Pedro Magalhães

A sondagem do Metro

Perguntam-me o que acho da sondagem do Metro: esta. O jornal explica que é uma sondagem a leitores, e faz bem. É pena isso não estar assinalado na 1ª página e aparecer enterrado num textinho na página 3, mas enfim. O texto confunde os conceitos de amostra e universo e diz que houve o cuidado de colocar a ordem dos candidatos igual à dos boletins, o que é engraçado, como se isso pudesse ser o maior problema desta brincadeira.

Mas notem o seguinte. Todas as amostras são, de certa forma, voluntárias, pelo que todas têm enviesamentos, representando quem quer responder a sondagens e não a população em geral. Infelizmente, com o aumento das recusas e com a dificuldade em contactar as pessoas, começa a suceder que a diferença entre as sondagens a sério e isto que o Metro aqui faz se está a tornar cada vez menos uma diferença de espécie e cada vez mais uma mera diferença de grau.

O que, por sua vez, tem feito com que alguns pensem que seria melhor assumir as limitações disto tudo, aproveitar a internet e corrigir as distorções com ponderadores. E foi assim que nasceu a You Gov. Nada mau. O futuro talvez passe por muitas coisas como este Metro Life Panel, se bem feito, naturalmente (não estou a dizer que não seja. Não faço ideia).

5 Comments

  1. Augusto says:

    É por haver pseudo sondagens como esta do Metro e a do Sol, que já ninguem lhes liga

    Ainda se houvesse uma entidade com pulso, que aplicasse coimas altas, quando fossem publicados resultados sem qualquer seriedade, assim..

    E olhando para todas as sondagens a minha grande dúvida é saber onde estão as previsões de abstenção, alguem as coloca acima de 50% , o que será bastante provável….

  2. et says:

    Pedro Magalhaes,
    muito obrigado pelo esclarecimento.
    Seguem alguns comentários / questõoes:
    a) o problema com as amostras é análogo ao enviezamento de selecção na econometria ? provavelmente.
    b)em 1986 todas as sondagens davam vitoria a Freitas e um Prof. de Investigação Operacional na Católica de Lisboa avisou-nos que os resultados pendem sempre para quem os faz.
    c) Para que se fazem sondagens afinal:
    1) Para responder a uma necessidade ? (vide exemplo de saber se os fosforos são bons)
    2) Para dar emprego a algumas pessoas ?
    3) Para fazer um certo negocio e subir o PIB ?
    4) Para fazer progredir a ciencia ?
    5) Para influenciar a opinião publica e chegar ao poder ? (se ninguem vota neles porque é que tu vais votar ? )
    6) Todas as anteriores ?
    Com o devido respeito, eu escolho a 6.
    Cumprimentos.
    Eduardo Tomé

  3. NG says:

    O Metro não terá um problema com a ERC?

  4. Boas perguntas do Eduardo Tomé.

    1.O problema com as amostras é certamente selection bias, porque as amostras não são verdadeiras amostras aleatórias: são afectadas por erros de cobertura (pessoas que não têm telefone fixo, por exemplo), erros de não-contacto (pessoas num domicílio seleccionado aleatoriamente que não se conseguem contactar) e erros de não-resposta (pessoas que a sondagem deveria ter “medido” mas que recusarem ser “medidas”). Depois há erros de medição, etc.

    2. Não percebi o argumento do “quem os faz”.

    3. Em formato breve, a minha resposta é que também acho que são as 6 e talvez mais. A que me interessa mais é a seguinte: eu acho importante enquanto cidadão ter uma ideia daquilo que os meus concidadãos acham e pretendem fazer. Acho que as minhas opiniões e acções e eu beneficiamos dessa informação. Logo, como não conheço maneira melhor de a obter que sondagens, gosto que elas existam.

  5. eduardo.tome says:

    “quem os faz” foi uma expressão curta e um bocado fraca, para significar o seguinte: eu acho que uma parte do bias é político; ou seja, que é mais natural encontrar sondagens a pender para a direita publicadas num jornal de direita, e correspondentemente a pender para a esquerda num jornal de esquerda. Obrigado.

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