Pedro Magalhães

Sondagens para as presidenciais

Que me tenha apercebido, com o menu de candidatos mais ou menos definitivo, temos apenas duas (2) sondagens. Uma foi realizada pela Aximage, com o trabalho de campo a terminar no dia 4 de Novembro e uma amostra de 603 inquiridos. Outra foi realizada pela Eurosondagem, com o trabalho de campo a terminar dia 18 de Novembro e uma amostra de 1510. Há muitas sondagens anteriores, todas úteis à sua maneira, mas com candidatos que acabaram por não o ser (Rui Rio, Jerónimo de Sousa) ou faltando-lhes outros (Edgar Silva, Marisa Matias).

O que dizem estas duas sondagens?

1. Que não há indicações claras sobre se Marcelo tem mais de 50% das intenções de voto válidas: 48% para a Eurosondagem e 64% (depois de redistribuídos indecisos e votos em branco proporcionalmente pelos votos válidos) para a Aximage.

2. Que não se sabe quem tem mais intenções de voto à esquerda. Na Aximage, Nóvoa tem 17% contra 15% de Belém. Na Eurosondagem, Belém tem 19% contra 17% de Nóvoa.

3. Que não se sabe o peso dos restantes candidatos: 4% para a Aximage, 16% para a Eurosondagem.

Em suma, grande incerteza sobre vitória à 1ª volta, grande incerteza sobre quem iria a uma 2ª volta, grande incerteza sobre o peso dos restantes candidatos.

Como compara isto com o passado? 2006 talvez seja o melhor ponto de comparação, dado serem eleições onde, tal como nestas, não concorria o presidente em exercício. Em Novembro de 2005, foram divulgadas cinco sondagens, da Eurosondagem, da Marktest, da Católica, da Aximage e da Intercampus. Cavaco Silva aparecia com valores entre os 53% e os 57% nesse mês, mas no resto da campanha persistiram sondagens com resultados num intervalo bastante amplo, entre os 63% da Gemeo/IPAM (logo no início de Dezembro) e os 52% da Eurosondagem em Dezembro e da Católica nas sondagens finais de Janeiro, sendo que a vitória de Cavaco à primeira volta foi, como se recordarão, ainda mais apertada (50,5% dos votos; com menos 29758 votos teria havido 2ª volta).

Como também se recordarão, a questão Alegre vs. Soares só se começou a resolver nas sondagens da última semana, e Jerónimo de Sousa teve um resultado melhor do que qualquer sondagem lhe concedeu. Em suma, há muito caminho para andar até ao dia 24 de Janeiro.