Pedro Magalhães

O custo do voto, por assim dizer (actualizado)

O Jesus Sanz, um doutorando espanhol aqui no ICS, ficou muito impressionado com o facto dos gastos orçamentados pelos partidos para campanhas eleitorais ser informação pública e facilmente acessível. Segundo me diz, na sua nativa Espanha, não sucede o mesmo.

Vai daí, lembrou-se de calcular o rácio entre as despesas orçamentadas e os votos obtidos nas Europeias, i.e., o “custo” de cada voto para cada partido. Aqui vai, do voto que “ficou mais barato” para o mais caro:

POUS: 13 cêntimos.
PCTP/MRPP: 27 cêntimos.
PH: 29 cêntimos.
PPM: 1 euro e 16 cêntimos.
CDS-PP: 1 euro e 60 cêntimos.
PS: 1 euro e 61 cêntimos.
BE: 1 euro e 90 cêntimos.
PPD-PSD: 1 euro e 95 cêntimos.
CDU: 3 euros e 16 cêntimos.
MPT: 4 euros e 35 cêntimos.
MMS: 6 euros e 93 cêntimos.
MEP: 7 euros e 51 cêntimos.

O MPT orçamentou inicialmente 1.500.500 euros, o que daria, caso tivessem sido realmente gastos, uns espectaculares 64 euros e 8 cêntimos por votante, mas o orçamento rectificativo foi bem mais baixo. MMS e MEP ainda pagaram um almoço de mini-prato a cada um. Para partidos novos, o voto sai caro.

10 Comments

  1. Rui MCB says:

    Se imputarmos ao espaço atribuído nos media a cada partido um custo usando como aproximação grosseira o custo de cada segundo televisivo, cm de espaço em jornal, segundo na rádio, etc, no mercado publicitário, ou seja, se imputássemos a “renda” associada à projecção mediática que cada um obteve, o cenário seria bem diferente.

    Para conseguirem um voto, os não parlamentares têm de gastar do próprio bolso uma enormidade de $ em termos relativos. Os “residentes” podem “poupar” imenso pois têm publicidade/projecção gratuita de forma desproporcionada. É só isto que pudemos concluir destes números. Seria curioso introduzir uma métrica para a exposição mediática de que falo. Será exequível?

  2. Acho que sim. Por exemplo, julgo saber que as empresas que fazem consultoria de imagem usam uma métrica mais ou menos estabelecida para o valor monetário de notícias nos media sobre os seus clientes.

  3. NG says:

    Atenção que há frequentes vezes diferenças significativas entre os valores orçamentados no início das campanhas e as contas finais dos partidos(que devem estar para sair no TC).

    Posso estar enganado, mas no caso das europeias, e tendo em conta notícias sobre os meios usados no terreno, espero que os gastos das contas finais do PS sejam superiores aos do PSD. Nos orçamentos apresentados no início da campanha acontecia o contrário.

    Por vezes os partidos (e isto foi-me explicado por um dirigente partidário) apresentam uma espécie de “orçamento fictício” apenas com base nos máximos de despesa previstos na lei, sem qualquer relação com aquilo que prevêem gastar efectivamente na campanha.

    Outras vezes, pelo contrário, optam por apresentar um orçamento abaixo da realidade – ficará mal aparecer antes das eleições como o partido mais gastador…

  4. Sim sim, de acordo. Estamos apenas a olhar para os orçamentos neste momento.

  5. Rui MCB says:

    Quanto ao MEP posso garantir que a execução orçamental ficou bem abaixo do orçamentado. Em breve teremos os números finais. Abraço!

  6. beijokense says:

    Pedro, seria melhor criar duas colunas, uma com o orçamentado, outra com o custo reportado 🙂

  7. beijokense says:

    … resolvi fazer uma análise alternativa.

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