Pedro Magalhães

Outlier: a caça à raposa.

Num padrão recorrente, através do qual países desenvolvidos exportam para o Terceiro Mundo a realização de actividades tornadas ilegais e vistas como inaceitáveis em casa – despejo de resíduos tóxicos, testes médicos em sujeitos humanos sem consentimento e coisas no género – a caça à raposa com matilhas em 2004 parece ter encontrado em Portugal um paraíso inigualável.
Aparentemente, esta actividade é organizada por uma coisa chamada Equipagem de Santo Huberto, uma associação dirigida por sete pessoas, sendo que cinco delas se apresentam com um “Dom” antes do nome próprio e quatro delas com a palavra “de” entre os seus apelidos. Na sua página na web, esta associação assegura-nos: “Não há animais feridos”. Ou escapam, ou morrem. Mas para quem ficar com dúvidas, um argumento é inatacável: “De qualquer modo, a proibição desta actividade representaria, por si, uma discriminação dos que se dedicam a esta forma de caça.” Somos contra toda e qualquer forma de descriminação.
Ao que parece, as caçadas tem lugar em várias herdades, entre as quais as pertencentes à Companhia das Lézírias. A Companhia é uma Sociedade Anónima de Capitais Públicos.

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