Pedro Magalhães

Outlier: os "politólogos"

Não creio que faça sentido defender que, numa democracia, o único discurso possível e desejável sobre a política seja feito por indivíduos que “não separam a análise política da sua posição política particular”. Desejar isto significa desejar que o único discurso possível sobre a política seja ideológico, partidário e, em si mesmo, “político”. Será assim tão desejável que a única coisa que haja para transmitir sobre a política sejam “opiniões” e “posições”, em vez de afirmações que, à luz do que sabe e investigou na base de métodos – dentro dos limites possíveis – científicos, se julga serem apoiadas pelos factos? O debate recente sobre as sondagens mostra bem o que sucede quando a “análise dos factos” é completamente dominada por aqueles que “não separam a análise política da sua posição política particular”: a degradação total da qualidade do debate.
Dito isto, com respeito pelos meus colegas e uma dose razoável de mea culpa, receio que haja também uma crescente degradação do papel desempenhado pelos “politólogos” no debate político em Portugal. Originalmente, “pundit”

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