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Pedro Magalhães

França, análises complementares

Mais alguns dados retirados das últimas sondagens:

1. Eleitorado do Partido Socialista francês partido ao meio em torno do referendo ao TCE;

2. Ligeira tendência para que os eleitores “Não” se afirmem estar mais certos de que essa será a sua decisão definitiva, especialmente nas sondagens mais recentes, indicando potencial maior desmobilização entre eleitores do “Sim” (mas a sondagem Louis-Harris dá resultados inversos…);

3. Inclinações dos indecisos distribuem-se equitativamente para o “Sim” e o “Não” (entre os indecisos que dizem ter uma qualquer inclinação);

4. Mais eleitores a preverem a vitória do “Sim” do que aqueles que prevêm a vitória do “Não” (relação de quase 2 para 1);

5. Uma aparente clivagem social em torno do tema: proprietários, indivíduos mais instruídos e com estatuto socio-profissional mais elevado estão desproporcionalmente a favor do “Sim”, enquanto que os empregados da indústria e dos serviços e aqueles com menor instrução estão desproporcionalmente a favor do “Não”. Mas importa dizer que isto coincide com uma clivagem ainda mais clara, aquela entre eleitores dos partidos do governo e eleitores dos partidos da oposição em França. Pelo que é difícil saber, olhando apenas para dados agregados, se essa clivagem social é real (traduz uma clivagem entre “vencedores” ou “beneficiários” sociais da integração contra os outros) ou, pelo contrário, mera função dos alinhamentos partidários (e o que eles significam de apoio versus punição do governo);

6. Católicos tendencialmente a favor do “Sim”, e tanto mais quanto mais praticantes. Curioso, tendo em conta as animadas polémicas sobre a “herança cristã”. Mas também aqui se aplicam as cautelas do ponto 5.

Prognóstico: reservado.

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