Pedro Magalhães

2013 no POPSTAR

1. Depois de ter ultrapassado o PSD em intenções de voto em Setembro de 2012 (TSU), o PS iniciou o ano com cerca 5 pontos de vantagem sobre o PSD em intenções de voto (34% contra 29%). Termina o ano de 2013 com cerca de 9 pontos de vantagem (36% contra 27%). O novo impulso na intenções de voto no PS (e correspondente início de novo declínio nas intenções de voto no PSD) ocorreu no início de Maio de 2013, e coincidiu com o anúncio do pacote que incluía a convergência CGA/SS, pensão completa só aos 66 anos, 40 horas semanais na função pública e dispensa de 30 mil funcionários do Estado. Contudo, a progressão de um e o declínio de outro não foram lineares a partir daí. O PSD, que chegou a estar nos 25%, experimentou uma ligeira recuperação desde a crise política de Julho, com a demissão de Gaspar e Portas, a recusa de Passos Coelho em aceitar a demissão de Portas, e a mudança na orgânica do governo.

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2. A CDU consolidou o seu domínio entre os “pequenos partidos”, tendo hoje mais de 5 pontos de vantagem sobre o CDS ou o BE. A este respeito, o ano tem duas partes. Na primeira metade do ano, a CDU subiu, mantendo-se estável desde Junho. Na segunda metade do ano, especialmente desde a crise política de Julho, o CDS desceu, perdendo cerca de 2 pontos. Curiosamente, o BE também desce desde essa altura.

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3. Os líderes dos partidos da oposição são aqueles cuja actuação é mais bem (ou menos mal) avaliada pelos eleitores. Até Julho, Portas também fazia parte desde grupo, mas a crise política puniu-o particularmente. A ligeira melhoria observada desde então não foi suficiente para que recuperasse a sua anterior posição. Pedro Passos Coelho situa-se a níveis muito baixos (3.3 numa escala de 0 a 20) e Cavaco Silva, apesar de alguma recuperação desde Julho, continua a ser o Presidente da República com pior avaliação pública desde que há dados recolhidos regularmente sobre este tema.

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4. Pedro Passos Coelho foi, de longe, o líder partidário que gerou maior buzz nas notícias online, nos blogues e no Twitter, ao que não será estranho, naturalmente, o seu cargo de Primeiro Ministro. A única concorrência que teve foi a de Paulo Portas, especialmente por altura da crise política de Julho. O domínio de Passos Coelho em termos de visibilidade é mais acentuado nas notícias e (especialmente) nos blogues do que na twittosfera, onde quer Portas quer Seguro têm comparativamente um destaque maior. Pelo contrário, na twittosfera e nos blogues, Jerónimo de Sousa, Catarina Martins e João Semedo são praticamente invisíveis, em comparação com algum buzz que, apesar de tudo, ainda vão tendo nas notícias (mas ainda assim deproporcionalmente menor em comparação com o peso eleitoral dos seus partidos).

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5. No início do ano, Pedro Passos Coelho concentrava as atenções negativas da twittosfera, lugar apenas brevemente contestado por António José Seguro em finais de Janeiro/inícios de Fevereiro, por altura do psicodrama à volta da disputa da liderança do PS por parte de António Costa. Desde Julho, contudo, Portas disputa com Passos Coelho a posição de líder partidário sobre o qual se fazem mais afirmações negativas no Twitter. Outra forma de ver algo parecido consiste em olhar para o rácio entre menções positivas e negativas, donde resulta, contudo, um quadro globalmente muito negativo para todos os líderes políticos excepto aqueles que são virtualmente ignorados neste meio, os do PCP e do BE.

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One Commment

  1. […] como acima referi, as Autárquicas proporcionaram a mais importante fonte de informação. Quanto aos resultados das sondagens,  elas apenas reforçam essas conclusões. Relembro que o PSD de Santana Lopes nas eleições […]

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