Pedro Magalhães

Margens de Erro

O (des)interesse por esta campanha

Posted January 18th, 2016 at 4:30 pm4 Comments

Google Trends, interesse relativo de pesquisa dos termos no Google, Portugal: 1. "cavaco silva" (vermelho) vs. "rebelo de sousa" (azul): Screen Shot 2016-01-18 at 16.25.26 2. "manuel alegre" (azul), "sampaio da póvoa nóvoa" (vermelho), "maria de belém" (laranja): Screen Shot 2016-01-18 at 16.28.13 P.S.-O "póvoa" não foi usado no Google Trends, mas foi apenas resultado do facto do auto-corrector do blogue teimar em recusar "nóvoa". Obrigado pela chamada de atenção.

by Pedro Magalhães

A “austeridade” nas eleições de 2015

Posted January 18th, 2016 at 12:33 pm4 Comments

A imprensa, especialmente a internacional, começou logo por comentar o resultado das eleições portuguesas pela lente da "austeridade". "Portugal government re-elected despite painful austerity". "Portugal’s austerity government wins". E há até quem tenha escrito que a austeridade tinha sido eleitoralmente vantajosa: "Austerity campaign pays off as Portugal’s centre-right edges into new term". Depois, quando se começou a perceber que um governo PSD/CDS não duraria, a interpretação balançou para o outro lado: afinal, "Portugal rejects austerity measures and ousts government". Austerity this, austerity that, a austeridade explica tudo, primeiro "vitórias", depois "derrotas".

Quem lesse estes títulos, imaginaria um eleitorado dividido em torno da "austeridade", os partidos da oposição recebendo os votos daqueles que se lhe opõem (pressuposição: muitos), os partidos de governo recebendo os votos daqueles que a defendem (pressuposição: menos mas alguns). Mas as coisas não se passaram exactamente assim. Desde logo, em Portugal, não há uma divisão entre eleitores que defendem "mais austeridade" e aqueles que querem "menos austeridade". O nosso inquérito pós-eleitoral tinha a seguinte pergunta:

"Pretendia agora saber se gostaria que o Estado fizesse mais ou menos gastos em várias áreas. Lembre-se que se disser “mais” isso pode implicar um aumento de impostos, e se disser “menos” isso pode implicar uma redução nos serviços públicos." As áreas em causa eram "saúde", "educação", "apoio aos desempregados", "defesa", "pensões de reforma", "apoio às empresas e indústria", "policiamento e segurança" e "benefícios sociais". As opções de resposta eram "muito mais", "mais", "o mesmo", "muito menos" e "menos.

O gráfico abaixo mostra um exemplo, a distribuição das respostas no que toca à saúde:

Saúde A grande maioria dos portugueses defende que se gaste "mais" ou "muito mais" na saúde, mesmo que isso implique um aumento de impostos. E o mesmo sucede, de resto, em todas as áreas sociais. Há uma minoria de pessoas que defendem que se gaste "o mesmo", mas o número dos que se atrevem a responder "menos" conta-se pelos dedos:

Slide09 Não devemos ficar demasiado surpreendidos. A distribuição de rendimento em Portugal é a que é — "a considerable wealthy elite and a mass of people with either an average or a low income", segundo a OCDE — e as atitudes em relação ao papel redistributivo do Estado são influenciadas por isso. E o discurso dos partidos políticos, previsivelmente, não se pode alhear a esta realidade. O PS de Seguro era contra a austeridade, o de Costa quis virar a página da austeridade, Catarina Martins defendeu que a austeridade era um roubo e Jerónimo de Sousa que a austeridade era para encher os bolsos à finança. Mas Passos Coelho também veio explicar que um seu governo não iria aplicar medidas de austeridade e que de resto nunca quis a austeridade (aliás, já em Março de 2011 Passos Coelho era contra a austeridade), enquanto Paulo Portas é "contra a divisão entre os que são pela austeridade e os que são contra a austeridade”.

Com esta distribuição de atitudes e com este discurso político, seria difícil esperar que estas preferências manifestas sobre os gastos do Estado se reflectissem no comportamento de voto. E assim foi. No gráfico abaixo, vemos como o votante médio de cada partido em 2015 (assim como o abstencionista médio) se posiciona nesta escala de 1 a 5, entre "gastar muito mais" e "gastar muito menos", no que toca à saúde (com os intervalos de confiança a 95%):

saúde partidos Sim, o eleitor médio da PaF esteve ligeiramente à direita dos restantes, mas muito ligeiramente. Entre os outros todos, nem há diferenças estatisticamente significativas. E a história é igual para todas as áreas: os eleitorados dos diferentes partidos (e os não-votantes) mal se distinguem entre si do ponto de vista da suas preferências em relação aos gastos do Estado nas áreas sociais:

Slide10 Ainda me passou pela cabeça ver se haveria diferenças entre os eleitores do PSD e do CDS em 2011 que votaram PaF em 2015 e aqueles que desertaram os partidos do governo, mas nem isso acontece: quem ficou na PaF e quem abandonou a PaF não o fez por achar que o Estado devia gastar mais ou menos nesta ou naquela área.

Fim da história? Não exactamente. O que é certo é que os partidos que estiveram no governo e que aplicaram políticas de austeridade durante pelo menos parte do mandato perderam votos (mais de 700 mil, quase 12 pontos percentuais), e os partidos da oposição ganharam votos. Isso acontece quase sempre em qualquer eleição: governar tem quase sempre custos. Mas onde é que os partidos de governo perderam mais votos? O gráfico seguinte compara a percentagem de pessoas que votaram PSD ou CDS em 2011 (recorro aqui ao nosso estudo pós-eleitoral de 2011) com a mesma percentagem dos que votaram na PaF em 2015, mas dentro de determinados segmentos do eleitorado. O gráfico mostra os ganhos/perdas (quase sempre as segundas) de 2011 para 2015 para os partidos da PaF em cada um desses segmentos:

Perdas PaF As perdas da PaF não estiveram distribuídas aleatoriamente. Entre aqueles que diziam ter um "baixo" ou "muito baixo" nível de vida em 2011, 49% votaram no PSD ou no CDS. Em 2015, entre os que se classificam dessa forma, foram 19% a votar na PaF, uma perda de 30 pontos. Perdas elevadas também entre os desempregados, entre os que perderam o emprego desde 2011 (ou que tiveram familiares a quem isso sucedeu), entre os pensionistas, entre os que se descrevem como pertencendo a uma classe "baixa" e entre os que pertencem a agregados familiares com rendimento líquido inferior a 750 euros por mês. Perdas mais baixas ou nulas entre os que pertecem a agregados familiares com os mais altos rendimentos, entre os que trabalham no sector privado e entre os que têm acções, obrigações ou fundos. Curiosamente, as perdas junto dos que trabalham no sector público ou dos que são donos de um negócio são semelhantes, relevantes mas não das mais altas ou das mais baixas, o que sugere que são categorias bastante heterogéneas que terão de ter uma análise mais fina.

Passos Coelho descreveu há uns anos o PSD como um partido "reformista, personalista e interclassista". "Interclassista" é, de facto, um termo muito usado acerca do PSD, desde os tempos do próprio Francisco Sá Carneiro. E não há dúvida que os principais marcadores de classe e de situação sócio-económica dos eleitores nunca ajudaram muito a explicar o comportamento de voto, nem no PS nem no PSD. Contudo, as perdas dos partidos da PaF nestas eleições estão bem localizadas socialmente. Parte dessas perdas deve-se certamente à insatisfação que qualquer pessoa que tenha problemas económicos sente em relação a governos que não resolveram esses problemas (os que estavam desempregados em 2011 não foram a correr votar no PS, por exemplo). Contudo, as perdas da Paf junto dos desempregados, dos inactivos e especialmente dos eleitores com mais baixos níveis de vida são evidentes e, a par das reduzidas perdas no outro extremo da distribuição, falam-nos de uma direita que ficou com um eleitorado mais socialmente rarefeito.

Estas análises são descritivas, meros cruzamentos de variáveis, e carecem de confirmação com análises mais sofisticadas. Mas elas sugerem que, a ter havido um efeito da "austeridade", terá sido por aqui: não tanto em termos das políticas que os eleitores acham que devem ser adoptadas em abstracto (o Estado "gastar mais" ou "gastar menos"), mas sim a nível da percepção de como governou e, muito especialmente, para quem governou o anterior governo. Os que aspiram a um PSD interclassista têm razões para alguma preocupação.

by Pedro Magalhães

Presidenciais: sondagens divulgadas até 16 de Janeiro

Posted January 16th, 2016 at 12:26 pm4 Comments

Presidenciais 16 jan 16 Inclui a sondagem da Eurosondagem divulgada ontem.

by Pedro Magalhães

As transferências de voto de 2011 para 2015

Posted January 15th, 2016 at 9:36 am4 Comments

No âmbito da Infraestrutura das Atitudes Sociais e Políticas dos Portugueses (IASPP) financiada pela FCT (RECI/IVC-SOC//0476/2012), resultado de uma colaboração institucional entre o ICS, o ISCTE, e o ISCSP, foi realizado um inquérito pós-eleitoral a uma amostra representativa da população residente no Continente. O inquérito foi feito pela GfK Portugal, tem uma amostra de 1499 inquiridos, escolhidos aleatoriamente em 105 pontos de amostragem no país, eles próprios aleatoriamente seleccionados com estratificação por NUT II e habitat. Foi aplicado entre 17 de Outubro e 7 de Dezembro. Teve uma taxa de resposta de 45%. Nesta pasta, encontram o questionário, um relatório metodológico e a própria base de dados. Fica aqui enquanto não terminamos as mudanças no nosso site que permitirá o alojamento desta informação. O questionário acolhe a totalidade do módulo 4 do Comparative Study of Electoral Systems, parte do questionário do Comparative National Elections Project, e um conjunto adicional de perguntas específicas a Portugal, para permitir comparabilidade com inquéritos anteriores (este é o quinto, depois de 2002, 2005, 2009 e 2011) e medir aspectos específicos às eleições portuguesas. Trabalhei neste projecto com a Marina Costa Lobo, a Edalina Sanches e o João Tiago Gaspar.

A distribuição da pergunta sobre recordação de voto/abstenção no inquérito foi a seguinte (entre parêntesis, desvio em relação aos resultados eleitorais no Continente): PaF 26.4% (+4.3), PS 25% (+6.3), BE 7.1% (+1.2), CDU 7.9% (+3.0), Outros 1.9% (-2), BeN 3% (+.9), Abstenção 29.2% (-13.2). Nota-se portanto uma subestimação da abstenção, habitual nestes inquéritos, mas cuja magnitude real não conhecemos, dado que os resultados oficiais não são eles próprios fiáveis, devido à abstenção técnica. A distribuição de votos foi a seguinte: PaF 37.3% (-1.0), PS 34.6% (+2.1), BE 10.1% (-0.2), CDU 11.1% (+2.8), Outros 2.7% (-4.0) e BeN 4.3% (+0.6). Por outras palavras, PS e CDU sobrestimados, PaF e BE subestimados, Destes desvios, apenas os que existem em relação à captação dos "Outros" e da CDU estão acima do que seria "autorizado" estritamente do ponto de vista do erro amostral. Seja como for, para lidar este problema, construí um ponderador que, aplicado a todas a análises, corrige estes desvios.

A primeira coisa para onde fui olhar foi para as transferências de voto de 2011 para 2015. O inquérito tem uma pergunta sobre comportamento de voto em 2011, e cruzando-a com o comportamento de voto em 2015 é possível fazer uma matriz de transferências. Há riscos neste exercício. Por um lado, a memória é falível e selectiva, especialmente em relação a um evento ocorrido há mais de quatro anos. Por outro lado, com percentagens consideráveis de pessoas que recusam responder quer à questão do comportamento de voto em 2011 quer à de 2015 (277 em 1499 não nos quiseram dizer se votaram e em quem votaram em 2015, por exemplo), estes fluxos têm margens de erro importantes associadas e, nalguns casos, há células com muito poucas observações. Mas assumindo o risco, aqui vai (ignorei todos os fluxos menores ou iguais a 0.5% da amostra):

Unknown Este diagrama (já agora, chama-se "diagrama de Sankey", e fi-lo usando as funcionalidades deste SankeyMatic) mostra várias coisas:

1. A maior parte das perdas dos partidos da PaF em relação a 2011 foram para a abstenção, detectando-se também perdas (bastante menores) para o PS e para o BE.

2. O PS vai buscar votos a anteriores abstencionistas e, em muito menor grau, ao PSD e ao CDS em 2011, mas esses ganhos mal compensam as saídas de seus anteriores votantes para a abstenção e, em menor grau, para o BE e para a PaF.

3. O eleitorado da CDU mantém-se em grande medida estável: perde um pequeno contigente para a abstenção, vai buscar o equivalente a não-votantes de 2011.

4. O Bloco tem uma ligeira perda para a abstenção, largamente compensada pela capacidade de manter a maior parte dos seus eleitores de 2011 e por ganhos junto de não-votantes de 2011, antigos votantes dos partidos da PaF e, especialmente, votantes no PS em 2011.

Onde é que os partidos da PaF perderam eleitorado? O que impediu o PS de crescer, nomeadamente indo buscar mais anteriores abstencionistas e anteriores votantes no PSD ou no CDS? De que é feito este crescimento do BE, e que tipo de eleitores foi buscar aos outros partidos e anteriores abstencionistas? Vou tratar estes temas em três posts futuros.

by Pedro Magalhães

“As sondagens têm-se enganado cada vez mais em Portugal”

Posted January 14th, 2016 at 2:06 pm4 Comments

Mais um caso de alguém que não se sabe se acredita ou se apenas diz que acredita. Francisco Louçã afirma que "as sondagens têm-se enganado cada vez mais em Portugal", e comprova (ou ilustra) dizendo que "a sondagem que é publicada mais regularmente afirmava, uma semana antes das eleições legislativas, que o PS estava à frente e que o Bloco ia baixar". Mas isto não cola. Por um lado, não há qualquer sinal de que "as sondagens se enganem cada vez mais em Portugal". A haver sinais, são os opostos: o número de anos passados desde 1991 até 2009 têm um coeficiente negativo na sua relação com o desvio absoluto médio entre os resultados das sondagens e os resultados das eleições:

Screen Shot 2016-01-14 at 13.47.18 Por outro lado, mesmo que se presuma que Louçã se refere a uma tendência recente, também não se consegue discernir uma "tendência" nas legislativas ou nas presidenciais. E comprovar essa tendência recorrendo a uma sondagem de 21 de Setembro (a duas e não uma semana das eleições), a última sondagem publicada que colocou o PS à frente da PaF, e da única empresa que o fez desde pelo menos Agosto, também não me parece certo. Em suma, mais "wishful thinking".

Já as observações sobre as dificuldades especiais nas presidenciais talvez se apliquem (mas no argumento usado apenas nas eleições onde o presidente é candidato), mas isso é outra questão.

by Pedro Magalhães

Hinos de campanha

Posted January 14th, 2016 at 12:42 pm4 Comments

Os hinos partidários e de campanha são uma tradição que se está a perder mas merece todo o nosso carinho. Infelizmente, o seu impacto no comportamento eleitoral está por explorar: mais uma lacuna na nossa investigação. Mas não faltam bons exemplos passados. Vejam este medley, por exemplo, e o irreprimível entusiasmo que se detecta na primeira fila:

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=LjVYJZXz6LQ[/embed] Ou o hino do CDS, salvo erro por Dina:

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=M1q7ppbBnRg[/embed] O clássico dos clássicos, A Carvalhesa, imediatamente reconhecível (sem letra porque, já se sabe: inflexibilidade estratégica mas flexibilidade táctica):

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=g-KdKuxZDL8[/embed] "Está na hora", no fundo o que seria se o saudoso Grupo de Acção Cultural - Vozes na Luta decidisse fazer uma mistura entre Ska e Kurt Weil e não soubesse cantar nem tocar instrumentos musicais:

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=U4JbHEqBIN8[/embed] Ou ainda "É do Costa que o nosso povo gosta (o povo merece, vota PS)", que se comenta a si próprio:

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=zFKcDqwfzfA[/embed] Noto por isso com preocupação que há poucos hinos nestas presidenciais. Contudo, há pelo menos três candidatos que não desiludem:

Henrique Neto, com "Presidente Independente":

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=HscqOIxAXcU[/embed] Paulo Morais, com o breve e directo "Vota Morais":

[embed]https://youtu.be/qZvs2aJZJhg?t=2m47s[/embed] Sampaio da Nóvoa, nem precisa de título:

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=gXtixER1-Bc[/embed] Surpreende-me que Vitorino Silva não tenha hino de campanha propriamente dito, tendo em conta este precedente:

[embed]https://www.youtube.com/watch?v=1HC9dxcqF0A[/embed] Sei que é preciso poupar, o país não está para devaneios, queremos campanhas sérias e modestas. Mas toda a gente gosta de música e é preciso mobilizar o povo. Depois queixem-se da abstenção.

by Pedro Magalhães

“Marcelo acredita que eleitores já sabem se vão votar e em quem”.

Posted January 13th, 2016 at 3:40 pm4 Comments

Aqui. Não sei se acredita ou se diz acreditar, mas vejamos o que se sabe:

1. Em eleições legislativas, há uma parcela significativa de pessoas que decidem se vão votar e em quem relativamente tarde. Ou pelo menos é o que elas próprias nos dizem, nos inquéritos pós-eleitorais, que terá sucedido: 9% em 2002, 17% em 2005, 10% em 2009 e 9% em 2011 decidiram na última semana. E isto é em relação ao total de eleitores. Em relação ao total de pessoas que realmente votaram, em 2011, foram 20% os que dizem ter decidido a sua escolha na última semana (e mais ainda em 2005). Logo, por aquilo que as pessoas nos dizem, há uma parcela não irrelevante delas a decidirem tarde. Isto não quer dizer que estas decisões sejam suficientes para mudar o curso de uma eleição: se estas decisões tardias tiverem uma distribuição exactamente igual à das decisões precoces, nada muda. Mas isso não acontece exactamente assim, pelo que sabemos.

2. Outra maneira de olhar para o assunto é através das sondagens. Estamos a 11 dias da eleição, certo? Basta ler o artigo do Miguel Maria Pereira para ver a quantidade de coisas que pode acontecer a 11 dias de uma eleição. A 11 dias da reeleição de Cavaco em 2011, ainda havia sondagens que lhe davam acima dos 60%. A 11 dias da sua eleição em 2006, o seu score médio nas sondagens era de 58%. A 11 dias da reeleição de Sampaio, todas as sondagens lhe davam mais de 60%. Etc.

Há muito caminho para andar, e os precedentes não são favoráveis ao candidato "favorito", pelo que se percebe o "wishful thinking" de Marcelo.

by Pedro Magalhães

Sondagens presidenciais

Posted January 11th, 2016 at 12:56 pm4 Comments

Nova sondagem da Aximage, numa eleição onde tem havido muito poucas. As que conheço com o menu final de candidatos. A bold, resultados após redistribuição de indecisos.

presidenciais jan 16 Olhando apenas para as sondagens da Aximage, tendência de descida de Marcelo, descida de Belém, recuperação de Nóvoa. Olhando para todas, muita dispersão nos resultados de Marcelo. Esta semana sei que teremos Eurosondagem, veremos que mais aparece...

P.S.- Corrigido com a ajuda do @FHenriques: faltava a última da Eurosondagem.

by Pedro Magalhães

Portuguese presidential election polls

Posted December 11th, 2015 at 8:06 am4 Comments

Very few so far, at least with the definitive roster of candidates:

presidenciais 11 dez

Marcelo Rebelo de Sousa, probably the best known politician in the country who does not currently hold any major office (he has been a political pundit on television for 15 years, after having presided over the PSD, which he joined very early on, in 1974), has a huge advantage over everybody else, with most recent polls giving him well above the 50% majority he needs to avoid a second round. He's endorsed by the parties on the right.

More data from the Catholic University poll out today:

ng5388416 Marcelo (the colloquial first name treatment is common in his case, although journalists call him "Professor") gets almost every single voter of the parties on the right, but he also makes serious inroads in the electorates of the major parties on the left. For an hypothetical second round, any of the major opponents is equally pulverized.

I wouldn't be surprised if these polls end up representing the high mark of Marcelo's bid for the presidency. Things are bound to become more complicated as the campaign progresses. Partisans and partisanship will be activated, and Marcelo has to debate the other candidates, which may lead to him being asked actual questions (so far, journalists have treated him with the reverence due to a senior colleague). But he remains, by very very far, the favorite.

by Pedro Magalhães

Sondagens presidenciais, actualização

Posted December 10th, 2015 at 1:24 pm4 Comments

Do que consigo retirar das notícias — por vezes a informação não é absolutamente clara, e os depósitos na ERC estão muito atrasados — eis as três sondagens divulgadas até ao momento com o menu estabilizado de candidatos: sondagens presidenciais Os resultados a negrito são após redistribuição de indecisos, seja a apresentada pela empresa seja a feita por mim (presumindo que se redistribuem proporcionalmente pelas opções válidas). Permanece um enorme contraste entre as duas empresas, e nada muda de significativo nas sondagens da Aximage.

O estudo da Aximage tem mais informação potencialmente interessante, nomeadamente no cruzamento entre intenção de voto em legislativas e a intenção de voto nas presidenciais (o texto do artigo fala em "eleitorado que votou no BE nas legislativas", mas não pode ser, porque aparecem distribuições para o CDS e para "indecisos", e quem eu saiba não há indecisos em relação a comportamentos passados). Infelizmente, sem saber a dimensão das sub-amostras por partido, não é fácil saber o grau de incerteza dessas distribuições, que deve ser muito alto nos partidos mais pequenos. Para além disso, não se percebe em relação a quê são calculadas estas percentagens. A coluna do PSD soma 93,3%, a do CDS soma 49,7%, a do BE 72,4%, sinceramente não decifro isto, desculpem, talvez alguém que leia este post possa ajudar. Sem perceber o que é isto, não comento.

by Pedro Magalhães