Pedro Magalhães

Avaliação dos líderes partidários

No post anterior, falei da evolução das intenções de voto nos principais partidos, tal como estimadas na base das sondagens divulgadas pela imprensa. As mensagens são simples e continuam válidas na base da informação disponível:

1. A coligação PSD/CDS vale hoje, pelo menos, o mesmo (se não mais) que a soma dos partidos que a compõem.

2. A sondagem mais recente (do CESOP da Católica) indica um bom resultado para a coligação, mas essa informação não pode ser absorvida esquecendo toda a outra informação anterior disponível. Nessa base, a nossa melhor estimativa actual é de 36%, abaixo do PS mas suficientemente perto para que a resposta à questão “Quem vai à frente?” seja impossível de dar com elevada confiança.

3. Não há sinais de descida do PS.

Dito isto, há uma notícia menos boa para o PS noutro indicador, o da avaliação da actuação do seu líder. Vamos recordar o que fazemos aqui: utilizando um filtro de Kalman, estimamos a popularidade de cada líder partidário como uma variável latente que influencia os resultados de cada empresa, convertendo-a numa escala entre 0 e 20. Este exercício nunca nos correu bem para o caso de António José Seguro, especialmente nos períodos – longos – em que apenas tínhamos disponíveis sondagens da Aximage e da Eurosondagem. A razão é simples: enquanto que numa a avaliação de Seguro descia ao longo do tempo, na outra subia. Não havendo a priori razões para dar preferência a uns ou outros resultados, não é fácil compreender o que se estava a passar nem estimar um valor que dê conta de duas tendências opostas.

As coisas não são muito melhores com Costa, mas há uma diferença. Enquanto que Costa está relativamente estável na Eurosondagem, na Aximage vem descendo ao longo do tempo. Os nossos resultados reflectem essa tendência, confirmada pelo facto de, na Católica, a avaliação de Costa ter também piorado. Assim:

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A avaliação popular de Passos Coelho, que começou em terreno positivo no início do seu mandato, desceu de forma contínua até à crise política de Julho de 2013, momento que coincide com uma recuperação e, a partir daí, relativa estabilidade ou até ligeira subida. Evidentemente que continua a ser muito impopular: é o líder partidário menos bem avaliado em Portugal, e só Cavaco Silva, entre os líderes políticos regularmente acompanhados, está a níveis inferiores (que isto possa ter sucedido com um Presidente da República dava um tratado, mas não é este o momento). Já Paulo Portas caiu de 8,9 para 5,6 em poucos dias, os dias da crise de Julho de 2013. Vem recuperando muito lentamente desde então.

O caso de Costa é diferente. Chegou a ser avaliado de forma mais positiva que Pedro Passos Coelho ou até Paulo Portas no início do mandato destes últimos. Contudo, de Outubro de 2014 até agora, passou de 13 para 9 pontos em 20, uma queda muito menos abrupta mas no total quase tão expressiva como a sofrida por Portas. Evidentemente, o sucesso de um partido não depende exclusivamente da imagem da sua liderança, e a imagem dos líderes é ela própria um produto – e não apenas uma causa – de muitas das coisas que influenciam o desempenho eleitoral de um partido. Mas num país e para um partido catch-all onde as avaliações dos líderes contam no comportamento de voto individual mesmo quando se controlam os efeitos de muitos outros factores de longo e curto-prazo, isto não pode ser visto como boa notícia para o PS.

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