Pedro Magalhães

Um e-mail sobre OBN’s nas intenções de voto e nos comportamentos de voto

Recebi um e-mail de um leitor com este gráfico. Não fui verificar dados mas suponho serem baseados no quadro no post abaixo com as sondagens das últimas semanas. A “projecção” que o leitor faz para 2011 é simplesmente a média das diferenças passadas entre as médias das intenções de voto e daqueles que acabaram por ser os resultados finais. O leitor informou-me também, com uma clareza que nem sempre ocorre nestas coisas, que é militante do MEP, tendo compreensivelmente grande interesse nesta questão. À vossa consideração.

9 Comments

  1. jjleiria says:

    Mas convinha então que a «média simples» das sondagens recuasse até às décimas, caso contrário os resultados dos OBN podem ser mais ou menos um por cento, ou pior.

    Por exemplo, a previsão actual dos OBN deve ser de 6,5%, e não os 7% assinalados no gráfico.

  2. Temos de considerar os valores com que estamos a trabalhar. Uma população de 10.640 mil almas (AMECO estimativa para 2011), dificilmente terá 9.520 mil votantes. (CNE 2009). Mas estou de acordo com o princípio.

  3. jjleiria says:

    Resta que, à luz deste quadro:

    http://margensdeerro.blogspot.com/2009/09/quadro-final.html

    as previsões para os OBN em 2009, por exemplo, não eram de 5%, mas de 5,8%, pelo que o «erro» das sondagens se reduz em dois terços (foi de 0,4% e não de 1,2%).

  4. Joao says:

    Caro jjleiria,

    Em parte tem razão – se as médias estivessem calculadas com as casas decimais, teríamos um rigor também maior na análise. Mas a tendência é de tal modo “marcada” que creio que as conclusões não seriam muito diferentes das apresentadas (aliás, o erro será sempre inferior a 0,5%).
    Isto é:
    1 – Há uma tendência, que me parece indiscutível, de “fuga” do voto nos 5 partidos principais
    2 – A soma das percentagens obtidas (resultados reais) pelos “5 partidos” foi sempre inferior ao que era projectado.

    No exemplo que dá para 2009, a soma aritmética das projecções para os 5 partidos era de 95% e o que se verificou foi terem tido apenas 93,77% [http://www.marktest.com/wap/a/p/id~112.aspx#t]
    Ou seja, os OBN tinham uma projecção de 5% (na tal soma das médias aritméticas) e obtiveram realmente 6,23%.

    Cumprimentos,
    João Pimenta

  5. Joao says:

    No “post” anterior, por lapso, indiquei um link da Marktest.
    Aqui fica, com o devido pedido de desculpas, o link a que me referia:
    http://www.legislativas2009.mj.pt/legislativas2009/
    jp

  6. jjleiria says:

    Não percebo donde vem a ideia de que «o erro será sempre inferior a 0,5%». Mesmo sem números fictícios, temos que, três posts abaixo (não arredondado), 36,1 + 31,7 + 11,6 + 7,9 +6,1 = 93,4 e que (arredondando) 36+32+12+8+6=94.

    É uma diferença de 0,6, mas posso ter-me enganado.

    Se os resultados por absurdo terminassem todos em vírgula-seis, com as mesmas unidades, todos arredondados para cima, a diferença seria de 2 (0,4*5).

    Volto a dizer que havia números não arredondados em 2009 (link em cima), e que esses dariam 5,8 aos OBN — a tendência mantém-se, mas é amplamente reduzida.

    Pelo que, a manter-se a tendência, com 6,5 previstos, os OBN poderão chegar aos 7%.

    Mas talvez fosse de contabilizar também o número de pequenos partidos envolvidos (como o novel PAN), e separá-los dos brancos e nulos. Não?

  7. Joao says:

    Caro jjleiria,

    Não sou propriamente um especialista em matéria de análise de erros, embora este seja um excelente blog para dissipar dúvidas nesta matéria. E admito que possa ter razão.
    No entanto, não me parece correcto estar a fazer a média aritmética entre os extremos do intervalo, a menos que eu não tenha percebido a tabela. Na minha interpretação, a média é uma média entre várias sondagens (e o intervalo é apenas isso – o intervalo entre o valor mínimo e máximo de várias sondagens).
    Se fossem apenas 2 sondagens, dar-lhe-ia toda a razão; mas não me parece estatisticamente provável, num universo de várias sondagens, ocorrer o que afirma (embora possível, em teoria).

    Quanto à discriminação dos valores estou totalmente de acordo consigo – o que eu defendo é que apareçam todos os partidos sem excepção.

  8. Nuno Pereira says:

    Caro Joao, aquilo que afirmou no final da sua mensagem “o que eu defendo é que apareçam todos os partidos sem excepção” não será recomendável. Isto porque, face ao número de inquiridos em cada sondagem, e porque estamos a falar de percentagens para cada um deles bastante baixas, o erro da amostra para esses partidos seria enorme.
    Agora, o que pode ser feito é indicar o número de votos em cada um desses pequenos partidos (ou melhor, em cada um abaixo de 1 ou 2 % de intenções de voto). Isso (indicar o número de votos nos outros) foi sugerido pelo autor deste blogue numa mensagem há algumas semanas).

  9. Joao says:

    Resultado com 4260 freguesias apuradas (faltam apenas os círculos do estrangeiro):
    OBNs: 8,47% (para uma “projecção” de 8,3%)

    Conclusões:
    1 – confirmou-se a tendência de fuga de votos nos “5 partidos da AR”;
    2 – As sondagens beneficiam os partidos instalados.

    Este é um tema que deveria ser debatido porque o resultado não é despiciendo. O OBN é o 4º “partido” portugu~es, com mais votos do que a CDU e o BE.

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