Pedro Magalhães

Margens de Erro

UK update

Posted April 28th, 2005 at 2:08 pm4 Comments

Os meus comentários às sondagens para as eleições britânicas do próximo dia 5 têm sido um bocado voláteis . Aqui, as coisas estavam "mais abertas do que pensava", o o Partido Conservadores "subia". Aqui e aqui, já estava tudo resolvido.

Pois, era suposto ter qualquer coisa de mais definitivo para dizer. Mas a verdade é que:

1. Por um lado, é difícil acreditar que não esteja tudo resolvido. Por razões que expliquei aqui, e que têm a ver quer com o actual funcionamento do sistema eleitoral e quer com os padrões de comportamento eleitoral, a derrota dos Trabalhistas em número de deputados é uma enorme improbabilidade, mesmo que a derrota em percentagem de votos o seja menos.

2. Contudo, por outro lado, as sondagens têm apresentados oscilações estranhas. Parte da oscilação tem a ver com as dramáticas variações metodológicas entre os diferentes institutos: uso de entrevistas face-a-face, telefónicas ou pela internet; formas muito diferentes de filtrar os "votantes improváveis" (ou seja, de lidar com o problema da "abstenção diferencial"); e formas diferentes de ajustar os resultados aos efeitos da "espiral do silêncio" (ou seja, da diferente disponibilidade de diferentes votantes para assumirem a sua escolha eleitoral).

Tudo isto para dizer que, depois de muitos dias de boas notícias para Blair, a última sondagem Mori (26 de Abril) tem resultados perturbantes:

1. Apenas 2% de vantagem para os Trabalhistas;
2. Quanto mais exigente o "filtro" dos votantes prováveis, melhores os resultados dos Conservadores. Ou seja: eleitores trabalhistas mais hesitantes se irão votar ou não. Ou seja: quanto maior a abstenção, melhor o resultado dos Conservadores deverá ser. O voto Trabalhista revela-se, em parte, soft vote.
3. 57% dos eleitores não consideram Blair "digno de confiança". E as últimas notícias não deverão ajudar muito neste capítulo.

Uma derrota dos Trabalhistas continua a pertencer ao reino das grandes improbabilidades. E a desacreditação de Blair aos olhos dos ingleses, uma tendência inexorável desde a guerra do Iraque, deverá favorecer mais os Liberais Democratas do que os Conservadores, pelo menos em termos de percentagem de votos. Mas mesmo assim, o dia 5 merece atenção. O que sucede se, em face da mais que provável vitória de Blair e da sua erosão política, os eleitores Trabalhistas decidirem ficar massivamente em casa? Não seria a primeira vez que as sondagens se equivocam de forma catastrófica no Reino Unido...

by Pedro Magalhães

Poll of polls, referendo francês, 27 de Abril

Posted April 27th, 2005 at 10:46 am4 Comments

Cá está: a média móvel das últimas três sondagens sobre o referendo francês desde Junho de 2004, baseada nos resultados da Ipsos, CSA, BVA, Louis-Harris e Sofres. A sondagem mais recente é a da IPSOS, de 22 de Abril




1. Há um ponto de viragem claríssimo em meados de Março. A sondagem Sofres de 10 de Março é a última que dá "vitória" do Sim (tal como todas as anteriores). A sondagem CSA de 17 de Março é a primeira que dá "vitória" ao Não (tal como todas as seguintes). A dinâmica do Não só emerge, portanto, imediatamente após o anúncio da data do referendo, e corresponde, segundo os vários estudos, à mobilização do eleitorado de esquerda contra a Constituição Europeia.

2. Recuperação do sim? É ainda cedo para dizer, mas as sondagens mais recentes sugerem uma recuperação do "Sim" até um ponto em que se pode falar de "empate técnico". Aqui sugere-se algo que já tinha sugerido ontem: uma forte progressão do "Sim" entre o eleitorado UMF-UMP. Contudo, o "Sim" é já a opção de cerca de 80% do eleitorado da direita não-FN. Não há muito mais espaço para progressão.

3. No início de Março, dois em cada cinco simpatizantes do Partido Socialista francês tencionavam votar "Não". Hoje, são três em cada cinco. Jospin fala amanhã ao "povo socialista". É nas suas mãos - e dos líderes do PS - que está depositado o resultado do referendo de 29 de Maio.

by Pedro Magalhães

Referendo França

Posted April 26th, 2005 at 12:11 pm4 Comments

IPSOS,23 Abril:

Sim: 48%
Não: 52%

A IPSOS junta-se assim à Louis-Harris e à CSA a mostrar uma diminuição das opções "Não" ao referendo, mudança fundamentalmente explicada devido à mobilização crescente dos simpatizantes da direita parlamentar (a que não será estranha a intervenção televisiva de Chirac)

by Pedro Magalhães

Eleições UK

Posted April 26th, 2005 at 12:06 pm4 Comments

Vantagem dos Trabalhistas entre 10 e 5 pontos em todas as sondagens do fim de semana (ver aqui). Wake me up when it starts, pede Tim Hames no Times.

by Pedro Magalhães

Ratzinger

Posted April 22nd, 2005 at 4:44 pm4 Comments

Eu sei que não é o tema deste blogue, mas ler tantos disparates sobre o Cardeal Ratzinger torna-se um bocado cansativo. Quem ache que ele não passa de um "Panzerkardinal" faria bem em ler este artigo, um debate entre o "God's Rottweiler" e o perigoso conservador Jurgen Habermas. E já agora, se não for muita maçada, o nº1 do volume 156 da Brotéria (2002), com um artigo onde se menciona a recuperação feita por Ratzinger, aquando da divulgação do "terceiro segredo", das interpretações críticas do jesuíta Edouard Dhanis em relação às aparições de Fátima. Ou então leiam só isto:

"Though responses were made to his criticisms, Fr. Dhanis’ work became the reference for the adversaries of Fatima, and in progressivist circles he emerged as the leading "expert" on the subject. Father Dhanis never retracted any of his perfidious criticisms of Fatima, but his writings nevertheless continue to be consulted and referred to, by opponents of Fatima, as authoritative on the matter. For example, in The Message of Fatima, the June 26, 2000 booklet published by Cardinal Ratzinger and Archbishop Bertone, the only cited "authority" was Fr. Dhanis, whom Cardinal Ratzinger called an "eminent scholar" on Fatima." (completo, aqui, num site publicado pelos sectores ultraconservadores da Igreja Católica americana).

Curioso, não? Vantagens de ter este colega de andar no ICS...

by Pedro Magalhães

Últimas do referendo francês

Posted April 22nd, 2005 at 1:30 pm4 Comments

IFOP, 15 Abril: aumenta vantagem do Não
Não:56%
Sim: 44%

IPSOS, 18 Abril: aumenta vantagem do Não
Sim:45%
Não:55%

TNS- Sofres, 18 Abril: aumenta vantagem do Não.
Sim:45%
Não:55%

BVA, 21 Abril: aumenta vantagem no Não.
Sim:42%
Não:58%


Mas...
Louis-Harris, 18 Abril: diminui vantagem do Não
Sim:47%
Não:53%

CSA, 21 Abril: diminui vantagem do Não
Sim:48%
Não:52%

Tudo ainda em aberto...

by Pedro Magalhães

No news is good news for…Labour

Posted April 22nd, 2005 at 1:18 pm4 Comments

A leva de sondagens da última semana mostra apenas a consolidação da vantagem dos Trabalhistas. Essa vantagem oscila agora entre 2 (British Election Study, dia 20) e 8 pontos percentuais (Mori/Finantial Times, dia 19). Podendo parecer uma oscilação grande, é provavelmente irrelevante do ponto de vista da maioria absoluta de deputados.

Os resultados do BES aproximam-se muito dos resultados Yougov, por uma razão simples: os dados são os mesmos, só o tratamento é diferente. Assim, o resultado mais excitante destas eleições parece ser o que irá resultar da comparação entre os mais recentes "internet surveys" (BES, Yougov) e as sondagens "tradicionais" (telefone, face-a-face). Já os empregos dos senhores Blair e Brown parecem estar perfeitamente seguros.

by Pedro Magalhães

França 1992-2005

Posted April 15th, 2005 at 5:18 pm4 Comments



Fonte: BVA

by Pedro Magalhães

Eleições UK, 15 de Abril

Posted April 15th, 2005 at 10:42 am4 Comments

Tal como sucedeu com as sondagens para o referendo europeu em França (aqui), as sondagens sobre as eleições no Reino Unido entraram em convergência: agora é a da Yougov (pdf), que depois de um mês de empates entre Trabalhistas e Conservadores dá hoje uma vantagem de 5 pontos para Blair.

Assim sendo, já só há uma sondagem que coloca Trabalhistas e Conservadores a par: a do British Election Study itself. Agora é que se vai ver quem percebe mais deste assunto: os "académicos" do comportamento eleitoral ou os "técnicos" das empresas de sondagens? Temo pelos primeiros...

by Pedro Magalhães

Caos

Posted April 14th, 2005 at 12:58 pm4 Comments

O Causa Nossa dá conta de notícias sobre uma guerra de sondagens em Coimbra. Um candidato a candidato envia para os jornais resultados de uma sondagem "encomendada por um grupo de cidadãos". O outro candidato a candidato "responde com uma outra sondagem" (expressão preciosa). O jornal dá conta dos resultados genéricos de ambas ("um ponto de vantagem", "empate técnico", etc.).

A propósito das legislativas, a Alta Autoridade para a Comunicação Social já tinha emitido um comunicado sobre este tipo de situações, chamando a atenção dos órgãos de comunicação social que "ao publicarem ou difundirem dados de sondagens de opinião que não foram depositadas junto da Alta Autoridade para a Comunicação Social, os órgãos de comunicação social violam a Lei das Sondagens", afirmando esperar que "as direcções dos partidos políticos tomem providências para impedir as fugas de dados de sondagens de opinião que não foram depositadas" e que "órgãos de comunicação social recusem a publicação ou difusão de dados de sondagens de opinião que lhes forem fornecidos por partidos políticos, em violação da lei e com óbvios objectivos de propaganda."

Mas isto tem várias complicações. Deste ponto de vista, a partir de que momento está um órgão de comunicação social a violar a lei das sondagens? Quando informa que lhe partidos ou candidatos lhe fizeram chegar resultados? Quando descreve genericamente esses resultados? Ou só quando apresenta percentagens propriamente ditas? E tendo em conta que a chegada desses resultados à imprensa constituem tentativas óbvias de influenciar a opinião pública e, através dela, decisões políticas (neste caso, por parte de uma direcção partidária), haverá responsabilidade directa neste caso por parte de partidos e ou candidatos na violação de lei? Qual a capacidade de vigilância e represssão da AACS, tendo em conta que este e este casos são apenas, provavelmente, a ponta do iceberg do caos sondagístico que se anuncia para estas autárquicas? Se as "fugas" são inevitáveis, deverá a AACS poder coagir os partidos a depositarem também as suas sondagens? Se não, que sentido faz o depósito? E que sentido faz, afinal, a jurisdição da AACS sobre estas matérias? Não tenho resposta certa para qualquer destas perguntas.

by Pedro Magalhães