Pedro Magalhães

House effects e outras coisas

No POPSTAR, actualização das estimativas de intenção de voto para cada partido, incorporando já a última sondagem da Aximage.

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Poderá parecer estranho que a integração de uma sondagem que tem como resultado uma vantagem de 0.2 pontos do PS sobre a coligação resulte numa nossa estimativa em que o PS tem 2 pontos de vantagem. Mas uma sondagem, apesar de ser a mais recente, é apenas uma sondagem, e não podemos ignorar toda a informação anterior. Nos dois estudos imediatamente anteriores, o PS aparece com, respectivamente, 2 e 5 pontos de vantagem. Tudo ponderado, a nossa estimativa aponta neste momento para 37.4% para o PS e 35.4% para a coligação Portugal à Frente.

Outra coisa que poderá parecer estranha é que haja sondagens que colocam as duas principais listas num quase empate e outras com uma vantagem significativa para o PS. Mas essa dispersão pode ser em grande medida explicada por diferenças sistemáticas entre os resultados apresentados por diferentes empresas (“house effects”, no jargão destas coisas). Porque as empresas usam diferentes métodos – diferentes maneiras de constituir uma amostra, de contactar os membros dessa amostra, de formular e colocar as perguntas, de lidar com eventuais distorções da amostra em relação ao que se julga ser a composição do eleitorado, de ponderar as opções de diferentes pessoas com diferentes propensões para votar, etc, etc, etc – é natural que os resultados que produzem tenham alguma diferença sistemática. Olhemos, por exemplo, para as sondagens mais recentes da Eurosondagem e da Aximage (há outras, cujos resultados também integramos, mas são menos frequentes):

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É fácil perceber que há algo nas sondagens da Eurosondagem e da Aximage que levam a que a coligação apresente resultados sistematicamente menores numas do que noutras. Já no PS essas diferenças são bem menores. É muito difícil apurar as causas desta diferença, porque as suas explicações possíveis são demasiadas para a informação de que realmente dispomos.

Outra coisa que o quadro poderia ajudar a perceber seria a tendência das intenções de voto quando olhamos isoladamente para uma e outra empresa, “controlando”, por assim dizer, os tais “house effects”. Mas aqui temos também algumas dificuldades. Primeiro, as subidas e descidas desde Maio não são muito expressivas. É certo que há um consenso entre Aximage e Eurosondagem – a coligação parece ter subido desde Maio até hoje – mas essa subida atinge o seu máximo na Eurosondagem: 1 ponto percentual. Segundo, há uma matéria sobre a qual não há de todo consenso: a tendência do PS e da vantagem deste sobre a coligação. Na Aximage, o PS também está a subir desde Maio, o que faz com que a vantagem sobre a coligação seja também estável nesta empresa (a seta para cima no quadro não tem qualquer significado estatístico). Na Eurosondagem, o PS está a descer, assim como a sua vantagem sobre a coligação. Quem terá razão?

Na verdade, o esforço para extrair tendências de tão poucas sondagens, e ainda por cima quando essas tendências são nalguns casos divergentes, nunca poderá produzir grandes conclusões. O retrato geral desde Maio até hoje é, afinal, de grande estabilidade nas duas listas com maiores intenções de voto, com mais oscilações na coligação PSD/CDS-PP (mas fundamentalmente devidas à sucessão de diferentes sondagens de diferentes empresas com seus respectivos “house effects”), e uma vantagem – reduzida – do PS sobre a coligação.

Nos restantes partidos, a CDU está estável desde finais de 2014, o BE está há dois meses com resultados algo acima dos seus piores resultados na legislatura, o PDR há muito tempo que não se aproxima dos excelentes resultados iniciais dados pela Aximage (na casa dos 5%) e o Livre está muito estável em torno dos 2%.

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