Pedro Magalhães

Margens de Erro

A "queda" de Lula (2)

Posted October 4th, 2006 at 10:32 am4 Comments

Eduardo Leoni, do Brazilian Politics, chama-me à atenção por e-mail de um dado importante: Lula não "perdeu" votos. O que sucede é que não conseguiu angariar votos entre os indecisos.

Assim é, quando olhamos para as intenções directas de voto:

Lula mexe pouco, mas Alckmin sobe à medida que os indecisos descem. Eduardo Leoni levanta outro problema que decorre daqui: a pressuposição de que os indecisos se redistribuem proporcionalmente pelas opções válidas (ou, o que é a mesma coisa, que se vão todos abster) não funciona no Brasil...

by Pedro Magalhães

A "queda" de Lula

Posted October 3rd, 2006 at 2:08 pm4 Comments

Anda por aí alguma discussão sobre as razões da incapacidade de Lula ganhar à 1ª volta. A maior parte delas anda pela questão da corrupção (no Público, só para assinantes). Mas atentem no seguinte gráfico com a evolução das intenções de voto em Lula e Alckmin no IBOPE, só para usar o instituto que mais se aproximou dos resultados que Lula acabou por obter:

O que se vê é que Lula vem a descer desde finais de Agosto. O que está para a direita do dia 10 de Setembro são sondagens realizadas após a divulgação do escândalo do "dossiê Serra", e pode-se levantar a hipótese de que essa divulgação terá acelerado a descida. Mas a descida vem de antes, como já repeti aqui até à exaustão, e importa também explicá-la. Descontando o que às vezes me parece ser uma certa mania da perseguição, amplificada aqui, estou de acordo: não se deu suficiente importância a Alckmin. Lula perde votos devido a uma boa campanha do seu opositor, e não apenas devido à corrupção.

by Pedro Magalhães

Brasil: rescaldo e 2ª volta

Posted October 2nd, 2006 at 2:08 pm4 Comments

O quadro seguinte compara as últimas estimativas de cada instituto com os resultados finais. Parabéns ao Datafolha e ao Ipespe. O segundo é especialmente notável, tendo em conta a utilização de uma amostra reduzida e a inquirição telefónica. Mas pode-se também levantar a hipótese de que o Ipespe tenha tido "razão antes de tempo", ou seja, que estivesse no dia 26 a subestimar a votação em Lula, acabando por se aproximar dos resultados finais devido à tendência geral de queda de Lula que se prolongou após o dia 26. Seja como for, as diferenças entre os institutos são reduzidas, a não ser no caso Sensus. Se quiserem comparar com a performance dos institutos portugueses em 2006, podem ir aqui. Nada mau para nós, mas o Brasil é o Brasil e Portugal é Portugal...



2ª volta? O que temos são os últimos resultados de sondagens que colocavam os eleitores perante o cenário Lula/Alckmin. O score de Lula oscila entre 62% e 52%. Mas agora, vai ser difícil levar os resultados da Sensus muito a sério.

by Pedro Magalhães

Qualquer palpite é chute

Posted September 30th, 2006 at 6:48 pm4 Comments

Acaba de ser divulgada uma sondagem da Vox Populi, terminada ontem, que dá 52% de votos válidos para Lula (contra 60% na última sondagem, realizada dia 19). Mais uma que dá tendência de descida. Aguarda-se, pelo menos, uma última sondagem da Datafolha. As restantes (as mais recentes) são as seguintes:



A noite eleitoral no Domingo é capaz de acabar tarde. “O segundo turno é provável”, arrisca um especialista na análise de pesquisas. “Mas a essa altura dos acontecimentos, qualquer palpite é chute”, afirma.

P.S.- Actualização com IBOPE e Datafolha:

by Pedro Magalhães

Vale (muito) a pena ler

Posted September 29th, 2006 at 3:14 pm4 Comments

6ª feira: ponto de situação

Posted September 29th, 2006 at 9:30 am4 Comments

O Ipespe dá 51% de votos válidos em Lula, em sondagem realizada no dia 26, confirmando a tendência de descida verificada em todos os outros institutos (o estudo anterior dava 53%). Não esquecer, contudo, que as sondagens Ipespe são telefónicas, presumivelmente deixando fora a amostra o eleitorado mais pobre.

Amanhã deveremos conhecer os resultados das últimas sondagens Vox Populi, Datafolha e IBOPE. Irão ter, pelo menos no caso Datafolha, amostras de muito grande dimensão, o que não só diminui a margem de erro amostral mas também permite uma estratificação mais fina da amostra. Isso, contudo, não resolve todos os problemas, como se pode depreender do quadro seguinte, onde se comparam os resultados das eleições de 1998 e 2002 com os resultados das últimas sondagens realizadas pelo IBOPE (ambas as eleições) e pelo Datafolha (2002). Como vêem, há um fenómeno recorrente: no dia das eleições, o vencedor recolheu menos votos do que aquilo que é estimado nas base das últimas sondagens. Coincidência?

by Pedro Magalhães

Novas sondagens IBOPE e Datafolha

Posted September 28th, 2006 at 9:30 am4 Comments

Na sondagem IBOPE, terminada dia 26, Lula aparece com 53% de votos válidos, menos 1 ponto que na sondagem anterior (terminada dia 22). A"subida" de que se fala no texto linkado é nas intenções de voto, mas o que sucede é que, como os votos brancos, nulos e indecisos diminuem, a redistribuição acaba por redundar numa descida para Lula em termos de votos válidos.

Na sondagem Datafolha, terminada dia 27, Lula desce também um ponto em votos válidos, de 54% para 53%, em relação à pesquisa anterior (terminada dia 24).

Ambas as "descidas" são, tomadas individualmente, estatisticamente irrelevantes. Contudo, o facto de ambas indicarem descida e de essa descida vir na continuidade de uma tendência anterior sugere que podem indicar algo mais do que um mero efeito de erro aleatório. De assinalar também que as estimativas para os vários candidatos que resultam das sondagens IBOPE e Datafolha serem rigorosamente iguais (53%, 36%, 9%, 2%).

Dito isto, as notícias podiam ser piores para Lula. Como o gráfico abaixo mostra - evolução dos resultados limpos de "house effects" - Lula desceu de forma contínua desde a 2ª quinzena de Agosto até agora. Contudo, o ritmo de descida parece ter abrandado nas sondagens desta última semana. Chegou-se ao último reduto de eleitorado indefectível?

by Pedro Magalhães

Polémicas

Posted September 27th, 2006 at 4:17 pm4 Comments

Lá também há. Excertos:

SAMBA DA PESQUISA DOIDA
Se você estava em dúvida entre o Ibope e o Datafolha, agora já tem à sua disposição o Sensus, visto pelo mercado como uma espécie de Heloisa Helena entre os institutos. A última sondagem do Sensus, divulgada nesta terça, informa que Lula está com 51,4% das intenções de voto, contra 27,5% atribuídos a Geraldo Alckmin.São números diferentes dos que foram coletados pelo Datafolha (49% X 31%) e muito diferentes dos informados pelo Ibope (47% X 33%). Os pesquisadores do Datafolha foram às ruas na sexta-feira. Os do Ibope, de quarta a sexta. E os do Sensus, de sexta a domingo. Há pelo menos um ponto de contato entre as três pesquisas: a sexta-feira. Levando-se em conta que o eleitorado cujos humores se tenta medir é rigorosamente o mesmo, pode-se concluir: tem instituto que vai sair dessa eleição com a credibilidade carbonizada. A margem de erro dessa conclusão é zero. Logo mais teremos novas pesquisas. Essa disputa está bem mais interessante do que a briga entre os presidenciáveis. A propósito, Geraldo Alckmin considerou o resultado da pesquisa Sensus “um escândalo”.

Pesquisas divergem; em quem acreditar?
Gustavo Krieger

Do Correio Braziliense
O Ibope diz que a vantagem de Lula sobre a soma dos candidatos de oposição é de três pontos. Para o Datafolha, são oito. O Sensus aposta em 15 e o Vox Populi em 17. Tudo isso em pesquisas divulgadas num intervalo de cinco dias. Afinal, em quem acreditar? Para qualquer candidato, pesquisa boa é aquela que o mostra na dianteira. A verdade é que todas seguem métodos científicos. Mas cada uma tem o seu método e estas diferenças ajudam a explicar os índices disparatados. A metodologia do Sensus é domiciliar: os pesquisadores vão até a casa dos eleitores para aplicar os questionários. O Datafolha adota a “abordagem em pontos de fluxo populacional”. Escolhem pontos de grande concentração, como o Viaduto do Chá, em São Paulo ou a plataforma da rodoviária, em Brasília. Para compensar eventuais distorções, o Datafolha faz mais entrevistas que seus concorrentes. Na última rodada, ouviu 4.319 pessoas, contra 2 mil do Sensus e 2002 do Ibope. O perfil dos eleitores também é diferente. Lula é mais forte entre os mais pobres, menos instruídos ou que vivem no interior. Quanto mais destes eleitores na amostra, mais votos ele terá. O Sensus divide a pesquisa entre áreas urbanas e rurais, enquanto a Datafolha se concentra em cidades. O resultado é que uma é mais urbana que a outra e a diferença pode ser grande. Na pesquisa do Sensus de ontem, Lula obteve dez pontos percentuais a mais nas áreas rurais que nas cidades. Há discrepância também na divisão por escolaridade. Na pesquisa do Ibope, 27% dos pesquisados tinham estudado até a quarta série. No Sensus, este segmento representava 35%. Para a Sensus, os eleitores com ensino médio são 29% dos pesquisados. No Ibope são 37% e no Datafolha 39%. Este deslocamento muda o resultado da pesquisa. Lula tem em média 20 pontos percentuais a mais entre os eleitores menos instruídos que entre os que fizeram o segundo grau. Cada instituto tem justificativas para suas escolhas. Domingo à noite, será possível saber quem está certo.

A disputa das pesquisas
Mais curiosa do que a disputa eleitoral propriamente dita tem sido a guerra dos números das pesquisas eleitorais. Ontem, por exemplo, o Instituto Sensus apresentou à opinião pública seu novo levantamento: Lula está com 51,4% das intenções de voto contra 27,5% atribuídos a Geraldo Alckmin. A pesquisa foi realizada entre a última sexta-feira e domingo. Praticamente no mesmo período, Ibope e DataFolha também foram a campo. Os resultados apurados, respectivamente, são os seguintes: 47% (Lula) e 33% (Alckmin); e 49% (Lula) e 31% (Alckmin). A diferença dos percentuais de dois institutos (Ibope e Data Folha) em comparação com o Sensus é elevada demais, confundindo inclusive todos aqueles que acompanham os desdobramentos da campanha, mesmo porque todos, simultaneamente, estão tentando fotografar o mesmo momento eleitoral. Se houver equívoco ou manipulação de dados, a partir de segunda-feira os incautos pagarão um preço alto demais: a perda da credibilidade – um elemento crucial de sobrevivência de quem tem como negócio principal a realização de pesquisas de opinião.

Na verdade:

1. As diferenças entre os resultados apresentados pelos institutos são potencialmente muito maiores do que as ditadas pela margem de erro amostral ou pelos momentos diferentes no tempo em que são aplicadas. Amostragem, método de inquirição, questionário, aplicação do inquérito, ponderações a posteriori, todos estes são factores que podem causar diferenças entre os resultados obtidos;

2. Apesar disso, há métodos que permitem detectar se existem tendências detectadas por todos os institutos, independentemente de metodologias utilizadas. Foi o que fiz aqui. As intenções de voto válidas em Lula têm vindo a descer. E não há quaisquer sinais de que o dossiê Serra tenha produzido efeitos: a tendência de descida é anterior ao escândalo e o seu ritmo não mudou.

3. O que não é possível saber: o que vai acontecer no Domingo. As pesquisas feitas até agora são o passado. O Domingo é o futuro. Há abstenção, há votos brancos e nulos, há mudanças de opinião. E os resultados não dão uma vantagem suficiente a Lula para que uma vitória à 1ª volta esteja, com um grau de certeza elevado, ao abrigo destas mudanças futuras.

4. E o passado ajuda a fazer inferências sobre o futuro: há resultados eleitorais passados, e o confronto entre eles e as sondagens revela que o favorito foi beneficiado nas sondagens em relação àquilo que acabou por acontecer (mais sobre isto, com dados, no final desta semana).

Logo, se me perguntassem, eu diria que a vitória à 1ª volta está em risco muito sério. Lula sabe disso, obviamente.

by Pedro Magalhães

Sensus

Posted September 26th, 2006 at 5:24 pm4 Comments

Divulgada há poucas horas, a última pesquisa Sensus dá 59% de intenções de votos válidos a Lula. Convém ter atenção, contudo, ao facto dos últimos resultados da Sensus para Lula terem ficado acima da tendência: 61% no início de Agosto e 62% no final de Agosto. Isto não significa, claro, que estejam errados. Significa apenas que são outliers em relação à tendência geral (da mesma forma que as sondagens do IBPS e, até certa altura, as da Vox Populi, foram outliers no sentido oposto).

by Pedro Magalhães

E com a pesquisa IBOPE divulgada ontem…

Posted September 25th, 2006 at 12:38 pm4 Comments

Lula aparece com 52% de intenções válidas de voto. O quadro completo:



As conclusões anteriores não mudam, contudo. Há descida, mas prolonga tendência anterior.

by Pedro Magalhães