Pedro Magalhães

Tendências?

Políticos e comentadores têm falado de “tendências” nas sondagens para as europeias. Como procurá-las? Uma maneira possível é tirar partido do facto de quatro dos cinco institutos de sondagens já terem realizado mais do que uma sondagem em momentos diferentes no tempo. O quadro seguinte mostra a diferença, para cada partido e cada instituto, entre a sondagem mais recente e a sondagem anterior, na base do quadro mostrado no post anterior:

Nem me arrisco a fazer qualquer tipo de afirmação sobre isto, a não ser para vos dar um elemento adicional. Há um teste estatístico sobre a diferença de proporções entre duas amostras independentes (ver aqui, por exemplo). Se o fizermos, para as duas sondagens de cada instituto e para cada partido, e tomando em conta as dimensões das sub-amostras, só quatro dessas diferenças emergem como estatisticamente significativas a 95%:

– 3 na Intercampus: BE (-), CDS-PP (-) e OBN (+);
– 1 na Aximage: OBN (+).

2 Comments

  1. Anonymous says:

    Caro Pedro Magalhaes

    Este ponto de situação levanta-me duas questões:

    1- Muito de falou de empate tecnico entre PS e PSD, designadamente no ultimo estudo da Eurosondagem.
    Do ponto de vista “cientifico” estamos perante um empate técnico tomando por base a ultima eurosondagem ?
    E se assim for, também não existirá empate tecnico entre CDU, BE e mesmo CDS. É que a diferença entre estes 3 partidos é bem menos do que a entre PS e PSD.

    2- O CDS apresenta menos de metade dos votos nas sondagens presenciais quando comparadas com as telefónicas. Poderá existir alguma relação entre o anonimato do método com a natureza das respostas. Se assim for podemos falar numa propensão para o eleitor CDS esconder o seu voto ou mesmo no eleitor CDS ter reservas em declarar o seu voto?

    PPB

  2. Anonymous says:

    As sondagens dão uma indicação de voto aos eleitores quando apontam quem deverá ficar em 1º, 2º, 3º lugares e as respectivas percentagens de voto. Só por isso deveriam ser proíbidas e são-no em alguns países. Além disso, estão a tornar-se suspeitas de serem mal feitas ou pouco sérias porque se enganam sempre relativamente aos pequenos partidos, os quais vêm a ter sempre mais votantes do que os indicados nas tais sandagens.

    Uma boa boa parte do eleitorado acaba por ser induzido a escolher apenas de entre os partidos que são apontados nas sondagens como a ficar em 1º ou 2º lugares. E assim se influência o resultado da votação, sempre no sentido apontado pelas sondagens. Trata-se de uma tendência desportiva, porque aí ou se ganha ou se perde. Mas na política não é bem assim, pois quem fica em 2º, 3º ou 4º lugares também influência o poder e essa influência é tanto maior quanto maior for a representatividade. Apenas não contam os votos que não chegam para eleger representação na assembleia.
    Ganhar com maioria absoluta também é muito diferente de ter que procurar uma coligação ou governar sem ela, pois assim terá que ceder e ter em conta outras políticas. Por vezes nem isso é possível fazer uma coligação e governar na dependência do voto parlamentar é a única solução que é também a mais democrática.

    Além disso, os grandes partidos costumam atrair a si grupos de interesses que influuenciam a orientação da governação e isso chama-se de corrupção. Ora aí está mais uma razão para não se votar massivamente num qualquer partido.

    Zé da Burra o Alentejano

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