Pedro Magalhães

Factos

É o meu último post sobre este assunto.

Num post abaixo, escrevi que o deputado António Carlos Monteiro tinha afirmado na RTP-N que, nas últimas regionais dos Açores, o CDS-PP tinha tido o dobro dos votos que aquilo que uma sondagem da Católica previa. Contestei essa afirmação, mostrando que o CESOP não tinha conduzido nenhuma sondagem pré-eleitoral nessa eleição e mostrando os resultados da única sondagem que a Católica tinha feito para essa eleição, uma sondagem à boca das urnas divulgada pela RTP no fecho das urnas.

Num comentário a esse post, entre outras considerações, António Sousa Monteiro desmente ter dito aquilo que eu afirmei que ele disse. Escreve, nomeadamente, o seguinte:

“Aconselho-o também a ser mais cuidadoso nas afirmações que faz e quando imputa aos outros mentiras ou invenções. Tive o cuidado de ouvir novamente tudo o que disse no programa em causa: desvalorizei todas as sondagens porque subavaliavam em regra o CDS-PP, chamei à atenção para que os resultados nos Açores tinham penalizado o centrão e o CDS tinha tido o dobro do previsto, sem nunca ter mencionado o nome da Católica (aliás a Universidade onde tirei o curso e que lamento ver o nome associado a estas sondagens).Vá verificar tudo o que eu disse e veja se sou eu ou o Pedro Magalhães quem inventou ou mentiu? Terá sido por enfiar a carapuça?”

Segui o conselho do senhor deputado. Passo assim à transcrição das afirmações de António Sousa Monteiro no programa Pontos de Vista, emitido pela RTP-N no dia 2 de Maio:

“Eu só diria o seguinte. Se até já o PCP se queixa das sondagens, então o que é que o CDS pode fazer. Aliás, nos Açores – e as sondagens que foram feitas para o acto eleitoral dos Açores demonstraram que o CDS valia muito mais do que aquilo que aparecia nas sondagens. Aliás, nos Açores, teve o dobro daquilo que a vossa sondagem na RTP previa.”

A não ser que o deputado Sousa Monteiro – mesmo após ter ido comentar uma sondagem da Católica para a RTP e depois de ter tido “o cuidado de ouvir novamente tudo o que disse” – ainda não tenha descortinado que é a Universidade Católica que faz as sondagens para a RTP, teremos então de concluir que os factos contrariam não apenas a sua primeira afirmação – a da existência da tal sondagem – mas também a segunda – a de que não afirmou aquilo que eu disse que ele afirmou. O vídeo está disponível aqui, no site da RTP. A transcrição refere-se a um trecho que ocorre quando o relógio no canto superior direito marca 1:44.

8 Comments

  1. Anonymous says:

    É o desespero!!
    Mas que era uma pena o CDS desaparecer do mapa, lá isso era.

  2. António Carlos Monteiro says:

    Pedro Magalhães,

    Lamento mas confirmei o juízo que fiz de si. É excessivo, agressivo e pouco cuidadoso quando se refere às outras pessoas!

    Registo que até apagou o post das 2.19PM, nem quero imaginar o que nele estava escrito…

    Repito: tive o cuidado de rever as minhas declarações: em caso algum mencionei o nome da Católica, ao contrário do que afirmou no seu post, aliás como a transcrição por si feita agora confirma.

    Também não é verdade que tenha dito “do mesmo instituto responsável por esta” (post das 2.23PM). Com essas aspas o Pedro Magalhães pretendeu imputar-me essa expressão o que é falso. Não o afirmei!

    Ferver em pouca água e dizer que “imaginou uma sondagem inexistente da CESOP” afirmar que menti e que repito uma mentira para que ela se torne verdade, que me escondo atrás de outra identidade, bem como outros comentários pouco urbanos são dispensáveis para quem está de boa fé.

    Podemos rever frase a frase o que eu disse e assumo – se quiser pode criticar a generalização que fiz sobre as sondagens em relação ao CDS-PP, pode até dizer que errei e confundi sondagens – daí a fazer ataques de carácter vai uma distância que eu não ultrapasso.

    Não gostou da pergunta que eu fiz, pois não, eu também não gostei das suas afirmações sobre o meu carácter!

    Mas penso que o objectivo do seu blog é falar de sondagens e não entrar numa troca de palavras mais ou menos agressivas.

    Quanto aos demais pontos do comentário que fiz registo que não respondeu.

    Volto a colocar as seguintes questões:

    Não basta dizer no seu blog que falhou nas sondagens e não sabe porque falhou , corrigindo agora para que falhou, mas que falhou menos que os outros. Isso deveria preocupá-lo e pergunto: o que é que fez para corrigir essas falhas?

    Mas se esse problema existe com as sondagens realizadas em tempo de eleições, que não resistem ao confronto com os resultados nas urnas, chamo também a sua atenção para as sondagens realizadas fora desse período – os resultados dessas são, em regra, ainda mais distantes dos resultados que o CDS-PP depois vem a obter.

    Eu detecto aqui um padrão, que carece de ser corrigido, principalmente quando daí se presume um determinado comportamento eleitoral, o Pedro Magalhães não porque considera que as pessoas decidem em cima das eleições “late deciders” e por isso não o pode prever. Já agora porquê? Mas não é para isso que servem as sondagens, para prever?

    Face a este histórico e ao facto de afirmar que “2% de votos eram dois a mais” o Pedro Magalhães admira-se que a sua estimativa de resultados eleitorais para o CDS-PP seja criticada?

    Admira-se também que se estranhe que o CDS-PP seja o único em que a estimativa seja igual à intenção de voto directo, quando os demais partidos e até os “outros” viram a sua percentagem dobrar?

    O Pedro Magalhães quando diz que “uma sondagem é só uma sondagem” não compreende que isso não é verdade – que deixou de ser só uma sondagem tornando-se uma forma de intervenção na política?

    António Carlos Monteiro

  3. JSerrano says:

    António Carlos Monteiro
    quando disse isto:

    “Aliás, nos Açores, teve o dobro daquilo que a vossa sondagem na RTP previa”

    em que Instituto de sondagen e sondagem concreta estava a pensar. é este o centro da polémica e da questão que tanto incomodou (e compreende-se) Pedro Magalhães. Se responder a isto creio que tudo ficava claro.

  4. Anonymous says:

    É pessoas como você que querem levar o PP à desgraça!
    Enquanto todos falam num Bloco Central, ainda vão ver que o que vai haver é uma AD (com PS ou PSD) que vai ser o mais útil para o país.

    O PP vai ser a 3ª maior força nacional, e não é com essas sondagens enganadoras que vão impedir isso.

    A sondagem é da RTP… pergunte à RTP quem a fez!

  5. J.Serrano says:

    Caro anónimo

    Nada me move contra o CDS, nada mesmo creia-me!
    quato à sondagem: já foi dito neste Blog que TODAS as sondagens da RTP são da Católica. Por isso é que é estranho que se diga a vossa sondagem da RTP e se diga que não se estava a falar da Católica e por isso é que seria bom esclarecer em que instituto pensava António Monteiro que certamente conhcerá com detalhe a sondagem de que falava. Porque é aí que está o foco da disccussão.

  6. Anonymous says:

    Caro Pedro,

    não lhes dê troco ou ficará preso numa discussão nonsense.

    um abraço
    pm

  7. Luis Azevedo says:

    Pedro Magalhães,

    Já aqui discordei de si, e espero voltar a fazê-lo. Nesta questão, contudo, V, está carregado de razão.
    O António Carlos Monteiro, pelo que percebo é político.
    A minha experiência mostra que os políticos sabem ainda menos matemática que os portugueses. esperar que compreendam um mínimo de estatística é sonhar.
    O António Carlos Monteiro termina a dizer que uma sondagem não é só uma sondagem, é uma forma de intervenção política.
    O pobre está tão enganado que nem percebe o quanto está enganado.
    Uma sondagem é uma sondagem.Ponto. Que a partir daí passe a ter importancia para a luta politica é algo que já não importa.
    Na cabeça do António Carlos Monteiro, uma sondagem só deveria ser divulgada depois de validada por uma comissão com politicos de todos os partidos?
    Tudo na vida das sociedades democráticas é uma forma de intervenção politica. Mas esse é um ponto de chegada, não de partida.
    Eu percebo pouco de sondagens, mas percebo que para partidos com expressão pequena ou residual é muito mais dificil acertar.
    O António Carlos Monteiro que se dedique a fazer politica, e deixe as sondagens para quem sabe.
    Cumprimentos,
    Luís Azevedo

  8. Bruno S. says:

    A verdadeira razão para o CDS aparecer com 2% na sondagem é só uma, a iliteracia que alguns dos seus membros sofrem.

    Caro deputado, a palavra “vossa” tem para si algum significado? ou foi para a frase parecer mais bonitinha?

    Cumprimentos

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