Pedro Magalhães

Em 2004, foi assim

Um fenómeno muito conhecido e quase sempre repetido é que, à medida que nos vamos aproximando da data das eleições, os resultados das sondagens começam a convergir. Seja porque só no final as intenções dos eleitores começam a “cristalizar” seja porque as sondagens look over their shoulders, é isso que quase sempre sucede. Veremos o que sucederá na próxima semana. Mas em 2004, foi isso mesmo que sucedeu. O quadro mostra os resultados das sondagens divulgadas na última semana. Onde foram apresentados resultados com indecisos, tratei-os como abstencionistas, para tornar os resultados comparáveis entre si e com resultados de eleições. Como vemos, por essa altura, todas indicavam mais intenções de voto para o PS do que para a coligação PSD/CDS-PP, como veio a suceder. E as diferenças entre as sondagens são bem menores que aqueles que verificamos hoje nas sondagens realizadas até agora para as europeias de 2009.

Contudo, ao contrário do que veio a suceder um ano depois nas legislativas, permaneceram grandes variações quer na estimação das intenções de voto na coligação quer na votação da CDU. E todos indicaram mais intenções de voto no BE do que aquele que veio a ser o seu resultado (mesmo que as diferenças sejam insignificantes em dois casos). Por outras palavras, repetindo um padrão já conhecido, eleições com muito elevada abstenção tendem a produzir maiores discrepâncias entre as sondagens e os resultados eleitorais, assim como maiores discrepâncias das sondagens entre si. Intenções de voto recolhidas acabam por não se converter em comportamentos, e diferentes pressuposições sobre como tratar o fenómeno da abstenção e estimar o que poderá ser o “votante provável” acabam por fazer sentir os seus efeitos neste confronto entre sondagens realizadas a uma semana das eleições e os resultados. Logo, eu seria céptico sobre a possibilidade das próximas sondagens “resolverem” todas as dúvidas sobre o que poderá suceder dia 7, especialmente porque, desta vez, tudo o que vimos até ao momento sugere que a margem de vitória de seja quem for o vencedor será certamente menor.

  • Tiago Dias says:

    Aqui esta provado que a pequena vantagem do Bloco sobre a CDU pode não se verificar nas urnas.Em 2004 todas as sondagens extrapolaram o bloco e 3 em 4 prejudicaram a CDU.Qual o motivo para isto Pedro?Obvio que nã ha aqui nenhuma conspiração,mas não deixa de ser algo “estranho”…

  • Tiago: uma eleição é uma eleição. Se for ver, nada disto aconteceu noutras eleições recentes. O que sucede numa eleição pode não suceder noutra. Apenas quatro sondagens numa única eleição não chegam para detectar tendências estatisticamente significativas de sub- ou sobrestimação de um partido. Tínhamos de saber muito mais sobre as sondagens em si – maiores detalhes metodológicos e aspectos da composição das amostras – para perceber o que se poerá ter passado.

  • Tiago Dias says:

    Obrigado Pedro,
    so mais uma questão:agora devem sair ate as eleicoes mais uma sondagem de cada empresa certo?

    cumprimentos e parabens pelo trabalho

  • Creio que sim. Do CESOP haverá apenas mais uma, sim.

  • Bom dia.

    1- Posso ser eu que não acompanho muito este e outros blogs, mas não se fala pocuo nos 8,2 dos OBN? E estes 8,2$ somados à abstenção…não haveria que analisar estes números? penso que as conclusões não seriam muito positivas para a nossa democracia…

    2- Só mais uma coisa: gostaria também de saber como se dividem os 8,2%: 8,1% em branco e 0,1% em “Outros”? Ou 0,1% em branco e 8,1% em “Outros”? às vezes tenho a impressão de que não se quer/não se está habilitado a falar sobre este tema…

  • Olá João Pedro. Os resultados eleitorais de 2004 e a repartição dos votos estão disponíveis, por exemplo, no site da CNE: http://eleicoes.cne.pt/

  • Obrigado, Pedro Magalhães.

    Fui ver os números e a percentagem de votos nulos/brancos é de 4,1% (quase tanto como os votos do BE…)