Pedro Magalhães

Marktest, 19-24 Out., N=807, Tel.

Após redistribuição proporcional de indecisos:

PSD: 42%
PS: 25%
BE: 10%
CDU: 8,3%
CDS-PP: 8%

Fonte aqui. Comparar com sondagem anterior: PSD sobe quatro pontos, PS desce quase 11, vantagem de PSD sobre PS passa de pouco mais de 2 pontos para 17.

Sobre isto, acho que vale a pena fazer um comentário. É certo que Portugal é um país onde há muita volatilidade de eleição para eleição, onde o voto se encontra pouco ancorado socialmente, e onde
muitos eleitores declaram não se sentirem próximos de qualquer partido e respondem “5”  (“centro”) quando convidados a posicionarem-se ideologicamente numa escala de 0 (esquerda) a 10 (direita). Logo, flutuações importantes de sondagem para sondagem não são coisa que nos deva espantar demasiado, porque o voto se encontra comparativamente pouco ancorado em factores sociais, psicológicos ou ideológicos que que lhe dêem estabilidade. Dito isto, a diferença entre esta sondagem e a anterior é muito grande. Uma ideia, nada original, seria fazer nessas sondagens algumas perguntas que nos permitissem algum controlo sobre a “representatividade política” da amostra.

Em tempos, a Marktest (e outras empresas) perguntavam aos inquiridos como tinham votado na eleição anterior e usavam esses resultados para ponderar as intenções de voto. Por exemplo, se na amostra a percentagem daqueles que dizem ter votado em 2009, digamos, na CDU, fossem metade daqueles que realmente votaram, o resultado ponderado duplicaria as intenções de voto nesse partido para a sondagem em concreto. Sempre me pareceu má ideia fazer isso, pela simples razão de que a memória da pessoas é muito selectiva. Uma alternativa preferível seria perguntar às pessoas de que partido se sentem mais próximas ou o seu posicionamento ideológico. Há inquéritos – como o European Social Survey, realizado de 2 em 2 anos – onde essas questões são colocadas a amostras de qualidade necessariamente muito superior às de uma qualquer sondagem eleitoral e onde a distribuição obtida poderia servir de “gold standard” para uma comparação. É evidente que identificação partidária ou posicionamento ideológico não são imutáveis, mas são bastante mais estáveis e fiáveis que a recordação de voto numa eleição ocorrida há meses ou anos. Conhecendo esses resultados para a sondagem eleitoral, ficaríamos com uma ideia sobre o que poderia estar por detrás de mudanças tão grandes como as detectadas nas duas últimas sondagens da Marktest, e se essas mudanças reflectem – como até é plausível que tenha sucedido – reais mudanças nas preferências das pessoas.

Nada disto é novo, e encontramos este tipo de discussão com muita frequência sobre as sondagens feitas nos Estados Unidos. Um exemplo.

4 Comments

  1. JP Santos says:

    Qual é a evolução da percentagem de indecisos ?

  2. Nos documentos que vi sobre a sondagem – no site da TSF – essa informação não está disponível. Mas estará certamente dentro de dias aqui: http://www.marktest.com/wap/a/p/id~e9.aspx

  3. Augusto says:

    AS sondagens da Marktest sempre tiveram um grande problema, as grandes alterações no resultado dos partidos.

    Ao PSD já foi atribuido em anterior sondagem 47% e depois 38% agora 42%

    O PS passar de 36 para 25, com os partidos á sua esquerda a subirem pouco, não só não é credivel , como as sucessivas eleições não o demonstram.

    E porque será , que é sempre a Marktest que por acaso publica sondagens á sexta-feira, e desta vez fê-lo á quinta, que tem este tipo de saltos bruscos.

  4. Tarbash says:

    O El Mundo fazia há poucos dias as perguntas certas (e que transporto para Portugal):

    Acha que Sócrates deveria recandidatar-se como líder do PS? Em que partido votaria (PS ou PSD) se o actual primeiro-ministro não estivesse na corrida?

    Os resultados em Espanha foram interessantes: 54% dos socialistas achavam quem Zapatero não deveria ser candidato

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