Pedro Magalhães

Margens de Erro

UK: as últimas antes do dia

Posted May 4th, 2005 at 1:18 pm4 Comments

Amanhã ainda são divulgadas sondagens no Reino Unido, dado que não há limitações à sua publicitação no dia das eleições. Contudo, as últimas sondagens de campanha estão feitas. Em vez de me lerem a mim, farão muito melhor em ler isto. Contudo, se ainda tiverem paciência, eis o resumo:

1. Trabalhistas à frente em todas as sondagens mais recentes. Se perdessem em votos, era o pior desempenho das sondagens britânicas desde 1992. E se perdessem em deputados, seria o maior cataclismo na história das sondagens desde que elas existem no mundo civilizado. Don't hold your breath;

2. Maior margem de vitória: 13% (Populus, 2 de Maio, telefónica);

3. Menor margem de vitória: 4% (Harris e Yougov, ambas internet polls);

4. Margem de vitória média: 8%;

5. Margem de vitória por tipo de sondagem e ordem decrescente: telefónicas; face-a-face; internet. Vamos ter um teste metodológico muito interessante, especialmente no contraste internet polls e o resto. Se as coisas voltarem a correr bem à Yougov, os efeitos no mundo das sondagens não serão negligenciáveis;

6. Quando mais exigente o filtro dos "votantes prováveis", menor a margem de vitória. Por outras palavras: eleitores Trabalhistas menos seguros de que irão às urnas;

7.Lib-Dems: em média, tendência de crescimento desde início de Abril. Mas não à custa dos Trabalhistas, e sim à custa dos Conservadores, pelo menos nas intenções de voto. Curioso e muito contraintuitivo. Claro, isto não quer dizer que haja transferências directas Conservadores-Lib-Dem's, mas sim que o saldo dos diversos tipos de transferências (de partidos para outros e da abstenção para o voto e vice-versa) tem sido favorável a Trabalhistas e Lib-Dem's desde o início de Abril. É quase garantido que vão ter o melhor resultado desde 1987, restando saber se conseguem superar 1983.

Como espremer mais algum interesse de umas eleições altamente entediantes? Difícil. A não ser para dizer que Gordon Brown é, em todas as sondagens neste momento, muitíssimo mais popular e confiado do que Tony Blair. Reforma antecipada?

by Pedro Magalhães

Obrigado

Posted May 4th, 2005 at 1:15 pm4 Comments

Ao Blasfémias e ao Insurgente pelas referências. De repente, o Sitemeter dá um grande solavanco..

by Pedro Magalhães

França, poll of polls (última sondagem: 2 Maio)

Posted May 3rd, 2005 at 12:49 pm4 Comments

Mais duas, e completámos o ciclo de todos os institutos de sondagens:

BVA, 30 Abril
Sim: 48%
Não: 52%

CSA, 2 de Maio.
Sim: 51%
Não: 49%

A poll of polls fica assim:

by Pedro Magalhães

Aborto II

Posted May 3rd, 2005 at 12:07 pm4 Comments

OK, o post anterior foi parcialmente ultrapassado pelos acontecimentos. Mas a questão de fundo permanece.

by Pedro Magalhães

Aborto

Posted May 3rd, 2005 at 9:46 am4 Comments

Sondagem Marktest:

De acordo com o Barómetro, 54,3 por cento dos portugueses votaria a favor da despenalização, contra 28,6 que optariam em sentido contrário. Outros 16 por cento disse não ter opinião ou então não querer responder.

Para além das questões da amostragem, as respostas a questões como esta são muito sensíveis à formulação da pergunta. Seja como for, numa sondagem da Católica de 14 de Janeiro de 2004, 69% diziam que votariam "Sim" à (cito) "despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado”. 25% votariam "Não" e 6% "Ns/Nr".

Assim, à partida, das duas uma:

1. Ou a formulação da pergunta foi determinante para a diferença (mas não sei como foi formulada a pergunta na sondagem Marktest);
2. Ou o apoio à despenalização diminuiu (ou pelo menos, aumentou a incerteza).

Mais certo é que não há razões para supor que os portugueses não querem o referendo. Em Janeiro de 2004, 56% achavam que a discussão sobre o tema era "muito oportuna". Agora, há mesmo 47% que acham que o referendo à despenalização deveria ocorrer antes do referendo europeu (contra 39% que pensam o oposto). No último artigo do Público, a Helena Matos confunde os seus próprios sentimentos com os da população. Um lapso comum.

Mas atenção: na sondagem da Católica de Janeiro de 2004, questionados sobre se "deveria ser só o parlamento a decidir se haveria uma alteração às leis do aborto ou se deveria haver um referendo", 73% optavam por referendo. Eu sei que a questão tal como formulada na sondagem é algo equívoca, dado que pode haver partes da lei alteradas por referendo e outras não. Mas o sentimento geral existe. E será ele compatível com um referendo que liberaliza o aborto por vontade da mulher até às 10 semanas ao mesmo tempo que, por via legislativa, se ampliam as causas médicas justificativas do aborto até às 16 semanas? Não estará aqui parte da explicação da diminuição de 69 para 54% de apoio à despenalização?

Não seria espantoso se os nossos políticos, por inépcia ou maximalismo, fizessem com que um novo referendo voltasse a resultar na inviabilização de uma alteração legislativa aparentemente desejada pela grande maioria da população (a despenalização do aborto por opção da mulher até às 10 semanas)? Vamos ver.

by Pedro Magalhães

Fifty-fifty two

Posted May 2nd, 2005 at 11:42 pm4 Comments

Fifty-fifty

Posted May 2nd, 2005 at 11:44 am4 Comments

Confirma-se a impressão já transmitida aqui: uma recuperação do Sim nas sondagens de intenção de voto no referendo em França. Nos estudos feitos no final de Abril, o Sim sobe nas sondagens IFOP (de 44 para 48%) e Sofres (de 45 para 52%), tal como já tinha subido em quase todas as restantes (excepto a BVA, mas a mais recente deles é de 19 de Abril). Porquê? Na sondagem IFOP, divulgada ontem, 54% dos simpatizantes Socialistas tencionavam votar Sim; na sondagem IFOP de 15 de Abril, 62% deles tencionavam votar Não.

by Pedro Magalhães

UK, recta final

Posted May 2nd, 2005 at 10:00 am4 Comments

A quatro dias das eleições, algumas das dúvidas começam a dissipar-se. Em particular, as intenções de voto nos Conservadores desceram em três das quatro sondagens divulgadas ontem (Domingo, dia 1 de Maio). Parece confirmar-se (de forma mitigada) a ideia de que "the Conservatives' aggressive campaign to impugn Mr Blair's personal integrity is in fact fuelling a sharp rise in his popularity".

Fica assim a poll of polls a quatro dias das eleições, incluindo as sondagens NOP, Yougov, ICM, Populus, Mori e Communicate Research, do dia 9 de Janeiro ao dia 1 de Maio. É certo que os valores médios são muito influenciados pela ICM e Yougov, que têm muitas sondagens. Mas isso não faz grande diferença, especialmente tendo em conta que, desde Abril, a dispersão entre os resultados das diferentes sondagens é relativamente reduzida em comparação com o período anterior.

by Pedro Magalhães

Marktest, 29 de Abril

Posted April 30th, 2005 at 2:25 pm4 Comments

Para que servem as sondagens sobre intenção de voto nos períodos entre-eleições?

Uma coisa para que de certeza não servem é para se dizer, como aqui, que "o Partido Socialista voltaria a ganhar com maioria absoluta as eleições caso estas se realizassem em Abril, se bem que com uma menor vantagem frente ao PSD, revela o Barómetro DN/TSF/Marktest". As versões online das notícias sobre o Barómetro Marktest, quer na TSF quer no DN, são omissas na ficha técnica quanto à percentagem daqueles que não responderam ou disseram não saber em quem votariam, mas é quase certo e sabido que essa percentagem é muito superior à verificada nas sondagens imediatamente antes das eleições. Nestas circunstâncias, dizer-se que "o PS voltaria a ganhar com maioria absoluta" (ou dizer-se o contrário) é pouco menos que absurdo.

Mas isso não quer dizer que estas sondagens sejam inúteis. Por um lado, a comparação ao longo do tempo das intenções de voto, se bem que nada nos diga sobre resultados eleitorais, diz-nos algo sobre tendências de aumento ou diminuição de apoio a estes ou aqueles partidos. Por outro lado, estes dados são relativamente interessantes: poucas semanas depois das eleições de 2002, o PSD já aparecia como derrotado nas sondagens de intenção de voto e a avaliação de Durão Barroso era já predominantemente negativa; contudo, o governo PS já tem "honeymoon period". Se isto significa que os portugueses adoram Sócrates ou se simplesmente significa que preferem que não os aborreçam com política, governos e oposições pelo menos até 2009 é que os números já não esclarecem cabalmente.

by Pedro Magalhães

As incógnitas do dia 5

Posted April 28th, 2005 at 3:56 pm4 Comments

David Cowling
Com um ponto muito importante que não desenvolvi no post anterior:

Labour's nightmare is that some of their 2001 voters will drift to third-placed Lib Dem candidates in key marginals with the result that a number of them will fall to the Conservatives.

E claro:

To avoid such a fate, Labour needs to motivate its supporters to turn out on polling day.


Alan Travis, no Guardian, com uma interpretação mais "optimista" dos trabalhos de Blair:

This difference underlies the central finding of this week's poll: the Conservatives' aggressive campaign to impugn Mr Blair's personal integrity is in fact fuelling a sharp rise in his popularity as the campaign goes into the final seven days.


Mas, no mesmo Guardian:

Labour is under mounting pressure in marginal seats in the face of strong voter scepticism and a disciplined Conservative attack which has reduced Labour's lead to 2% or less in key constituencies.









by Pedro Magalhães