Pedro Magalhães

Margens de Erro

Destaques das sondagens à bocas das urnas

Posted May 30th, 2005 at 12:40 am4 Comments

É de aproveitar este excelente trabalho da Ipsos. Destaques:

1. Confirma-se clivagem social já aqui assinalada, se bem que as suas razões continuem a não ser evidentes dos dados;

2. 56% dos eleitores próximos do PS votaram "Não". Foi principalmente isto que andou a mudar de sondagem para sondagem. Parte do "Não" decidiu-se aqui.

3. Motivações mais apresentada pelos eleitores para o "Sim": reforço do peso da Europa em relação aos Estados Unidos e à China (64%, atravessando simpatizantes de todos os partidos), funcionamento da Europa a 25 (44% - idem) e evitar enfraquecimento do peso da França na Europa (43% - especialmente entre eleitores UMP);

4. Motivação mais apresentada pelos eleitores para o "Não": "descontentamento com a actual situação económica e social em França"(52%), seguida de "constituição demasiado liberal no plano económico" (40%). Mas aqui, tudo varia de acordo com proximidade partidária. Se o "descontentamento" é forte entre todos (menos os eleitores UMP), o receio do "liberalismo" prevalece à esquerda. E entre os eleitores UMP e FN, a principal motivação de rejeição é "a ocasião de se opor à entrada da Turquia na UE";

5. Largas maiorias dos eleitorados (excepto FN) dizem-se "favoráveis à construção europeia". É bonito, and yet means nothing;

6. 42% dos eleitores UMP querem correr com Raffarin, contra 38% que o querem manter. Dos eleitores dos outros partidos não vale a pena falar. Os eleitores UMP querem...Sarkozy, bien sur.

by Pedro Magalhães

Fifty five

Posted May 30th, 2005 at 12:16 am4 Comments

Os resultados ainda não são os validados, mas não é de esperar que se desviem particularmente de 55% para o Não e 45% para o Sim. Assim sendo, temos:

1. A TNS Sofres e a CSA teriam feito melhor em não divulgar as sondagens que terminaram a 27, ficando-se pelas que concluiram, respectivamente, nos dias 24 e 26. Ceteris paribus, sondagens conduzidas mais próximo da data das eleições são sempre mais precisas. Mas os ceteris raramente são paribus no mundo real, e as duas sondagens divulgadas na noite de 6ª ficaram fora das margens de erro amostral. É provável apareça alguém a denunciar possíveis tentativas de manipulação do voto de última hora. Duvido muitíssimo, mas se assim foi, fico especialmente aborrecido: eu levei-as muito (demasiado?) a sério.

2. A sondagem Ipsos terminada a 25 de Maio parece ter sido a mais precisa. É certo que a diferença no sentido de maior precisão, quando comparada com a da Ifop, é tão diminuta que pode perfeitamente ser fruto do acaso. E ambas são telefónicas, ambas usaram quotas, ambas têm amostras de dimensão aproximada. O resto, especialmente no que respeita ao apuramento dos prováveis abstencionistas, é menos claro dos relatórios, mas a Ipsos explica que deu as intenções de voto usando o filtro mais exigente: "de certeza que vai votar". Um sinal importante. Mas fico contente se for a Ipsos, por uma razão muito simples: o site da Ipsos.fr deu uma cobertura excelente ao referendo. Bons textos analíticos, relatórios exaustivos e até as sondagens dos outros institutos (nem todas, mas quase...) E poucas horas depois do referendo, uma decomposição completa da sondagem à boca das urnas. Quando se fazem estas coisas tão bem, é natural que se faça bem o resto...

by Pedro Magalhães

Fifty fifty, finalmente

Posted May 28th, 2005 at 4:21 pm4 Comments

As sondagens divulgadas ontem, captando os presumíveis efeitos da dramatização final na campanha do referendo francês, relançam a incerteza. O Não vinha em (novo) crescendo desde a 2ª semana de Maio, e as sondagens dos dias 24 a 26 de Maio davam-lhe uma vantagem aparentemente confortável. Mas tudo se desvaneceu no último dia de campanha, com as sondagens TNS Sofres e CSA. Aliás, quem tivesse reparado nas notas de rodapé da última sondagem Ipsos de 25 de Maio não poderia senão ficar com dúvidas. Lá em baixo, em letras pequeninas bem escondidas, dizia-se:

(*) 23% des personnes interrogées, certaines d’aller voter, n’ont pas exprimé d’intention de vote

23% dos que disseram ter a certeza de ir votar não exprimiram intenção de voto. É muito.

É certo que há ainda a sondagem Ifop (56% para o Não) e que, apesar de tudo, o Não é maioritário nas duas restantes. Mas recordem-se de 1992. Na altura, o Sim aparecia com cerca de 53/54% das intenções de voto, e 70% dos eleitores prognosticavam uma vitória do Sim. Acabou o Sim com 51%. Agora, o Não aparece, em média, com 53%, enquanto que 50% dos eleitores prevêem uma vitória do Não (contra apenas 23% a preverem uma vitória do Sim), o que aponta para a possibilidade de uma desmobilização comparativa dos eleitores do Não.

Fifty- fifty. Mais que isto não é possível.

by Pedro Magalhães

Atenção!

Posted May 27th, 2005 at 11:47 pm4 Comments

TNS Sofres, 26 e 27 de Maio
Sim: 49%
Não:51%

CSA, 26 e 27 de Maio(pdf)
Sim: 48%
Não: 52%

Ifop, 26 e 27 de Maio
Sim: 44%
Não: 56%

São, que eu saiba, as únicas sondagens a poderem captar os efeitos do discurso ao país de Jacques Chirac. Duas mostram recuperação de última hora do "Sim", enquanto que outra mostra o "Não" a subir. Está mesmo tudo em aberto.

by Pedro Magalhães

França, últimas sondagens

Posted May 27th, 2005 at 10:16 am4 Comments

É possível que ainda se conheçam outros resultados até ao fim do dia, mas para já, estas são as sondagens conhecidas:

TNS Sofres, 24 Maio (quotas, 1000 inquiridos, face-a-face):
Sim: 46%
Não: 54%

Ipsos, 25 Maio (quotas, 804 inquiridos, telefone):
Sim: 45%
Não: 55%

CSA, 26 Maio (quotas, 1002 inquiridos, telefone):
Sim: 45%
Não: 55%

Há um reforço consistente no Não em relação às sondagens anteriores de cada um dos institutos, e a vantagem do Não é superior às margens de erro amostrais.

by Pedro Magalhães

Holanda

Posted May 25th, 2005 at 6:02 pm4 Comments

TNS Nipo, 18 de Maio
Sim: 33%
Não: 66%

Mas isto é só entre quem já tem intenção de voto. 35% ainda não sabem como irão votar (!) e 10% não respondem.

Volto Sábado, com a análise das sondagens da próxima 6ª feira em França.

by Pedro Magalhães

Os sondagistas franceses divertem-se

Posted May 25th, 2005 at 6:01 pm4 Comments

Question : Laquelle de ces personnalités, selon vous, incarnerait le mieux l’image de l’Europe dans le monde et dans les différents pays européens?

Sophie Marceau (France): 32%
Monica Belucci (Italie):16%
Adriana Karembeu (Slovaquie):14%
Cécile de France (Belgique): 4%
Pénélope Cruz (Espagne): 4%
Claudia Schiffer (Allemagne): 4%

Fonte: TNS Sofres

by Pedro Magalhães

Mais uma

Posted May 24th, 2005 at 3:39 pm4 Comments

Odivelas

Posted May 24th, 2005 at 2:09 pm4 Comments

Há muitos posts atrás, falei aqui de uma sondagem feita em Odivelas, depois de ter sido alertado por um leitor. Vale a pena ler esta deliberação da AACS sobre o assunto. Um excerto particularmente comovente:

Assevera que só após a recepção do ofício desta Alta Autoridade se perceberam de que há legislação sobre sondagens, facto que “completamente” desconheciam. Não obstante, aduz que antes da realização da “sondagem” tentaram, em vão, colher informações, junto do Instituto de Comunicação Social, sobre a legislação relativa a “este tipo de perguntas”. Quanto ao questionário escreve: “as três forças políticas, sobre as quais incidiam as perguntas, apenas nos alertaram para o facto de um dos partidos não ter candidato e isso influir no resultado, e pouco mais“. Para repetir que só após a recepção da carta da Alta Autoridade se aperceberam de que havia legislação “sobre este tipo de matérias”. A terminar, reitera a ignorância da legislação sobre sondagens, garante que não a voltarão a violar e afirma disponibilidade para publicar as rectificações que a Alta Autoridade para a Comunicação Social entender.

by Pedro Magalhães

Autárquicas

Posted May 24th, 2005 at 1:56 pm4 Comments

Alertado pelo Esquerdices, chego a um conjunto de sondagens Marktest sobre os candidatos que os eleitores acham que vão ganhar as eleições: Carrilho em Lisboa, Seara em Sintra, Rio no Porto, todos por margens consideráveis e com nunca menos de 20% de respostas "não sabe".

Interessante. Mas claro, não susceptível de ser confundido com intenções de voto (ver esta deliberação da AACS). Nas últimas legislativas, mais de 70% dos portugueses "sabiam" que o PS ia ganhar, o que não significa que nele votassem. E notem: a amostra é nacional. Ou seja, estas são as opiniões dos eleitores portugueses sobre o que se vai passar em cada um dos concelhos, não as dos eleitores de cada concelho. É, para já, uma medida do "clima político" apercebido pelos portugueses em relação a cada um dos concelhos, e muito contaminada pela visibilidade pública dos candidatos, nuns casos, e pela "incumbency", noutros.

by Pedro Magalhães