Pedro Magalhães

Margens de Erro

O outro divino Marquês

Posted April 16th, 2007 at 4:46 pm4 Comments

Segundo as sondagens, Bayrou ganharia quer a Sarkozy quer a Royal numa segunda volta. Isto sucede porque, para além de ser a primeira preferência de um em cada cinco eleitores, ele é também a segunda preferência de muitos eleitores de Sarkozy e muitos eleitores de Royal. Contudo, como há mais eleitores cujas primeiras preferências são Sarkozy ou Royal, Bayrou pode não passar à segunda volta. Logo, apesar de haver uma maioria de eleitores que prefere Bayrou a Sarkozy, e uma maioria de eleitores que prefere Bayrou a Royal, Bayrou não será - a acreditar nas sondagens - presidente. O problema, de resto, já tinha sido detectado há mais de 200 anos por outro francês, que inventou um método para resolvê-lo. Mas não é assim que vai ser.

by Pedro Magalhães

França

Posted April 16th, 2007 at 12:42 pm4 Comments

Estamos a menos de uma semana. Desde o dia 10, inclusivé, foram terminados os trabalhos de recolha de sete sondagens de intenções de voto nas presidenciais, de cinco institutos diferentes (todos os habituais menos a Louis-Harris, cujo último trabalho ainda é do dia 7).

Podemos começar por olhar para as médias das intenções de voto nas últimas sondagens conduzidas por esses institutos, assim como para o valor máximo e mínimo estimados para cada candidato:

Sarkozy: 28% (entre 26 e 30%)
Ségolène: 24% (entre 23 e 26%)
Bayrou: 18% (entre 17 e 21%)
Le Pen: 14% (entre 12 e 15%)

Nenhum instituto põe em causa esta ordenação dos candidatos . O valor mais alto para Ségolène em qualquer sondagem é igual ao valor mais baixo obtido por Sarkozy, e os valores mais altos para Bayrou e Le Pen, respectivamente, inferiores aos valores mais baixos para Ségolène e Bayrou.

Mas para Ségo e Bayrou há ainda muita incerteza. De resto, o voto à direita parece ser o mais seguro. A IPSOS fornece os dados se uma segunda questão, em que é pedido àqueles que declaram uma intenção de voto que digam se essa intenção é definitiva ou pode mudar. A percentagem dos que declaram ser essa a sua intenção definitiva, para cada candidato, são os seguintes:

Le Pen: 86%
Sarkozy: 74%
Ségolène: 67%
Bayrou: 50%

Logo, pelos vistos, e previsivelmente, é na opções Royal e Bayrou que parece poder haver maior instabilidade até ao dia das eleições, o que. presumivelmente, pode dar para tudo. Bayrou a subir à conta de Royal ou, pelo contrário, Royal a subir à conta de Bayrou.

Há ainda os que não indicam intenções de voto: 17% na IPSOS, 7% no IFOP, 21% na CSA, 23% na TNS. Aqui tudo se complica, porque não é evidente dos relatórios o que isto mede: pessoas que têm intenção de votar mas não sabem ou não dizem em quem, ou abstencionistas declarados, ou ambos. Mas há um factor que joga a favor de que as estimativas de intenção de voto feitas neste momento se aproximem relativamente dos resultados finais, e que é a comparativamente baixa abstenção que estas eleições deverão ter: todos os indicadores de interesse pela campanha revelam mobilização superior à de 2002. Em 2002, a abstenção na 1ª volta foi de 28,2%.

by Pedro Magalhães

França, a menos de uma semana

Posted April 13th, 2007 at 4:58 pm4 Comments

Clicar nas imagens para ampliar.

by Pedro Magalhães

Montanha russa

Posted April 9th, 2007 at 9:42 am4 Comments

Não há vaga de sondagens sobre as presidenciais francesas que não traga uma novidade qualquer, muitas vezes contraditória com a novidade anterior. Desta vez, com as primeiras sondagens de Abril, a "novidade" é mais uma descida de Ségolène, chegando aos valores mais baixos desde o início do ano (22%).



by Pedro Magalhães

Bayrou e as sondagens

Posted April 5th, 2007 at 1:09 am4 Comments

Bayrou e Le Pen, a 3 de Abril

Posted April 3rd, 2007 at 10:17 am4 Comments


by Pedro Magalhães

Sarko e Ségo, a 3 de Abril

Posted April 3rd, 2007 at 10:14 am4 Comments


by Pedro Magalhães

Outlier: a Tapada das Necessidades

Posted April 2nd, 2007 at 5:48 pm4 Comments

Há quase um ano, escrevi isto neste blogue. Na edição de ontem do Público explica-se como se chegou a esta situação. Não consigo fazer um link à notícia, mas penso poder resumir: ministros e directores-gerais de vários governos, associações e ex-presidentes, todos metidos ao barulho. Protocolos assinados e não cumpridos e decisões casuísticas que se revogam umas às outras. E já promete tribunais, o que, como bem sabemos, permitirá certamente a resolução célere do assunto. O habitual.

by Pedro Magalhães

Soigne ta droite

Posted March 28th, 2007 at 5:10 pm4 Comments

Em quatro sondagens recentes, Sarko e Ségo estão tecnicamente empatados. Quem diria?

CSA, 22/3:
Sarko, 26%; Ségo, 26%.

TNS-Sofres, 22/3:
Sarko, 28%; Ségo, 26,5%.

IFOP, 23/3:
Sarko, 26%; Ségo, 25%.

Louis-Harris, a mais recente, 24/3:
Sarko, 27%; Ségo, 27%.

IPSOS e BVA estão a dar margens maiores, mas mesmo assim..

P.S. - O BVA já não. Sarko, 28%; Ségo, 27%.

by Pedro Magalhães

Grandes portugueses, 2º e último post

Posted March 27th, 2007 at 6:07 pm4 Comments

Os institutos de sondagens que trabalham em Portugal, ou qualquer associação ou organismo que os representasse, deveriam ter dito alguma coisa sobre os resultados do concurso antes de eles serem conhecidos. Não necessariamente no sentido de criticar o programa mas sim de explicar os limites do exercício. Agora é tarde. Soa tudo um bocado a falso, como se se quisesse deslegitimar o resultado em concreto e não todo o processo. Eu disse alguma coisa, aqui, mas eu sou só eu e isto é só um blogue. Mais um elemento a considerar quando se pensar na lamentável ausência de uma instância de auto-regulação dos institutos de sondagens, que a APODEMO, compreensivelmente mais voltada para os estudos de mercado, não consegue suprir.

Isto não impede que se discuta o concurso como fenómeno "mediático" ou "cultural". Aí sim, estejam à vontade. Nem impede sequer que o concurso seja visto como tendo alguma "bondade" intrínseca, no sentido em que promoveu - será que promoveu? - alguma discussão - entre quem? - séria - em parte - sobre a história - recente - e a identidade portuguesas.

O que já percebo menos é o que terá passado pela cabeça do meu amigo André Freire para analisar os resultados como fruto de "uma militância de protesto contra a democracia, a classe política actual" como relectindo "um certo falhanço da democracia" ou um "défice de explicação aprofundada do que foi o regime e das vantagens que vieram com a democracia". O ponto é este, e muito simples: os resultados não merecem análise. O que eles significam e representam é completamente indeterminado. E quando a inferência descritiva é deficiente, a inferência explicativa é uma pura perda de tempo.

P.S- O que o André Azevedo Alves diz aqui seria correcto se dispuséssemos de um qualquer outro elemento dos resultados para além da distribuição de frequências do sentido de voto. Se soubéssemos, por exemplo, as características socio-demográficas ou as atitudes políticas dos votantes no concurso, poderíamos compará-las com as da população em geral, ou procurar relações entre essas características e o sentido de voto. Contudo, não creio que essa informação tenha sido recolhida.

by Pedro Magalhães