Pedro Magalhães

Margens de Erro

Legislativas. CESOP/Católica, 25-26 Abril, N=1244, Presencial.

Posted May 4th, 2009 at 7:06 am4 Comments

PS: 41%
PSD: 34%
BE: 12%
CDU: 7%
CDS-PP: 2%
OBN: 4%

Mais detalhes aqui.

Em grande medida, esta sondagem CESOP/Católica mostra continuidades com o estudo anterior (de Dezembro passado) e com outras sondagens de outros institutos. O PS continua a ser o partido com mais intenções de voto, como em todas as sondagens de todos os institutos realizadas desde, pelo menos, Novembro de 2005. Da mesma forma, está aquém da maioria absoluta, como em quase todos os estudos divulgados desde o "caso da licenciatura". O Bloco de Esquerda, que nos dois estudos anteriores do CESOP estava praticamente empatado com a CDU, passa-lhe desta vez à frente, na linha das outras sondagens entretanto divulgadas. Francisco Louçã continua a ser o líder partidário avaliado mais favoravelmente pelos eleitores, ao passo que José Sócrates continua em terreno negativo. A avaliação que é feita do governo pela maioria dos eleitores - e não apenas pelos votantes prováveis - continua também negativa: 61% classificam-no como "mau" ou "muito mau", contra 60% no estudo de Dezembro. E da mesma forma, a maioria (54%, contra 56% em Dezembro passado) continua a achar que nenhum partido da oposição faria melhor que o actual governo se estivesse no poder. Até a votação no CDS-PP, que nas últimas sondagens do CESOP tem aparecido com valores particularmente baixos, não foge àquilo que a tem caracterizado nos últimos meses: uma enorme instabilidade. Em todas as sondagens feitas desde Outubro, mesmo retirando as do CESOP, o CDS tem obtido valores que oscilam entre os 4% e os 10%.

Dito isto, estes resultados suscitam uma questão interessante. Uma das tendências do conjunto de todas as sondagens conduzidas por todos os institutos desde 2005 é a de uma aparente diminuição da bipartidarização do sistema, expressa na soma de votos do PS e do PSD. Nas eleições de 2005, PS e PSD obtiveram, em conjunto, 74% dos votos. Mas se olharmos para todas as sondagens conduzidas nos últimos seis meses, são raros os casos em que essa soma correspondeu a mais de 70%. Este estudo, contudo, recoloca a soma dos dois partidos em 75%, dada a subida do PSD em quatro pontos percentuais desde Dezembro. Várias hipóteses se levantam aqui. A primeira, que não podemos excluir, é que esta sondagem não esteja a captar, por razões metodológicas difíceis de inventariar ou por mero erro amostral, essa real queda do Bloco Central. A segunda é que, pelo contrário, a queda do Bloco Central tenha sido algo sobrestimada por outras sondagens. A verdade é que as sondagens do CESOP nunca apontaram para perdas tão drásticas como as de outros institutos (o valor mais baixo desde 2005 foi, precisamente, o de Dezembro passado, 71%). E a terceira, mais interessante, é que a aproximação das eleições esteja agora a reconduzir eleitores aos principais partidos - especialmente ao PSD - , motivados, entre outras coisas, por considerações de natureza estratégica (ou seja, pelo "voto útil"). Teremos de esperar por mais estudos (ou pelas próprias eleições) para percebermos qual delas (se alguma) é a mais plausível.

(comentário publicado também em versão abreviada no DN; o título foi atribuído pelo jornal)

by Pedro Magalhães

Ainda o CDS-PP

Posted May 3rd, 2009 at 8:01 am4 Comments

No Twitter, depois de admitir o erro (obrigado), o @solechuva volta à carga:




Então vamos lá:


Lisboa 2007:

Última sondagem CESOP pré-eleitoral: 4% para o CDS-PP; resultado final: 3,7%


Madeira 2007:´

Última sondagem CESOP pré-eleitoral: 5% para o CDS-PP; resultado final: 5,3%


Lisboa 2005:

Última sondagem CESOP pré-eleitoral: 7% para o CDS-PP; resultado final: 5,9%


Legislativas 2005:

Última sondagem CESOP pré-eleitoral: 6% para o CDS-PP; resultado final: 7,2%


Nas Europeias estamos assim:


1999:

Última sondagem CESOP pré-eleitoral: 6% para o CDS-PP; resultado final: 7,2%



by Pedro Magalhães

Dois a mais

Posted May 2nd, 2009 at 9:44 pm4 Comments

Um senhor chamado António Carlos Monteiro, que parece que é deputado e já foi Presidente do Conselho de Administração da EMEL, "vereador a meio tempo na CML" e "docente na Universidade Moderna" (ena) esteve há momentos na RTP-N a dizer que, nas últimas regionais dos Açores, o CDS-PP teve o dobro dos votos que aquilo que uma sondagem da Católica previa. Para quem estiver a ver, queria só informar que não faço ideia do que está este senhor a falar. Por um lado, o CESOP/Católica não conduziu qualquer sondagem antes do dia das eleições nos Açores. Por outro lado, na sondagem à boca das urnas, o CESOP estimou que o CDS-PP teria um valor entre 7 e 9 por cento. Teve 8,7%. No Twitter, há outra pessoa - ou será a mesma - que acha que uma mentira repetida muitas vezes se torna verdade.

Ainda bem que eu sei que o CDS-PP não é só isto. Caso contrário, ficaria a pensar que 2% de votos eram dois a mais.

by Pedro Magalhães

Sondagens, esta e as outras

Posted May 2nd, 2009 at 2:18 pm4 Comments

No post abaixo, há perguntas e respostas. Quero apenas esclarecer dúvidas, mas é inevitável que, perante certos comentários, passe à defensiva (ou, como neste caso mais infeliz, mais à ofensiva). Mas não deixem que o facto de estar a explicar (e num certo sentido, claro, "defender") a sondagem faça com que percam a bola de vista. E a bola, para esta sondagem como para todas as outras, é esta:

1. Uma sondagem é só uma sondagem. Precisamos de mais para perceber se o que aqui aparece estará a captar algo real ou será fruto de erro aleatório ou outro problema qualquer. Os resultados do PS e do PSD parecem-me muito congruentes com o que ando a dizer sobre isto há algum tempo. Mas claro que estou surpreendido com os resultados da CDU e do CDS-PP. Surpreendido, mas não disposto a trocar estes resultados por "intuições" ou outras "crenças".

2. Esta sondagem, apesar de, do ponto de vista temporal, estar a uma distância curta das eleições, está, pelos vistos, para os eleitores, a uma distância mental imensa. Quando mais de 80% das pessoas recenseadas não sabem que são os cabeças de lista do PS ou do PSD, e quando mesmo entre os simpatizantes de cada partido, os valores são superiores a 70%, isto significa que há muito muito caminho para percorrer.

by Pedro Magalhães

Europeias. CESOP/Católica, 25-26 Abril, N=1244, Presencial.

Posted May 1st, 2009 at 8:57 pm4 Comments

PS: 39%
PSD: 36%
BE: 12%
CDU (PCP-PEV): 7%
CDS-PP: 2%
Outros: 2%
Branco/nulo: 2%

Mais detalhes aqui.

by Pedro Magalhães

Porto. Eurosondagem, 22-24 Abril, N=721, Tel.

Posted April 30th, 2009 at 9:11 am4 Comments

PSD/CDS-PP: 46,4%
PS: 34,8%
CDU: 7,6%
BE 7,4%
OBN: 3,8%

by Pedro Magalhães

Lisboa. Eurosondagem, 26-28 Abril, N=1025, Tel.

Posted April 30th, 2009 at 9:08 am4 Comments

PS: 38,3%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT: 31,1%
Cidadãos por Lisboa: 9,6%
CDU:8,0%
BE:6,1%
OBN:6,9%

by Pedro Magalhães

Legislativas. Marktest, 14-19 Abril, N=803, Tel.

Posted April 29th, 2009 at 1:52 pm4 Comments

PS: 36,2% (36,7%)
PSD: 26,4% (28,4%)
BE: 13,6% (12,6%)
CDU: 11,2% (8,9%)
CDS-PP: 8,3% (9,4%)
OBN: 4,3% (4,0%)

Aqui (via Eleições 2009).

by Pedro Magalhães

EU Profiler

Posted April 26th, 2009 at 8:22 am4 Comments

Aí está o EU Profiler. Há semelhanças com instrumentos anteriores, como o Political Compass, o Moral Politics ou o Political Matrix. Mas a diferença aqui, tal como no original KiesKompas ou no Smartvote, é que a aplicação está explicitamente concebida não para posicionar ideologicamente o inquirido em abstracto, mas sim para conciliar isso com o que se passa num contexto eleitoral concreto. Há partidos ou candidatos, esses partidos e candidatos têm posições, e o que a aplicação faz é comparar as posições dos inquiridos com as dos partidos. O sucesso disto na Holanda e na Bélgica tem sido brutal: mais de 10% dos eleitores reportam, em inquéritos pós-eleitorais, ter recorrido a uma voter advice application.

Normalmente, estas aplicações presumem a existência de duas dimensões: uma de "esquerda/direita" socioeconómica e outra de "conservador/progressista" no domínio dos valores sociais. O EU Profiler assume que estes temas escalam numa mesma dimensão e transformam a segunda numa dimensão pró-anti Europeia. Percebo a ideia, tendo em conta que as eleições são europeias e que é preciso dar peso a esse aspecto. Mas na verdade, a dimensão pró-anti Europeia tende a escalar com o conservadorismo-progressismo: "support for European integration tends to be high among parties that can be characterised as Green/Alternative/Libertarian (GAL) and low among parties that rather qualify as Traditional/Authoritarian/Nationalist (TAN)". Logo, pode haver aqui um problema.

Outra dificuldade é que, apesar do esforço louvável para tornar o inquérito mais próximo de cada contexto eleitoral e de permitir que sirva como "voting advice", a verdade é que todas as respostas continuam a ser medidas numa escala "abstracta" esquerda/direita ou pró/anti integração. Assim, eu percebo que se pergunte, por exemplo, pelo referendo europeu. Mas tenho dúvidas sobre como se codificam as respostas: ser-se pelo uso do referendo é ser-se pró ou anti-integração? Da mesma forma, questões sobre o TGV ou a regionalização ajudam a que nos aproximemos de conflitos políticos concretos, mas como se codificam as respostas numa escala esquerda/direita?

Numa ou noutra perguntas, a tradução poderia estar melhor (o que significa "tornar a imigração mais restritiva"?) mas enfim. Dito tudo isto, parece-me bom nesta aplicação, apesar de tudo, o esforço de contextualização, a preocupação com medir a saliência de cada tema para as pessoas, o esforço em documentar o posicionamento dos partidos com textos de programas, moções e declarações públicas, e a flexibilidade da ferramenta (permitindo comparações focalizadas). E uma declaração de interesses: estou neste momento a trabalhar com outras pessoas na possibilidade de adaptar esta aplicação para as eleições legislativas. Todos os comentários e opiniões que nos façam chegar sobre o EU Profiler são bem vindos.

by Pedro Magalhães

Autárquicas, Lisboa. Aximage, 21-23 Abril, N=600, Tel. (revisto)

Posted April 25th, 2009 at 7:04 pm4 Comments

PS:36,1%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT:29,6%
CDU:8,4%
Cidadãos por Lisboa: 7,1%
BE:3,8%

Aqui. A notícia não diz quantos dos restantes 15% são votos brancos, nulos, noutros partidos ou indecisos.

P.S.- Um amigo fez-me chegar os resultados completos. Aqui vão:

Com indecisos:
PS:36,1%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT:29,6%
CDU:8,4%
Cidadãos por Lisboa: 7,1%
BE:3,8%
OBN: 5,2%
Indecisos: 9,8%

Redistribuição proporcional:
PS:40%
PSD/CDS-PP/PPM/MPT:32,8%
CDU:9,3%
Cidadãos por Lisboa: 7,9%
BE:4,2%
OBN: 5,8%

by Pedro Magalhães