Pedro Magalhães

Margens de Erro

As sondagens e o PSD

Posted April 18th, 2008 at 11:35 am4 Comments

É impressionante o papel que as sondagens desempenham na vida do PSD. É certo que é difícil dizer até que ponto a derrota de Mendes ou a demissão de Menezes se devem aos maus resultados que um e outro tinham nas sondagens que antecederam imediatamente os dois eventos: afinal, quer os resultados dessas sondagens quer a derrota/demissão são ambos consequência de coisas mais profundas e menos visíveis. Mas é impossível não acreditar nalgum papel independente dos resultados das sondagens no processo: não só elas são constantemente mencionadas pelos agentes como arma de arremesso (até António Borges falava ontem das ditas) mas os acontecimentos sucedem-se em aparente ligação directa à divulgação dos resultados. O PSD é também o partido, de longe, que mais se agita publicamente com as sondagens, como este exemplo ilustra bem, para já não falar das obsessões permanentes com a comunicação social e a sua "independência". Para Durão Barroso, poucas coisas foram tão nefastas à sua consolidação como líder do partido como as sondagens que davam a vitória ao PS de Guterres, mesmo depois de 1999.

O que talvez diga alguma coisa sobre a natureza do partido. O PSD tem muitas semelhanças com o PS, e não as quero desvalorizar. Mas enquanto o PS tem apesar de tudo, facções internas divididas por conflitos em cuja base ainda se vislumbram fundamentos ideológicos, o PSD transformou-se em nada mais do que uma máquina para (tentar) ganhar eleições e converter votos em lugares políticos. Tudo, absolutamente tudo, depende da capacidade da liderança do momento para fazer esta máquina funcionar. É fascinante, e também algo deprimente. E note-se: dá à comunicação social - para já não falar dos institutos de sondagens - um poder sobre a vida do partido que, enfim, é capaz de ir um bocado para além do saudável.

by Pedro Magalhães

PSD

Posted April 18th, 2008 at 10:31 am4 Comments

Há uns dias, recebi um e-mail de uma jornalista que me pedia um depoimento em resposta à pergunta "O PSD pode desaparecer?". Estava fora do país e cheio de trabalho, entre aulas e conferências, e ao ler o e-mail de relance achei a pergunta algo despropositada e não lhe respondi (sorry). Mas pensando melhor...

by Pedro Magalhães

Berlusconi

Posted April 17th, 2008 at 12:45 pm4 Comments

Tem-se falado muito por aí nos blogues sobre a forma como a classe jornalística portuguesa (essa corja de esquerdistas radicais) tem decidido ignorar, minimizar ou relativizar a vitória de Berlusconi em Itália. Eu até percebo a ideia. Mas para além de me fazer lembrar um bocado a ladainha do Partido Republicano sobre o media bias liberal generalizado nos Estados Unidos - uma "verdade" auto-evidente que tende a ser desmentida sempre que o assunto é abordado com um mínimo de seriedade - receio que leve a que se ignorem os óptimos exemplos. Com algum atraso, remeto para o artigo da passada 3ª feira de Jorge Almeida Fernandes. E se o faço é também para aproveitar para dizer que não me recordo de ter alguma vez lido um artigo de Jorge Almeida Fernandes que não fosse inteligente, ilustrado e objectivo. Caso raríssimo entre aqueles que escrevem nos jornais com regularidade, incluindo, receio bem, este que vos escreve estas linhas.

by Pedro Magalhães

Itália 2

Posted April 14th, 2008 at 2:18 pm4 Comments

Primeiros resultados das sondagens à boca das urnas: 2 pontos de vantagem na câmara baixa, 3 no Senado, em ambos os casos para o Pdl de Berlusconi. Menor vantagem, portanto, do que aquilo que as sondagens de há duas semanas atrás sugeriam.


19.00: mas algumas horas depois (estive numa longa reunião), parece afinal que a vantagem anda pelos 4 pontos para o Pdl, 8 pontos para a coligação. Como sucedeu há dois anos, as sondagens à boca das urnas em Itália não são para ser levadas demasiado a sério...

by Pedro Magalhães

Itália

Posted April 14th, 2008 at 1:34 pm4 Comments

Daqui a 30 minutos começam a cair os resultados das sondagens à boca das urnas. As últimas sondagens - divulgadas a 15 dias de distância - davam cerca de 5 pontos de vantagem para Berlusconi. Importa no entanto recordar que, em 2006, a vantagem dada pelas sondagens à Unione sobrestimou a que veio a ser a vantagem real. Há um paper na net sobre o assunto. O que significa uma de três coisas:

- as sondagens italianas sobrestimam o voto do vencedor;
- as sondagens italianas sobrestimam o voto da esquerda;
- as eleições de 2006 não servem para fazer inferências a este respeito.

Ficamos na mesma, portanto. Mas já falta pouco.

by Pedro Magalhães

Um momento para ponderarmos possíveis dúvidas sobre as teorias do eleitor racional

Posted April 11th, 2008 at 5:58 pm4 Comments

Momentos de dúvida sobre as teorias do eleitor racional

Posted April 11th, 2008 at 5:54 pm4 Comments



An ode to Silvio Berlusconi, written by a fawning fan, has become a hit in the run-up to next week's Italian elections

by Pedro Magalhães

As sondagens, 2

Posted April 11th, 2008 at 2:19 pm4 Comments

Deixo aqui também as mais recentes sondagens de cada instituto sobre intenções de voto, assinalando apenas as "estimativas de resultados eleitorais", ou seja, a forma como cada instituto entendeu apresentar os seus resultados de forma comparável com os resultados de eleições. Excluo a Aximage, apenas porque os resultados tais como os conheço não permitem distinguir indecisos e votos noutros partidos, brancos ou nulos.




Passou mais de um mês entre a sondagem do CESOP e a da Eurosondagem e há diferenças importantes quer na inquirição quer na amostragem e posteriores ponderações dos resultados. Mas a ordem dos partidos é igual nas três e as mensagens genéricas também: o PS lidera claramente mas está aquém da maioria absoluta; o PSD não passa dos trinta e muito poucos; os partidos à esquerda do PS somam perto ou acima dos 20%; o CDS-PP é o 5º partido.

by Pedro Magalhães

As sondagens, 1

Posted April 11th, 2008 at 1:49 pm4 Comments

Com as mais recentes sondagens Marktest e Eurosondagem, podemos actualizar os gráficos habituais. Algumas alterações:

1. Os resultados de Mendes e Menezes num mesmo gráfico, assinalando o momento da mudança;
2. Os resultados de Sampaio e Cavaco num mesmo gráfico, assinalando o momento da mudança;
3. O saldo de popularidade pondera agora as não respostas, da seguinte forma:
(%Positivas-%Negativas)*(1-Não respostas ou indiferentes/100).








É fácil verificar que:

1. Depois de comparativamente baixos valores iniciais, Cavaco converge em valores elevados, semelhantes aos de Sampaio em final de mandato.
2. Discrepâncias Eurosondagem e Marktest para o caso de Sócrates; independentemente disso, não parece ainda possível dizer que a tendência é outra que não a de descida, iniciada após divulgação do caso "Independente";
3. Eleição de Menezes interrompeu tendência de descida para líder do PSD, mas as últimas sondagens Marktest sugerem nova descida, colocando hoje Menezes no ponto onde Mendes estava no 1º semestre de 2007.

by Pedro Magalhães

Divertimento de alta qualidade

Posted April 2nd, 2008 at 12:24 pm4 Comments

Aqui.
(Só uma correcção, irrelevante para o caso: o grupo que representa 50% da população é o que tem conhecimentos de economia e de matemática abaixo da mediana. Sou constitucionalmente obrigado a assinalar estas coisas.)

by Pedro Magalhães