.

8. O declínio da imagem de McCain nas sondagens coincide com a crise financeira. Mas a crise financeira não teve grande impacto nas sondagens de intenções de voto propriamente ditas. Não vai ser fácil perceber isto, e muito menos tendo em conta que tudo isto também coincide com os debates e com o desencanto com Sarah Palin.

9. Não há sinais claros de que o mapa dos "estados vermelhos" e "estados azuis" tenha sido redesenhado. Pelo contário: as perdas e ganhos são uniformes. Simon Jackman já tinha avisado. A tese do grande "realinhamento" sofre aqui um bocadinho (talvez um bocadão).

by Pedro Magalhães

Para bushistas, clintonistas e palinistas, with love

Posted November 5th, 2008 at 1:50 pm4 Comments

Essas coisas do "saber perder" ou do "fair play" são tretas - como se pode ver por aqui ou por aqui - e só têm graça nos livros do P. G. Wodehouse. E o "saber ganhar" também é um atributo sobrevalorizado:


 "Nesta hora, guardo um pensamento para os adversários lusos de Barack Obama. Não os apoiantes de McCain (de que, aliás, só consegui recensear um), mas os bushistas, da primeira à última hora, e os clintonistas; a arrogância e o desdém com que trataram o candidato democrata e os seus apoiantes merecem ser recordados. Obama e os seus seguidores foram quase sempre tratados como pouco mais do que idiotas, patetas e crédulos. Os patamares de infantilismo argumentativo atingidos neste percurso conheceram exemplos notáveis – e que vão perdurar."

"No calor da noite, esqueci-me de saudar os bloggers portugueses que acolheram a designação de Sarah Palin para candidata a VP como uma escolha «brilhante» de John McCain. É esta argúcia que lhes tem valido darem hoje opinião em tudo quanto é jornal, estação de rádio ou canal de televisão portugueses. É o chamado «circo mediático». Embora eu não esteja certo de que esta expressão contenha alguma metáfora."

Aqui e aqui. Vale mesmo a pena ler tudo.

by Pedro Magalhães

Os limites do desportivismo

Posted November 5th, 2008 at 1:32 pm4 Comments




by Pedro Magalhães

Para digerir lentamente

Posted November 5th, 2008 at 6:12 am4 Comments

A página da CNN sobre as sondagens à boca das urnas. O mais interessante de tudo? A tabela sobre rendimento e voto, nomeadamente a irrelevância das diferenças entre McCain e Obama nos escalões mais altos.


P.S.- Andrew Gelman já tem uma primeira análise, assim do como do desempenho das sondagens pré-eleitorais. No Bradley effect, thank you very much.

by Pedro Magalhães

O fim da Guerra Civil

Posted November 5th, 2008 at 5:46 am4 Comments

And so it came to pass that on Nov. 4, 2008, shortly after 10 p.m. Eastern time, the American Civil War ended, as a black man — Barack Hussein Obama — won enough electoral votes to become president of the United States.

Finishing our Work, por Thomas L. Friedman.

by Pedro Magalhães

McCain

Posted November 5th, 2008 at 5:45 am4 Comments

Belo discurso.

by Pedro Magalhães

O meu estado portou-se bem

Posted November 5th, 2008 at 3:59 am4 Comments

Go Buckeyes!

by Pedro Magalhães

Vitória

Posted November 5th, 2008 at 3:56 am4 Comments

by Pedro Magalhães

Exit polls

Posted November 4th, 2008 at 5:59 pm4 Comments

(Corrigido)
No FiveThirtyEight, 10 razões para ignorar as sondagens à boca das urnas: diz-se o que eu tinha dito aqui, e muito mais.

Pergunta-se num comentário:
"A minha percepção é que as sondagens à boca da urna em Portugal tem sido mais precisas que as sondagens pré-eleitorais, embora todos nos lembremos de um ou dois casos em que falharam, como na segunda eleição de Guterres em que pelo menos uma delas previa a maioria absoluta. Há evidência que favoreçam a fiabilidade de um tipo de sondagens sobre as outras? A falta de credibilidade atribuída por este e outros blogues de sondagens (como o pollster) terá a ver com diferenças metodológicas?"

Algumas respostas em cima do joelho:
1. A percepção é correcta. Em abstracto, não pode deixar de ser assim. Uma sondagem à boca das urnas usa uma amostra muito maior que uma sondagem pré-eleitoral e mede comportamentos de votantes, não intenções de eventuais votantes.
2. O problema dos Estados Unidos começa por ser, claro, de exigência e escala. O que se pede como elemento informativo é uma boa estimativa do voto em cada um dos 50 estados (ou, no mínimo, dos 15 ou 16 estados mais competitivos), e não uma boa estimativa do voto popular no conjunto do país, ao contrário do que sucede em Portugal. Ainda por cima, quer-se sempre saber se há alguém que tenha mais um voto que qualquer um dos adversários em cada estado, e não se, digamos, o PS tem mais ou menos à volta de 43%. É muito difícil, e os recursos envolvidos são tão astronómicos que, nos EUA, há uma única sondagem à boca das urnas (e não três, como em Portugal).
3. Depois, há toda uma série de "trapalhadas" que nós podemos pura e simplesmente ignorar: early voting, antes de mais, assim como durações diferentes de abertura de locais de voto, regras diferentes de estado para estado, centenas de eleições diferentes a ocorrerem ao mesmo tempo (não se esqueçam que, em cada condado, se está a votar para muitas outras coisas para além do Presidente e diferentes umas das outras), etc, etc, etc.
4. Depois, o problema de recusa sistemática (ou de participação entusiástica) de um determinado tipo de eleitor ou outro, sendo também real em Portugal, parece ser, pelo que consigo perceber, muito menos grave (por enquanto).

Estou menos convencido com o ponto 1 dos argumentos de Nate Silver, ligado à amostragem. Claro que cluster sampling (onde só os indivíduos nos locais de voto seleccionados têm probabilidade de serem seleccionados) tem uma margem de erro maior que uma sondagem puramente aleatória (onde todos os eleitores têm a mesma probabilidade de serem seleccionados). Em rigor é mesmo assim e é por isso que os intervalos que cá se dão nas estimativas no fecho das urnas são maiores do que aquilo que seriam se as amostras fossem puramente aleatórias. Mas na prática, que sondagem acaba por ter uma amostra verdadeiramente aleatória? Nenhuma.

by Pedro Magalhães