Pedro Magalhães

Prémio "Gráficos mais assustadores do ano"

Vai directamente para as figuras 5.9 e 5.10 do estudo “A Dimensão Económica da Literacia em Portugal: Uma Análise”, encomendado pelo Plano Nacional de Leitura a uma equipa chefiada por T. Scott Murray, antigo director do Statistics Canada. Ei-los:

“Os empregos altamente qualificados estão reservados aos indivíduos com mais educação, enquanto no que respeita ao resto do mercado de trabalho, as competências atingidas, reflectidas nos níveis de escolarização ou medidas na escala de literacia em prosa, têm pouco ou nenhum impacto na forma como os empregos bem remunerados são distribuídos”, escreve-se na página 83.

Um mercado de trabalho que produz uma monstruosidade destas não tem defesa possível. A não ser, claro, por parte dos senhores e senhoras que ocupam o terceiro e quatro quintis.

6 Comments

  1. Calma, que há aqui um efeito de “média”! Entre novos e velhos! Não é necessariamente assim tão mau: pode ser só o retrato da transição que estamos a viver. Até há poucos anos, o grosso da população tinha pouca formação, pelo que a experiência era mais importante na competência do que a formação de base. Entretanto, os jovens com mais formação começam a entrar no mercado de trabalho, elevando o perfil do 1º e 2º quartil, mas ainda sem conseguir furar para os cargos mais elevados, pois as pessoas que lá estão têm valor próprio de experiência e defendem o seu posto… ao longo do tempo, o efeito de elevação da média avançará para a direita, creio.

  2. O Moscardo says:

    Caro Pedro: há algum sitio onde se possa encontrar o famoso estudo apresentado na sEDEs sobre qualidade de democracia?
    obrigado.
    luis Maia, o moscardo

  3. Rui Dantas says:

    também me parece que falta controlar a idade:

    (1) pessoas mais velhas terão tendencialmente rendimentos mais elevados; e
    (2) pessoas mais velhas terão tendencialmente menor escolaridade.

    o que certamente permitirá esclarecer parte dos resultados.

  4. Completamente de acordo. Mas se tomarmos isso em conta, verificamos mesmo assim que:

    1. Portugal e Polónia são os únicos países da OCDE onde, controlando idade, género e escolaridade, a literacia efectiva (resultados de testes de literacia aplicados aos inquiridos) não tem qualquer efeito sobre a probabilidade de se estar empregado.

    2. Num modelo explicativo dos rendimentos contendo género, educação dos pais, língua materna, instrução, desempenho em teste de literacia e experiência, Portugal é o segundo país onde a experiência explica maior variância nos rendimentos, tendo um poder explicativo superior quer ao dos anos de instrução quer ao da literacia.

    Os quadros do anexo 4.9a-c, que mostram as percentagens de indivíduos em cada nível de literacia que fazem parte dos 60% com maiores rendimentos, também são elucidativos.

    Tudo aqui: http://www.oecd.org/dataoecd/24/21/39437980.pdf

  5. JP Santos says:

    Uma das coisas que me surpreendeu foi os dados estudos serem relativamente antigos, pelo que fiquei curioso em saber como a situação terá evoluido na última década. Algum estudo que possa dar pistas ?

  6. Realmente o IALS já foi há muito tempo. Agora há o PIAAC: http://www.oecd.org/document/35/0,3343,en_2649_201185_40277475_1_1_1_1,00.html Mas não se há estudos semelhantes.

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